Proibição de apostas em quotas fixas causa prejuízo de R$ 3 mi a fábricas no RN

A proibição das apostas de quotas fixas no Brasil chegou a fábricas de bonés no interior do Rio Grande do Norte. Duas empresas de Caicó perderam encomendas de casas de apostas que seriam destinadas ao carnaval de 2027 e agora contam prejuízos que comprometem o equilíbrio financeiro do restante do ano.
Segundo apuração do Painel S.A. da Folha de S.Paulo, a WRL Bonés esperava produzir 300 mil peças para a Esportes da Sorte nos próximos meses, com faturamento previsto de R$ 2,1 milhões. A produção mobilizaria cerca de 200 trabalhadores, entre funcionários diretos, facções e pequenos produtores da região.
“Não temos clientes capazes de repor o volume dessa encomenda. Muitos trabalhadores serão afetados. Foi um impacto inesperado”, disse Larissa Almeida, diretora da WRL, sobre a medida provisória que barrou as apostas de quotas fixas.
A DF Bonés e Chapéus, outra empresa da cidade, calcula perda de cerca de R$ 850 mil. Eram 200 mil bonés e chapéus que começariam a ser fabricados em novembro, com participação de aproximadamente 50 pequenos produtores locais. A empresa informou que não pretende demitir funcionários. Assim como a WRL, ela atendia a Betnacional e à Sportingbet.
Mercado e apoio popular à proibição
No segmento em que as duas fábricas atuam, as encomendas voltadas ao carnaval têm peso estratégico: elas costumam compensar meses de desempenho mais fraco ao longo do ano. A perda dessas encomendas retira das empresas uma fonte de receita que vai além do pedido pontual.
O setor regulado de apostas contava com 84 casas licenciadas, 193 marcas ativas e cerca de 9 milhões de apostadores por mês. No primeiro semestre de 2026, a indústria movimentou R$ 88,5 bilhões em depósitos. A proibição, no entanto, tem respaldo da população: pesquisa Datafolha indica que 78% dos brasileiros apoiam a medida.


