Proibição de bets é “irreal”, e regulação com prazo é único caminho, diz PVC

Apostas I 17.09.26

Por: Magno José

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Jornalista defende avanços na fiscalização e no combate ao vício, mas critica proibição abrupta, que pode afetar a indústria do futebol

A proibição das bets, defendida por figuras como a produtora Paula Lavigne, pode ser bem-intencionada, mas carece de realismo em um mundo em que barreiras tecnológicas raramente funcionam. A avaliação é do jornalista Paulo Vinicius Coelho, o PVC, publicada no UOL Esportes, onde ele argumenta que regulação com prazo é o único caminho viável para o setor.

Para PVC, vetar as apostas esportivas não eliminará os apostadores nem os viciados. A tendência seria empurrá-los de volta para o mercado clandestino, com menos proteção e sem qualquer controle público sobre o endividamento.

O colunista recorre à própria experiência para ilustrar o argumento. Sem nunca ter apostado, ele conta que, ainda durante o governo Michel Temer, era interpelado por pessoas ao redor pedindo palpites sobre partidas de segundo escalão europeu, como Osasuna x Betis, perguntando: “PVC, quanto vai ser Osasuna x Betis?” As apostas eram ilegais naquele período. Mesmo assim, os apostadores acessavam sites estrangeiros sem dificuldade.

O jornalista Juca Kfouri traçou linha semelhante ao avaliar o histórico regulatório do setor. Na nota “Bets: restringir sim, proibir é inútil”, Kfouri declarou que “Michel Temer não ouviu e legalizou as bets. Jair Bolsonaro deixou correr solto por quatro anos como terra de ninguém, sem nenhuma regulamentação. E a bomba explodiu no colo de Lula. Regulamentou mais ou menos, descuidou dos limites da propaganda, além de não ter meios para fiscalizar as casas ilegais; e o endividamento das pessoas ficou alarmante. O problema está em que simplesmente proibir levará as apostas para fora do país, de maneira a nem sequer arrecadar os impostos.”

Regulação em vez de veto

PVC reconhece avanços após o trabalho da Secretaria da Fazenda: sites legalizados passaram a pagar impostos, gerar empregos e assumir obrigações no combate ao vício. O modelo, porém, ainda precisa ser aprimorado. Cancelar publicidade e aumentar o rigor estão entre as medidas que o colunista defende, desde que acompanhadas de prazo suficiente para adaptação.

O modelo inglês serve de referência no texto. Na Inglaterra, os clubes da Premier League tiveram três anos para retirar marcas de casas de apostas da parte frontal dos uniformes. Onze times se adaptaram sem que a indústria quebrasse.

A ausência de prazo é, para PVC, o risco central de qualquer iniciativa proibitiva precipitada. Uma proibição abrupta, ele argumenta, pode comprometer a indústria do futebol, que passou anos operando dentro da permissão legal. A regulação, diz ele, é assunto delicado demais para ser tratado como casuísmo eleitoral ou decisão da noite para o dia.

 

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