Webinar “Por Trás do Jogo: os Bastidores do Gaming” debateu a regulamentação das apostas

Em webinar realizado nesta quinta-feira (4), promovido pela Control F5, especialistas e líderes do mercado de iGaming fizeram um balanço dos primeiros meses de regulamentação das apostas online no país. O consenso aponta para um ano desafiador de adaptação, mas com avanços significativos. Os principais focos para 2026, segundo os participantes, serão o combate ao mercado ilegal, a educação de jogadores e profissionais e uma maior consolidação e profissionalização do setor.
O painel “Por Trás do Jogo: os Bastidores do Gaming” reuniu Natália Nogues (CEO da Contra F5), Leonardo Baptista (CEO da Pay for Fun), Teresa Caeiro (CEO da Playtech Brasil), Simone Vicentini (ex-secretária adjunta da SPA) e Diego Dantas (CMO da Sorte Online).
Desafios do Primeiro Ano: Regras Móveis e Mercado Paralelo
Os participantes destacaram a complexidade da transição para um mercado regulado. “São novas regras para todo o mundo, para o apostador também. Para todo o ecossistema”, afirmou Teresa Caeiro. A constante evolução das normas foi apontada como um fator de ansiedade para as empresas, que obtiveram licenças sob um conjunto de regras e agora acompanham mudanças.
A coexistência com um mercado ilegal “ainda muito grande” e a necessidade de mais fiscalização foram unanimidade entre os debatedores. Simone Vicentini ressaltou a importância da implementação prática das políticas de compliance. “Precisa realmente ter uma melhoria nessa parte… o operador que segue as regras só faz bem para o mercado”, disse.
Leonardo Baptista destacou a ação do Banco Central como um “efeito colateral muito bom” para o setor legal, ao fechar instituições de pagamento não autorizadas que serviam ao mercado paralelo.
Educação como Pilar Central para 2026
A educação do jogador e da sociedade em geral emergiu como uma prioridade absoluta para o próximo ano. “Muita gente ainda não sabe do site oficial com domínio .com.br. Tem muito apostador que ainda usa qualquer plataforma”, alertou Teresa Caeiro.
A necessidade de campanhas que expliquem as vantagens do mercado regulado – como garantia de pagamento e canais de reclamação – e promovam o jogo responsável foi amplamente defendida. “As pessoas não têm essa consciência, ficam malhando o setor… No mercado regulado existe uma proteção maior do apostador”, completou Simone Vicentini.
Como parte dessa iniciativa, a Control F5 anunciou durante o webinar o lançamento da Bet Academy, uma plataforma de cursos online voltada para a capacitação de profissionais que ingressam no setor.
Profissionalização e “Tropicalização”
A carência de mão de obra especializada e a atração de talentos de outros setores foram temas abordados. Diego Dantas, que veio do varejo, defendeu que experiências externas trazem um “refresh” necessário. “Às vezes a gente fica com muitos vícios dentro dos nossos anos de trajetória”, ponderou.
Teresa Caeiro reforçou a estratégia de buscar profissionais de indústrias maduras, como o mercado financeiro, para trazer um ambiente mais corporativo e expertise em análise de dados. No entanto, os especialistas alertaram para o erro de tentar replicar no Brasil modelos que deram certo em outros países sem adaptação. “Os operadores internacionais que não entenderem essa tropicalização terão muita dificuldade em ter sucesso aqui”, afirmou a CEO da Playtech Brasil.
Perspectivas e Tensões Regulatórias
Olhando para o futuro, os participantes esperam uma consolidação do mercado, com uma redução natural no número de operadores. A certificação de provedores de jogos pela SPA e a regulamentação das criptomoedas foram apontadas por Léo Baptista como medidas que podem impactar positivamente o mercado legal no próximo ano.
O debate também tangenciou questões regulatórias em aberto. Simone Vicentini comentou a recente decisão liminar do STF que suspendeu as loterias municipais, explicando a disputa jurídica sobre a competência dos entes federativos. Sobre a possível legalização de cassinos e bingos físicos, houve otimismo cauteloso. “Quanto mais a gente regulamentar, colocar lei, trazer jogo legal… melhor para todo mundo”, defendeu Baptista, lembrando que a lei das apostas também foi aprovada em dezembro.
Perfil do Jogador e Inovação
Diego Dantas trouxe dados de pesquisas recentes que desafiam estereótipos, como a informação de que 47% dos jogadores são mulheres e que a faixa etária está bem distribuída entre gerações. “Não era, era meio a meio… Isso é um ponto interessante”, comentou, sugerindo oportunidades de mercado inexploradas.
A inovação tecnológica e a busca por diferenciação em um mercado considerado “comoditizado” também foram destacadas. A criação de ferramentas sociais dentro das plataformas e a hiperpersonalização da experiência, considerando as diferenças regionais do Brasil, são tendências observadas.
O webinar encerrou com um censo de que, apesar dos percalços de um primeiro ano intenso, o mercado regulado brasileiro de apostas está em franca construção, com desafios claros, mas também com uma trajetória promissora de crescimento e profissionalização.


