Legalização dos cassinos pode atrair investimentos de US$ 70 bilhões

Cassino I 05.03.26

Por: Magno José

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Legalização dos cassinos pode atrair investimentos de US$ 70 bilhões
Especialistas debatem no SBC Summit Rio como estruturas integradas de entretenimento podem impulsionar economia e consolidar cidade como polo turístico. PL 2.234/22 aguarda votação no plenário do Senado e prevê autorização de até 61 cassinos em resorts e turísticos no país

O Rio de Janeiro poderá receber dois cassinos-resorts e um turístico. A possibilidade depende da aprovação do Projeto de Lei 2.234 no Senado. O texto aguarda votação em plenário após parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta prevê a autorização de até 61 casas de jogos no país, entre cassinos em resorts e turísticos.

Especialistas do setor turístico e representantes de operadoras avaliaram na terça-feira (4) como essas estruturas podem impulsionar a economia nacional. O debate ocorreu durante o SBC Summit Rio. Magnho José, editor do BNLDATA e presidente do Instituto Jogo Legal (IJL), conduziu a discussão intitulada “Destino de Entretenimento: O Futuro do Brasil através do Turismo e Lazer”.

Sergio Ricardo Martins de Almeida, presidente da TurisRio, Bruno Omori, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Turismo (IDT-CEMA), Fabio Tiberia, vice-presidente para o Brasil da VBET, e Ronaldo Porto, head de marketing do Visit Rio, participaram do painel. Os debatedores analisaram aspectos legislativos, econômicos e operacionais da possível implementação de casas de jogos em território nacional.

Proposta prevê 61 casas de jogos distribuídas pelo país

O texto foi aprovado na Câmara em fevereiro de 2022. A legislação contempla cassinos integrados em resorts físicos e cassinos turísticos, com limite de um por estado. A proposta também prevê a exploração de bingo e jogo do bicho.

A distribuição das 60 casas de jogos contempla 34 cassinos-resorts e 27 cassinos-turísticos espalhados pelo território nacional. Sergio Ricardo destacou a evolução do debate sobre o tema. “Há 13 anos esse debate era tratado como tabu”, afirmou.

O presidente da TurisRio apresentou números que demonstram o crescimento do fluxo de visitantes na cidade. O Rio recebeu 2,2 milhões de turistas internacionais em 2023. Apenas em janeiro deste ano, o destino registrou 200 mil visitantes estrangeiros.

“O Rio voltou a estar na moda e deve ser o primeiro destino a receber cassinos-resorts. Isso nos ajuda a consolidar a cidade como porta de entrada do país e aumenta a permanência do turista”, declarou Sergio Ricardo. Ele mencionou a Barra da Tijuca como região com infraestrutura adequada, incluindo centros de convenções, hotéis e shoppings.

O presidente da TurisRio também apontou o potencial de regeneração do Centro histórico da cidade. Regiões turísticas do interior fluminense, como Costa do Sol, Costa Verde e Paraty, foram citadas como áreas que podem se beneficiar da implementação de cassinos integrados. Sergio Ricardo enfatizou ainda que a cidade possui “vocação natural para o entretenimento”, destacando que o Rio já é reconhecido mundialmente por suas atrações culturais e naturais, o que facilitaria a integração dos cassinos-resorts ao portfólio turístico existente.

Investimentos podem alcançar 70 bilhões de dólares

Bruno Omori apresentou projeções sobre o volume de recursos que a chegada de resorts integrados pode movimentar no país. Os investimentos diretos e indiretos devem girar em torno de 70 bilhões de dólares. “Além de construir o resort e o cassino, há toda uma cadeia de arquitetura, infraestrutura, decoração, treinamento, marketing e tecnologia”, explicou.

O presidente do IDT-CEMA traçou paralelos com mercados consolidados para ilustrar o potencial do modelo no Brasil. Em Las Vegas, o convention bureau emprega 550 pessoas dedicadas exclusivamente à atração de eventos. Naquela cidade, o faturamento dos cassinos representa entre 25% e 30% da receita total. Hotelaria, alimentação e entretenimento respondem pelo restante.

Bruno Omori também destacou que “o cassino é apenas uma parte do complexo”, ressaltando que os resorts integrados funcionam como verdadeiros ecossistemas de entretenimento. Ele explicou que esses empreendimentos geram empregos qualificados em diversas áreas, desde hospitalidade até tecnologia da informação, contribuindo para a profissionalização do setor turístico brasileiro.

Fabio Tiberia abordou as diferenças entre jogo online e cassino físico durante sua participação. O vice-presidente para o Brasil da VBET explicou que plataformas digitais focam em payouts elevados e rendimento. Estabelecimentos físicos oferecem experiência de lazer e entretenimento ao vivo.

“Não podemos tratar o cassino como roda única de bicicleta: é preciso oferecer uma experiência completa, 24 horas de atrações, gastronomia, shows. Isso prolonga a estadia dos visitantes — e gera receita em todas as frentes”, afirmou Tiberia. Ele ressaltou a importância de estabilidade regulatória e contratos de longo prazo para viabilizar investimentos no setor.

O executivo alertou que eventuais aumentos na carga tributária podem comprometer a atratividade do modelo de negócio. A segurança jurídica foi apontada como elemento fundamental para que operadores internacionais considerem o Brasil como destino para seus empreendimentos. Tiberia complementou que “investidores precisam de previsibilidade para comprometer bilhões de dólares em projetos de longo prazo”, enfatizando que a clareza regulatória é tão importante quanto a própria autorização legal.

Barra da Tijuca precisa de âncora turística permanente

Ronaldo Porto encerrou as apresentações com análise sobre a situação atual da Barra da Tijuca. O head de marketing do Visit Rio explicou que a região depende de eventos pontuais como Carnaval, Réveillon e Rock in Rio. Nos períodos de baixa temporada, a área enfrenta problemas de ocupação hoteleira reduzida.

“Avenida das Américas precisa de uma âncora turística permanente”, declarou Porto. Ele defendeu a instalação de um cassino-resort no Parque Olímpico ou em áreas adaptadas da região. A proposta visa criar fluxo constante de visitantes ao longo do ano.

“Quando você traz produtos fortes — cassino, convenções, gastronomia de alto nível — o turista médio sobe de três para quatro noites de estadia, crescendo em 33% a receita de hospedagem”, afirmou o representante do Visit Rio. A ampliação do tempo de permanência impacta diretamente a cadeia produtiva do turismo local.

Ronaldo Porto também observou que a Barra da Tijuca possui características únicas que a tornam ideal para receber um complexo integrado de entretenimento. “Temos espaço, infraestrutura viária, proximidade do aeroporto internacional e um perfil de público que já busca experiências premium“, argumentou. Ele destacou ainda que a região poderia se beneficiar do modelo de desenvolvimento urbano observado em destinos como Singapura e Macau, onde os cassinos-resorts funcionam como catalisadores de regeneração urbana.

A estrutura poderia ocupar espaços já existentes na região. A infraestrutura construída para os Jogos Olímpicos de 2016 seria aproveitada. O aumento na permanência dos visitantes representa ganhos diretos para toda a cadeia turística da região, incluindo restaurantes, comércio e serviços.

Próximos passos dependem do Senado e sanção presidencial

A discussão sobre cassinos na Barra ocorre no contexto da possível legalização dos jogos no Brasil. A aprovação da legislação depende da votação no plenário do Senado e posterior sanção presidencial. O processo legislativo encontra-se em fase avançada.

Os participantes do debate identificaram cinco benefícios potenciais da legalização regulamentada dos jogos. O primeiro seria consolidar o Brasil como destino de entretenimento na América Latina. O segundo benefício envolve atrair turistas internacionais de alto poder aquisitivo.

O terceiro ponto relaciona-se ao aumento da permanência média nos destinos turísticos brasileiros. A geração de cadeias de valor regionais com gastronomia, eventos e serviços representa o quarto benefício identificado. O quinto benefício seria oferecer segurança jurídica a investidores estrangeiros interessados no mercado brasileiro de entretenimento.

Durante o painel, os especialistas também concordaram que a regulamentação adequada é fundamental para garantir que os benefícios econômicos sejam maximizados enquanto potenciais impactos sociais negativos são mitigados. A experiência internacional demonstra que marcos regulatórios robustos, incluindo mecanismos de jogo responsável e fiscalização rigorosa, são essenciais para o sucesso de longo prazo do setor.

A votação do projeto de lei no Senado representa o próximo passo decisivo para a legalização. Após a aprovação pelos senadores, o texto seguirá para sanção presidencial. A conclusão desse processo legislativo transformaria o país numa nova “Las Vegas tropical”, segundo a visão apresentada no debate.

 

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