Contradições dos gestores do nosso Negócio

Lotérica I 09.01.08

Por: sync

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Luiz Carlos Peralta*

AO APAGAR das luzes de 2007 esperávamos que neste ano tivéssemos conseguido trazer melhores notícias aos empresários lotéricos. Mais um ano de trabalho se foi e todo o esforço empreendido pela Diretoria e, delegados do SINCOESP com estudos realizados, pesquisas, reuniões, viagens à Brasília e realização do IV Mega Encontro, não foram suficientes para sensibilizar a gestora do nosso Negócio, ou seja, a Caixa Econômica Federal.
Com tantas dificuldades encontradas nas negociações com a Caixa durante este ano culminaram com a realização de uma reunião no SINCOESP no último dia 20, com o Gerente Nacional de Rede Sr. Barasuol, e com o Assessor Especial da Presidência, Sr. Mendes, onde os mesmos tentaram demonstrar com números, que a situação é muito diferente do que o Sincoesp tem alardeado. Apresentaram para os participantes desta reunião, números colhidos por uma pesquisa feita pela VOXPOPULI no ano de 2005, onde a renda média apresentada foi de R$ 2.300,00 / mês, e que o Lotérico não tinha o que reclamar porque a sua renda média era superior renda media familiar nacional.
Ora senhores é uma comparação totalmente descabida. Nós temos também estudos que provam exatamente o contrário, e a Caixa se nega aceitá-los. Essa renda média apresentada de 2005, hoje talvez não passe de R$ 1.800, pois, o crescimento da despesa foi muito superior à receita.
Um outro ponto demonstrado por esta pesquisa foi que 25% da Rede têm rentabilidade negativa. Ora, se uma Rede que presta o serviço que prestamos e tem 25% da Rede com rentabilidade negativa é sinal de que o negócio vai de mal a pior. Quanto a esses empresários que estão nessa situação calamitosa, os executivos da Caixa insistem em afirmar que é um problema de gestão do negocio.
Eu pergunto. Que cabedal tem esses senhores para afirmar isso? Pois, a empresa que eles dirigem, tem liderado seguidamente o ranking de queixas da Febraban contra instituições do sistema financeiro, é o que mostra matéria publicada no Informativo Fenae Net.
Esses mesmos executivos que falam em gestão apresentaram no último trimestre uma redução no lucro da Caixa de 89,4%, e que também a parceria da Caixa com a Caixa Seguros proporcionou à mesma um prejuízo de R$ 500 milhões, segundo a Agência Estado.
E tem mais, a gestão da Rede é feita por estes executivos, que determinam que produto eu posso vender, que preço eu posso praticar e de que forma eu tenho que atender.
Esses mesmos executivos hoje anunciam a expansão da Rede, sem discutir com os representantes da categoria e sem apresentar concretamente de que forma essa expansão será executada.
E para encerrar ao invés de assumir inteiramente o serviço de transporte de valores do empresário lotérico, anunciam uma verba de segurança, desde que o empresário
contrate o serviço de transporte de valores, de R$ 850, obrigando o lotérico a completar o valor desse transporte. O que a principio parece ser uma coisa positiva.
Mas, eu pergunto aos meus companheiros empresários lotéricos, de onde vamos tirar o dinheiro para fazer esta complementação, se nossa rentabilidade é tão baixa? Portanto, ao encerrar esse ano, espero, mais uma vez que essa equipe que assumiu a gestão da Rede e em quem nós depositávamos tanta esperança tenha uma mudança de postura, e abram de fato, um canal de discussão onde os temas principais sejam um novo modelo de contrato, remuneração justa e maior transparência nas negociações das nossas tarifas.
Mesmo com todas essas dificuldades, a Rede continua de pé e sem medo de novos desafios.

(*) Luiz Carlos Peralta é presidente do Sincoesp e empresário lotérico desde 1968. O texto acima é o Editorial do Jornal do Sincoesp – Dezembro/2007.

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