Mago das finanças se aposenta depois de quatro décadas

LOS ANGELES – A aposentadoria de Bill Gross, um dos maiores gestores de ativos, marca o crepúsculo de uma era. Gross, de 74 anos, anunciou na segunda-feira que vai encerrar sua carreira de 47 anos como administrador de investimentos, no momento em que o fundo de bônus que gerencia na Janus Henderson Global mal consegue apresentar ganhos. Na Janus, Gross ganhou a liberdade de fazer o que quisesse, mas seu fundo acabou não rendendo como esperado.
Para os investidores, a saída de Gross ocorre no momento em que o mercado de bônus, depois de décadas de crescimento, está enfraquecendo e as taxas de juros começam a subir. Para a indústria, os recentes problemas de Gross mostram como é difícil para gestores individuais derrotar os índices e algoritmos que hoje dominam as carteiras de investimento.
– Não vale a pena trabalhar solo, especialmente na renda fixa – disse Dan Fuss, vice-presidente da administradora Loomis Sayles & Co. – Não funciona, não importa o quão talentoso você seja.
No auge de sua carreira, quando estava na Pacific Investment Management Co. (Pimco, a maior investidora de bônus do mundo), Gross administrava mais dinheiro que qualquer outro profissional, e especialistas, tanto de Wall Street como do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), acompanhavam seus movimentos, que indicavam a direção do mercado. À medida que sua fama cresceu, ele passou a ser convidado com tanta frequência para programas de TV que a Pimco instalou um estúdio em seu escritório.
O gato Bob e apostas em cassinos
Gross conquistou uma legião de seguidores por meio de suas newsletters, que começaram na década de 1980, quando ele escreveu uma nota sobre o parquinho de sua infância. Seus comentários, distribuídos mensalmente, buscavam inspiração em coisas tão diferentes quanto o personagem de animação Wile E. Coyote, a inseminação artificial de seu filho e seu gato, Bob.
Sua última newsletter foi publicada há quase um ano, em março de 2018. Com o título “Matando uns aos outros”, ele usou a desumanidade como metáfora para alertar os investidores sobre os riscos do mercado. Poucas semanas depois, o fundo que ele administrava perdeu 3% em um só dia, devido a uma aposta errada sobre as taxas de bônus alemães e americanos.
Antes de ser um inevstidor, Gross foi um apostador. Ele aprendeu a jogar Vinte-e-um sozinho, por meio de um livro, enquanto se recuperava de um acidente de carro. Depois de se formar na universidade, ele transformou US$ 200 em US$ 10 mil, no espaço de dez meses, jogando nos cassinos de Las Vegas. O dinheiro foi usado para pagar um MBA. (O Globo – Da Bloomberg News)


