Regulamentação de cassinos e bingos é tema de livro

Destaque I 25.05.18

Por: Magno José

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Obra reúne textos de diversos autores que procuram abordar vários aspectos da questão Obra reúne textos de diversos autores que procuram abordar vários aspectos da questão

Obra de Luiz Carlos Prestes Filho será lançada na ALMG e discutida em audiência pública

A defesa da regulamentação dos cassinos, bingos e do jogo do bicho é o tema do livro “A Teoria das Probabilidades no Jogo, Ciências e Políticas Públicas”, que será lançado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na terça-feira (29), a partir das 18 horas, no Plenarinho IV.

O autor é Luiz Carlos Prestes Filho, que também participará, no mesmo dia, de uma audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, para discutir o tema. Essa reunião acontece a partir das 16h30m, também no Plenarinho IV, logo antes do lançamento do livro.

Como o nome indica, o autor é filho do principal líder comunista da história brasileira. A história de seu pai, segundo ele, ajuda a contar como interesses políticos contribuíram para proibir o jogo no Brasil. A exploração dos jogos de azar pela iniciativa privada tornou-se ilegal em 1946, no governo de Eurico Gaspar Dutra, por meio do Decreto-Lei 9.215.

Apesar da norma, em sua justificativa, afirmar que “a tradição moral jurídica e religiosa do povo brasileiro é contrária à prática e à exploração dos jogos de azar”, Prestes Filho indica que o interesse de Dutra em enfraquecer o PTB de Getúlio Vargas e os comunistas do PCB também pesou na decisão. Isso porque o irmão de Getúlio, Benjamin, era sócio dos principais cassinos do Brasil. Já o PCB era apoiado pelos bicheiros do Rio de Janeiro e São Paulo.

“O PCB ajudou na fundação da União Nacional das Escolas de Samba. Em 1946, 24 escolas de samba homenagearam meu pai com sambas-enredo”, recorda Prestes Filho. Com a proibição dos jogos, portanto, Dutra eliminava uma possível fonte de financiamento para dois de seus rivais políticos.

Agora, na avaliação do autor, é hora de rever uma decisão que considera autoritária e regulamentar a atividade, que tem potencial para gerar empregos, renda e estimular o turismo. Sua obra reúne textos de diversos autores que procuram abordar vários aspectos da questão.

Segurança nacional

Um dos capítulos inclui uma entrevista com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, em que ele classifica como um “despautério” a ideia de que os jogos seriam uma ameaça à segurança nacional, como citado no Decreto-Lei 204, de 1967. Por meio dessa norma, a ditadura militar regulamentou a loteria federal, mas reafirmou a ilegalidade de jogos explorados pelo setor privado.

Alguns dos outros textos são: “Jogos: Ciência, Tecnologia e Inovação” (de Jorge Ávila), “A Proibição dos Jogos de Azar e o Desafio de Regulação e Tributação Adequadas” (de Luiz Felipe Maia), “Bingos no Brasil: fardo ou legado?” (de Maria Luiza Kurban Jobim e Toni Willians), “Lavagem de Dinheiro e Jogos de Azar – Risk-Based Approach” (de Frederico Lannes e Marcelo Munhoz da Rocha) e “A Regulamentação dos Jogos de Sorte e de Azar – Impactos jurídicos” (de Ana Paula Gatti Vital).

Para o autor, é hora de regulamentar a atividade, que pode gerar empregos e estimular o turismo – Arquivo ALMG – Foto: Sarah Torres

O principal argumento dos que são contra a regulamentação dos jogos de azar é que a atividade seria um instrumento ideal para a lavagem de dinheiro, impossível de controlar e muitas vezes associada ao crime e à prostituição.

Prestes Filho considera a acusação uma injustiça. “Ninguém que foi preso pela Lavajato usou cassino ou bingo para lavar dinheiro. Nenhum doleiro usou cassino ou bingo para isso”, afirmou.

A experiência da Lavajato, segundo o autor, mostra que o País já tem instrumentos capazes de fiscalizar a indústria dos jogos. Além disso, ele argumenta que os jogos já existem e seria melhor se funcionassem de forma legal, em vez de estarem na clandestinidade. “Não existe a possibilidade do não-jogo. E é melhor que ele aconteça à luz do dia”, defendeu.

Deputado acredita que atividade pode gerar empregos e cultura

Presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, o deputado Roberto Andrade (PSB) é autor do requerimento para realização da audiência pública sobre a regulamentação dos jogos de azar. Para ele, o estímulo à economia é justamente o argumento mais forte em favor dessa ideia.

“Seria uma forma de gerar empregos e cultura. Há muita gente que vai a Las Vegas (EUA), por exemplo, não para jogar, mas para ver os grandes espetáculos, como o Cirque de Soleil”, afirmou.

O argumento do deputado é reforçado por Prestes Filho, que é especialista em Economia da Cultura. “Hoje, as cidades que realmente geram uma renda importante com os jogos, como Las Vegas e Macau (na China), fazem isso de forma associada à cultura e ao entretenimento. Em Las Vegas, apenas 40% dos visitantes vão lá só para jogar”, explicou o autor do livro que será lançado na ALMG.

Diversas cidades turísticas de Minas Gerais, como Araxá (Alto Paranaíba), Poços de Caldas e Lambari (Sul) já contaram com cassinos. Prestes Filho considera que hoje a tendência é regulamentar a atividade dos jogos em cidades com mais de 300 mil habitantes e grande potencial turístico. Isso não quer dizer que os municípios mineiros também não possam aderir.

“Araxá e Poços de Caldas tiveram cassinos importantes em sua época, mas é ingenuidade pensar que essas cidades poderiam ter um papel de destaque hoje. Poucos estados têm a possibilidade de receber cassinos-resorts, mas essas cidades menores podem ter pequenos cassinos ou bingos. Essa discussão vai acontecer”, opinou o autor do livro.

Para o deputado Roberto Andrade, discussão não deve se restringir ao Congresso- Arquivo ALMG – Foto: Guilherme Bergamini

Regulamentação

Minas Gerais não tem autonomia para regulamentar os jogos, isso cabe ao Congresso Nacional. Para Roberto Andrade, no entanto, é importante que essa discussão não fique restrita a Brasília. “O que queremos é contribuir para o debate, mas a regulamentação deve acontecer em nível federal”, admitiu o parlamentar.

Em março deste ano, o Senado rejeitou o Projeto de Lei 186/14, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que propunha a legalização dos cassinos, bingos e outros jogos semelhantes. Agora, as esperanças de quem defende a ideia estão na Câmara de Deputados, por meio de uma modificação na Lei Geral do Turismo.

Prestes Filho, no entanto, considera difícil a aprovação de uma proposta deste tipo ainda este ano. “É um ano eleitoral. Temos pouco prazo para essa votação. Mas se não for aprovado agora, o próximo Congresso deve refletir o que a maioria pensa e regulamentar os jogos, estou certo disso. Esse evento na Assembleia de Minas Gerais é uma amostra de que há interesse nessa discussão”, conclui.

O deputado federal Elmar Nascimento (DEM/BA), que preside a Comissão Especial Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, é um dos convidados da audiência pública na ALMG.

Onde encontrar

O livro “A Teoria das Probabilidades no Jogo, Ciências e Políticas Públicas” está disponível em todas as livrarias que trabalham com a Editora E-papers (R$ 45,00) e no site da editora (R$ 36,00 para a versão impressa e R$ 18,00 para a versão digital).

Consulte a lista completa de convidados para a reunião:

– Elmar Nascimento, deputado Federal e presidente da Comissão Especial Marco Regulatório dos Jogos no Brasil – Brasília (DF);

– Angelo Oswaldo de Araújo Santos, secretário de Estado de Cultura;

– Gustavo Pessoa Arrais, secretário de Estado de Turismo;

– Diogo Curi Hauegen, prefeito Municipal de Caxambu;

– José Fernando Aparecido de Oliveira, prefeito Municipal de Conceição do Mato Dentro;

– Francisco Rosinei Pinto, prefeito Municipal de Dom Viçoso e presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Circuito das Águas – Caxambu;

– Magno José Santos de Sousa, presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal – Rio de Janeiro(RJ);

– Ana Paula Gatti Vital, diretora de operações da Associação Brasileira de Bingos, Cassinos e Similares, representando Olavo Sales da Silveira, presidente – CONFIRMADA;

– Ronan Edgard dos Santos Moreira, diretor-geral da Loteria do Estado de Minas Gerais – CONFIRMADO;

– Sérgio Ricardo Martins de Almeida, presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro;

– Paulo Horn, vice-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro – CONFIRMADO. (Notícias ALMG)

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