Presidente do Sincoesp reclama da situação dos lotéricos
A frase é do presidente do sindicato dos lotéricos do Estado de São Paulo, Luiz Carlos Peralta, sobre divulgação da licitação que a Caixa Econômica Federal tem feito para aumentar em 20% a rede de casas lotéricas. Além das baixas tarifas que os lotéricos recebem para fazer jogos, pagar os benefícios do governo federal e receber contas de luz, água, dentre outras, encaram o dia-a-dia difícil pela falta de segurança.
“Esta semana foi registrado mais um caso de violência quando uma dona de lotérica e um PM foram baleados em assalto em loja na galeria de um grande supermercado, no Morumbi, em São Paulo. Os ladrões fugiram com o dinheiro e nós ficamos com a falta de segurança. Medida tomada pela Caixa nos obriga a pagar o carro-forte, se quisermos evitar os riscos no transporte do dinheiro que é dela”.
Segundo Peralta, para receber uma conta no valor de R$ 1 mil, o lotérico recebe R$ 0,29 de remuneração e para transportar este dinheiro há custo de R$ 0,40, ou seja, um prejuízo de R$ 0,11.
A reclamação, no entanto, não é só frase de panfleto para exibir durante protestos. Segundo os donos das casas lotérica essa é a realidade de um negócio que um dia já foi uma boa opção. Dono da “Falcão de Ouro Loterias”, em Votorantim, interior paulista, o empresário Luiz Mendes desabafa: “É um verdadeiro inferno, temos o trabalho de banco, sem o status e a estrutura de instituição financeira”. Mendes abriu a loja há sete anos e garante que nesse período só teve aumento dos custos para manter a empresa, sem conseguir retorno do investimento que fez.
As casas lotéricas hoje pagam em seus caixas 90% dos benefícios do governo federal, além do recebimento de 70% de contas de concessionárias. Em 10 anos, houve aumento de 45% no volume de jogos nas lotéricas, enquanto os insumos básicos para custear o trabalho de correspondente bancário que a CEF repassa aumentou 400%. Para o transporte diário de valores, a Caixa paga um adicional de R$ 850,00/mês, o que não cobre nem 40% do custo.
Para o lotérico, a situação piora a cada dia. O contrato que a Caixa Econômica Federal mantinha para fornecer o serviço de carro-forte venceu e com as novas medidas Mendes terá de desembolsar mais de R$ 2 mil se quiser contratar a transportadora. “Não tenho condições de pagar o serviço. Ficamos sem alternativas e sem segurança”. Apesar de afirmar que hoje trabalha no prejuízo, Mendes lembra que a situação pode melhorar se houver remodelação e modernização dos jogos oferecidos aos clientes. “A Caixa parou de pensar nas loterias para pensar na transferência dos clientes sem conta corrente para as lotéricas, mas atrair os apostadores é uma forma de fazer com que todos ganhem”.
Proprietário da casa lotérica “Bolão da sorte”, em Piracicaba (SP), Luiz Henrique explica que o aumento da rede em todo o País foi uma medida tomada pela Caixa apenas para aumentar os pontos de locais que servem como correspondentes bancários. “Aqui na cidade há três novas lotéricas em licitação, além das 19 já existentes. Esses empresários serão levados para bairros perigosos e conhecidos pela violência e não terão sequer o suporte para segurança e transporte de valores”. O lotérico conta que, mesmo funcionando em uma galeria de lojas de um grande supermercado, foi assaltado em 2007 por duas pessoas armadas e afirma que esse risco é muito maior para os lojistas de rua.
O aumento dos custos para manter a casa lotérica e a falta de reajustes das tarifas e comissões pagas pela Caixa Econômica Federal assustam e desanimam Luiz Henrique. “Aluguel, energia, funcionários e tantas outras despesas só aumentam e as tarifas congeladas que recebemos da Caixa não conseguem cobrir esses valores. Não indico a ninguém investir nesse setor”. (Ascom Sincoesp)


