Lula põe ofensiva contra bets no centro da campanha e quer acabar com jogo online

Apostas I 22.09.26

Por: Magno José

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Lula põe ofensiva contra bets no centro da campanha e quer acabar com jogo online
Reportagem da Folha de S.Paulo registra que o presidente indicou que fará restrição forte ou total a bets e discutirá tema com aliados na quarta-feira (23). Auxiliares ressalvam que ainda não há decisão tomada e apontam obstáculos que poderiam frear a medida (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou o combate às plataformas de apostas digitais no centro de sua campanha à reeleição e sinalizou que pretende vetar os cassinos online, popularmente conhecidos como “jogo do tigrinho”. A decisão final será discutida a partir desta quarta-feira (23), após o retorno do presidente da Assembleia-Geral da ONU.

Segundo apuração da Folha de S.Paulo, auxiliares do governo veem alguma medida contra as bets como iminente. Aliados afirmam que Lula está determinado a adotar restrição severa ou total às atividades dessas plataformas. Mesmo no cenário menos restritivo, essas fontes apostam em uma proibição específica do tigrinho, a modalidade responsável pela maior parte do faturamento das empresas do setor.

O tigrinho consiste em um cassino online com jogos de azar digitais sem relação com eventos do mundo real, ao contrário das apostas esportivas, que dependem de resultados de partidas de futebol, por exemplo.

Obstáculos à proibição

Integrantes do governo que participam das discussões apontam barreiras tanto para uma proibição total quanto para restrições parciais. Um dos entraves é que as bets legalizadas pagaram R$ 30 milhões ao governo federal para operar por cinco anos. Uma proibição agora poderia abrir uma batalha judicial, com risco de o Executivo ter de indenizar as plataformas pelo tempo de contrato não cumprido.

Há também a preocupação de que os serviços proibidos se tornem inacessíveis de fato, e não apenas no papel. Na avaliação de pessoas ouvidas pela reportagem, seria desmoralizante para o governo se as plataformas continuassem acessíveis após uma eventual proibição.

Outro ponto de atenção é o poder das bets no Congresso Nacional, por onde qualquer medida provisória ou projeto de lei precisaria tramitar. Além disso, essas empresas patrocinam influenciadores digitais, e há o temor de que eles se voltem contra Lula durante a campanha caso as atividades sejam afetadas.

Pauta popular na campanha

A oposição às bets estreará na televisão nesta terça-feira (22), com um programa que deve circular na internet ainda nesta segunda-feira (21). A peça contará com uma conversa de Lula com pessoas endividadas por causa do vício em jogo e apresentará o histórico das apostas no Brasil como algo iniciado no governo Michel Temer (MDB) e mantido sem regulamentação durante a gestão Jair Bolsonaro (PL).

O tema teve destaque nos dois últimos comícios do petista, em Guarulhos (SP) e em Florianópolis. No evento em Guarulhos, na sexta-feira (18), Lula relatou ter organizado uma vaquinha para quitar R$ 24 mil em dívidas de uma pessoa causadas por jogos online. O presidente disse ter reencontrado esse mesmo indivíduo e descrito a conversa: “Perguntei ‘você está jogando?’. Ele começou a chorar e falou: ‘estou devendo R$ 50 mil, presidente. Já gastei seus R$ 24 mil e estou devendo mais R$ 50 mil, eu vou me matar'”.

A pauta tem respaldo popular. Pesquisa Datafolha divulgada em maio de 2026 mostrou que 57% dos brasileiros consideram as apostas online um vício, e 31% as avaliam como uma forma de perda de dinheiro.

Endividamento e contexto regulatório

A reportagem da Folha informa que as bets são apontadas por aliados de Lula como parte da explicação para os atuais níveis de endividamento da população. Em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as plataformas [valor contestado pelo Selo Narrativa BNLData], de acordo com estudo do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento).

As apostas online foram autorizadas durante o governo Michel Temer (2016-2018) e passaram toda a gestão Jair Bolsonaro (2019-2022) sem regulamentação. O mercado regulado, com permissão para 85 empresas mediante outorga de R$ 30 milhões cada, entrou em operação em 2025, após um período de transição. A regulamentação ocorreu no governo Lula, ao fim de 2023.

A campanha petista também distribui peças de propaganda contra as bets nas redes sociais. O grupo busca responder, principalmente, à tese defendida por clubes de futebol de que o esporte acabaria no Brasil se as atividades dessas empresas fossem proibidas.

 


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