Bets representam apenas 1% da rejeição a Lula entre evangélicos de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado um tom crítico severo contra as plataformas de apostas online, conhecidas como “bets”, mencionando a incompatibilidade dessa atividade com a cultura religiosa brasileira. Na verdade, o objetivo dos coordenadores da campanha de reeleição do mandatário do Palácio do Planalto é melhorar a imagem com os evangélicos.
Nesta semana, o presidente Lula voltou a afirmar que considera buscar um quarto mandato, justificando a decisão como um “compromisso moral, ético e cristão”. Em tom de apelo ao eleitorado religioso, o presidente criticou duramente a expansão das bets, comparando-as a cassinos instalados dentro das casas.
No entanto, pesquisa interna da Associação Nacional de Jogos e Loterias – ANJL realizada na Região Metropolitana de São Paulo revelou dados importantes sobre os motivos de rejeição ao presidente Lula entre eleitores evangélicos.
O objetivo principal do estudo era identificar as causas que levariam evangélicos da região a não votar no presidente no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. As apostas online foram incluídas como uma das variáveis para verificar se críticas públicas às bets poderiam render votos nesse segmento.
Os dados obtidos pelo BNLData com exclusividade mostram que as bets aparecem como motivo de rejeição para apenas 1% dos entrevistados, um percentual que contraria a percepção de que o tema teria peso significativo na avaliação do governo entre esse eleitorado. A corrupção lidera as razões de não votação em Lula seguido pela ideologia de gênero. A segurança pública foi o terceiro argumento citado pelos evangélicos consultados, seguido pelo Supremo Tribunal Federal, socialismo e aborto. A religião e narcotráfico aparecem no final da fila como motivos de rejeição
Baixa adesão às apostas esportivas
A pesquisa investigou também o comportamento dos evangélicos em relação às bets. Menos de 3% dos entrevistados declararam jogar de forma sistemática nessa modalidade e quase 12% afirmaram já ter jogado em algum momento.
A maioria expressiva disse nunca ter participado desse tipo de aposta. Os números demonstram baixa adesão do público evangélico às apostas esportivas. Quanto ao conhecimento sobre o tema, mais da metade dos evangélicos afirmaram saber diferenciar as apostas das bets das apostas dos jogos de azar.
Divisão sobre regulamentação
O levantamento interno também questionou qual deveria ser a posição do governo em relação às bets. Do total de evangélicos consultados, quase 40% se mostraram favoráveis a que as apostas esportivas sejam livres ou regulamentadas e a maioria se posicionou a favor da extinção das bets. No entanto, o cruzamento de dados revelou informação adicional sobre aqueles favoráveis à extinção. Metade desse grupo, equivalente, declarou não saber distinguir as bets dos jogos de azar.
O relatório aponta que há limite de conhecimento também entre aqueles que afirmam saber a distinção. Na prática, parte desse grupo não compreende as diferenças conceituais, jurídicas, econômicas e práticas entre apostas esportivas e jogos de azar.
As apostas esportivas dependem de eventos reais. Os jogos de azar são puramente aleatórios. O estudo não teve como propósito específico verificar essas fragilidades de conhecimento dos entrevistados.
Somando aqueles que declaram não saber a distinção com aqueles que afirmam saber sem conhecimento real, a quantidade de evangélicos favoráveis à extinção seria significativamente menor. O resultado da pesquisa descarta a hipótese de que as bets tenham relação com as causas de rejeição ao presidente Lula entre evangélicos.
O comportamento eleitoral desse segmento perante o governo tem conexão com conceitos de “ética da convicção”, moralidade e a relação entre religião e política.

