Opinião: Interpretações equivocadas podem colocar as empresas de apostas esportivas como vilãs

Desde o início das investigações do Ministério Público de Goiás (MPGO) sobre o suposto esquema de manipulação de resultados na Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado, que o BNL vem destacando a necessidade do setor se posicionar para que não seja considerada a vilã deste crime patrocinado por apostadores que desejam o lucro fácil.
As manipulações de resultados afetam negativamente todo o ecossistema do esporte, incluindo jogadores, clubes, federações esportivas, patrocinadores e fãs. Isso pode levar a uma desconfiança geral no esporte, além de impactar negativamente a integridade e a legitimidade das competições esportivas.
As plataformas de apostas esportivas são as mais afetadas pelas manipulações de resultados e são as maiores vítimas. As empresas trabalham para garantir a integridade de suas operações e muitas vezes colaboram com as autoridades esportivas e de aplicação da lei para identificar e prevenir possíveis fraudes. Além disso, muitas plataformas de apostas esportivas têm políticas rigorosas de combate à manipulação de resultados e realizam auditorias regulares para garantir a transparência e a conformidade com as regulamentações aplicáveis.
A divulgação do levantamento da Sportradar nesta terça-feira (21) colaborou com a percepção equivocada. Reportagem do Jornal Nacional desta quarta-feira (22) destacou que o “Brasil lidera o ranking das mais de mil atividades suspeitas ligadas a apostas esportivas no mundo todo: 152 eventos no país entraram nesta lista. A grande maioria, partidas de futebol”.
O equívoco também pode ser observado durante debate do requerimento para realização de audiência pública para discutir a regulamentação das apostas esportivas no país na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara (CFT) da Câmara. (assista aqui)
Para aumentar ainda mais o desgasta, foi protocolado na Câmara dos Deputados o requerimento do deputado Felipe Carreras (PSB-PE) para realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – ‘CPI da Manipulação de Resultados’, que a mídia já denominou como ‘CPI das Apostas Esportivas’.
Para corroborar os riscos que o negócio apostas está enfrentando, o levantamento da Paraná Pesquisas indicou que 63,9% dos entrevistados acreditam que a manipulação de resultados está favorecendo ‘grupos de apostadores’, mas várias reportagens veiculadas pela mídia interpretaram e divulgaram que a percepção é que está ocorrendo manipulação dos resultados com o objetivo de favorecer “grupos de apostas”.
O mais importante neste momento, que o Ministério da Fazenda está trabalhando no processo regulamentação as apostas de quota fixa, é evitar qualquer desgaste para o setor. Os dirigentes devem se unir trabalhar para garantir a credibilidade e a imagem das apostas esportivas, além de difundir que investem no combate a fraudes e esquemas criminosos deixando claro para autoridades e sociedade que as plataformas são as maiores prejudicadas com a manipulação de resultados.


