Brasileiros são responsáveis pelo sucesso financeiro do ‘Conrad Punta del Este’
O Grupo Enjoy apresentou os resultados obtidos no primeiro ano da gestão junto ao Conrad Punta del Este, no Uruguai. O número de turistas ajudou a elevar a renda do complexo em 19,4% no primeiro trimestre de gestão Enjoy, como observou o gerente geral, Juan Eduardo Garcia. A partilha das receitas são 75% para o jogo, 10% para o hotel (com ocupação de cerca de 80%) e 15% para alimentos e bebidas.
A porcentagem proveniente do cassino teve um aumento de 64,9%. “Este aumento foi o responsável pelo registro de ganhos brutos durante todos os meses do segundo trimestre pela primeira vez em quatro anos”, disse Garcia.
Outros destaques apontados pelo executivo foram “o novo modelo de operação, com visão do futuro e padrões de produtividade de classe mundial, em que a inovação desempenha papel importante” e “a parceria e integração público-privado como pilares fundamentais para o desenvolvimento do turismo no País”. No quesito entretenimento, o gerente comentou a ascensão do grupo Enjoy para os dez melhores de cassinos e centros de entretenimento em todo mundo.
“Temos trabalhado no Conrad do presente e do futuro, em um país que sabe fazer todos os seus convidados se sentirem especiais”, concluiu Garcia, agradecendo o apoio e brindando o último ano
Visitas de brasileiros aumentaram em 20% no Conrad
Parte do sucesso do Conrad foram as melhorias nas instalações com investimento de US$ 20 milhões para atrair os clientes do Brasil e aliviar a queda dos argentinos. “Nos últimos 12 meses, desde que assumimos a gestão, temos conseguido os maiores lucros da história de todos os negócios (casino, hotel e alimentos e bebidas). Além disso, temos conseguido o maior fluxo de visitantes e o aumento Ebitda”, diz Juan Eduardo Garcia, gerente da Divisão Atlântico da empresa chilena Enjoy, responsável por esta operação e de Mendoza.
Garcia observou que o primeiro semestre a visita de turistas caiu 15%, embora os brasileiros aumentaram em 30%, o que, em termos líquidos, no exclusivo balneário a queda foi de 8%.
Embora as visitas de argentinos ao Conrad caíram de forma marginal de 60% a 55%, os brasileiros aumentaram em 20%. O gasto por pessoa, no entanto, diminuiu 3%, para uma média de US$ 200 por pessoa ao dia. Os visitantes, por sua vez, aumentaram em 12%, para uma média de 250 mil pessoas na alta temporada e 100 mil na baixa.
Aumento dos voos charters do Brasil
Para compensar a queda dos turistas argentinos devido a situação macroeconômica do país, o Conrad foi buscar clientes em outros locais. Assim, somente este ano foram contratados e comercializados mais de 70 voos charters para trazer cerca de 14 mil passageiros do Brasil.
“Estamos buscando a forma de acesso a outros locais que contribuem para o turismo, mas não só Conrad. Este ano abrimos charters para maximizar a utilização das aeronaves, que era cerca de 60% para cerca de 80% – com disponibilidade para outros hotéis e clientes”, disse Garcia.
Entre os destinos que está considerando a possibilidade de estender o sistema de voos estão Porto Alegre e Buenos Aires, enquanto esporadicamente poderia incluir Curitiba e Lima. Outro desafio é quebrar a sazonalidade, não só para o Conrad, mas para toda Punta del Este, pois seu negócio não depende só do hotel, mas das outras áreas da cidade.
O jogador de cassino no Conrad tem entre 45 e 70 anos. A preferência pelo jogo no Uruguai é dividida em 50% para as máquinas e o resto para jogo ao vivo ou mesa. Os argentinos preferem a roleta e os são mais inclinados ao bacará, estes dois jogos são as principais modalidades do cassino.
Comento: estamos exportando nosso consumo e gerando dividendos nos países vizinhos
O resultado financeiro dos últimos 12 meses do Conrad Punta del Este mostra o tamanho da dependência do turista brasileiro para o sucesso do empreendimento.
Não é necessário dizer dos riscos dos hotéis e cassinos do balneário uruguaio em caso de regulamentação do jogo no Brasil. Como exemplo, podemos citar o esvaziamento dos hotéis-cassinos de Atlantic City, com a regulamentação do jogo abertura de empreendimentos similares na Pensilvânia, Delaware e Nova York.
Além da exportação do nosso consumo local na área de jogos, também perdemos oportunidades mercadológicas da cadeia produtiva do jogo. A indústria de jogos e entretenimento das nações vizinhas faz com que o país perca empregos e dividendos neste segmento.
O Brasil poderia aprender com experiências positivas de outros países e até mesmo blocos, como a apresentada pelo deputado alemão Jürgen Creutzmann à Comissão do Mercado Interno e da Proteção dos Consumidores do Parlamento Europeu sobre jogos online. Ele afirmou em seu relatório que “os operadores ilegais não pagam impostos e assim também não contribuem para a sociedade”.


