BRB quer colocar de pé loteria estadual do Distrito Federal até setembro

O Banco de Brasília (BRB) que implementar a loteria estadual do Distrito Federal até setembro. Na última sexta-feira (31), a instituição escolheu um parceiro internacional para constituir uma joint venture para operar a loteria e vê grande potencial para o segmento, revela reportagem do Valor Econômico.
Após um processo competitivo para o qual foram convidados os 15 maiores operadores de loteria do mundo e que foi capitaneado pelo BTG, o BRB acabou escolhendo a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). Apesar de o nome ser conhecido no Brasil apenas pelos hospitais filantrópicos, a SCML opera as loterias de Portugal desde 1783 e é, atualmente, uma das mais tradicionais operadoras de loterias do mundo, com cerca de 5 mil pontos de venda. Na joint venture, o BRB terá o controle, com 50% mais uma das ações.
O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, diz que pela lei do DF o banco pode explorar quatro tipos de jogos: prognóstico numérico (como a Mega Sena), loterias de números, jogos instantâneos (raspadinha) e apostas esportivas. Este último, como ainda depende de regulamentação federal, não será oferecido por enquanto.
“É uma oportunidade estratégica super-relevante, pois existe um alinhamento grande entre as questões de jogos e a atuação bancária. A loteria precisa de canais de distribuição, e o banco têm canais físicos e eletrônicos; precisa de meios de pagamento, de tecnologia, de uma segurança da informação relevante, controles internos, cumprimento a regras de prevenção a lavagem de dinheiro, e isso tudo faz parte do dia a dia dos bancos”, comenta.
A ideia é distribuir os jogos nas agências do BRB, nas maquininhas de cartão (POS) do banco, e principalmente por meios digitais, como o site a o aplicativo da instituição financeira. Como a determinação do STF que quebrou o monopólio do governo federal na exploração de loterias ainda tem alguns pontos em aberto, não está claro se um cliente de outro Estado, que tem uma conta no BRB, por exemplo, poderá comprar os jogos do DF.
“Se abrir essa possibilidade de exploração digital além das fronteiras do DF, o potencial do negócio cresce brutalmente”, diz Costa.
Segundo ele, o brasileiro gasta cerca de US$ 10 em apostas por ano, volume muito abaixo de países como Inglaterra (US$ 104), Estados Unidos (US$ 116), Itália (US$ 126) e Portugal (US$ 137). O Brasil arrecada com as loterias cerca de R$ 18 bilhões por ano e a expectativa é que em 2023, com os jogos estaduais, esse volume suba para R$ 36 bilhões.
O DF representa atualmente cerca de 4% dessa arrecadação. “Os outros países arrecadam, em média, dez vezes mais que o Brasil com jogos, e tem 11 vezes mais pontos de venda. O potencial para o crescimento aqui é enorme”, diz o presidente do BRB, acrescentando que o novo negócio deve se tornar uma fonte de receita interessante para o banco.


