Confederações não olímpicas se aproximam do COB, ganham apoio, mas buscam recursos

Destaque I 09.12.20

Por: Magno José

Compartilhe:
O Diretor-geral do COB, Rogério Sampaio reforça que entidade está aberta para confederações não olímpicas (Foto: COB)

Acostumadas a serem lembradas pelo público somente a cada quatro anos, nas edições dos Jogos Pan-Americanos, as confederações de esportes não olímpicos querem mais espaço e recursos, se possível das loterias federais e do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Juntando esforços desde o Pan de Lima-2019, no Peru, onde foram destaques, as entidades responsáveis por Boliche, Hóquei, Patinação, Squash, Esqui Aquático/wakeboard e Fisiculturismo vêm se aproximando da atual gestão do COB, atualmente mais aberto às demandas destas confederações.

Esta aproximação e a abertura do Comitê Olímpico podem ser decisivos para o futuro destas entidades e de suas respectivas modalidades. Coadjuvantes no sistema esportivo brasileiro, as confederações se mantêm sem receber recursos públicos com regularidade. Em tese, só recebem apoio financeiro para a disputa dos Pan-Americanos, a cada quatro anos.

“Só recebemos ajuda de custo para o Pan. Para todos os eventos classificatórios, temos que pagar do bolso, até os atletas bancam suas viagens. Somos o único País das Américas que não recebe recursos”, diz Moacyr Neuenschwander, presidente da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, ao Estadão. “Confederação que não é olímpica está fadada a começar cada ano sem recurso público, sem orçamento de entrada. É a nossa realidade.”

O passo decisivo na aproximação entre estas entidades e a atual gestão do COB aconteceu nos últimos dias, quando as cinco confederações não olímpicas passaram a integrar o Programa Gestão, Ética e Transparência, o chamado GET.

Sonho antigo

Para o dirigente, o GET é a porta de entrada para um sonho antigo: os recursos das loterias federais. Atualmente estes valores são distribuídos pelo COB somente para as confederações olímpicas. Para 2021, as cifras oscilam de R$ 2.958.485,86 (para a confederação de escalada esportiva) a R$ 7.504.998,42 (judô), num total de R$ 150 milhões vindos das loterias federais.

“O GET vai nos ajudar quando recebermos recursos públicos. Estaremos preparados para prestar contas no futuro. Se esse programa tivesse sido implantado há 10 anos, não teria havido metade dos problemas que as confederações tiveram. O GET é fundamental, foi uma vitória. Vamos agarrar isso como oportunidade”, diz Moacyr Neuenschwander, do Hóquei e Patinação.

A busca, contudo, é controversa. Estes recursos das loterias federais são distribuídos com base na Lei 13.756 (de 2018), que alterou a famosa Lei Agnelo Piva e não veta o direcionamento para confederações não olímpicas. “Os recursos (…) serão aplicados, exclusiva e integralmente, em programas e projetos de fomento, desenvolvimento e manutenção do desporto, de formação de recursos humanos, de preparação técnica, manutenção e locomoção de atletas, de participação em eventos desportivos e no custeio de despesas administrativas, conforme regulamentação”, diz um dos trechos do texto da lei.

‘Prioridade são as modalidades que participam dos Jogos Olímpicos’, diz Rogério Sampaio

Diretor-geral do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Rogério Sampaio diz que a entidade está de braços abertos para as confederações não olímpicas. Mas afirma que o COB está com as mãos amarradas para poder apresentar maior ajuda a estas afiliadas, que recebem recursos públicos somente para a participação nos Jogos Pan-Americanos, a cada quatro anos.

Em entrevista ao Estadão, ele admite que a prioridade são as confederações de modalidades olímpicas. No entanto, deixou em aberto um possível estudo da lei das loterias para futura avaliação do COB. Neste caso, o Comitê Olímpico precisaria alterar seu estatuto para poder direcionar parte destes recursos às demais confederações.

A atual gestão do COB cogita repassar recursos das loterias federais também às confederações não olímpicas no futuro?

Rogério Sampaio – O COB deseja o melhor desempenho para todas as modalidades ligadas a ele. Quando a gente fala em repassar recursos, falamos em atender as modalidades com a estrutura ideal para que possam se desenvolver. No momento, os recursos estão sendo priorizadas para as modalidades que fazem parte do programa dos Jogos Olímpicos. Inclusive este próximo ciclo olímpico terá duas edições dos Jogos: Tóquio-2021 e Paris-2024. Teremos que fazer um esforço muito grande de investimento para ter boas presenças. Mas entendemos também que estas modalidades devem ter um atendimento que propicie ter um bom desempenho.

Há interpretações da lei que permitem o direcionamento de recursos para estas entidades?

Rogério Sampaio – Teríamos que fazer um estudo para ver se a lei permite isso. Mas no momento temos um controle muito grande do recurso. E a prioridade são as modalidades que participam dos Jogos Olímpicos. (Com O Estado de S. Paulo)

BRLot - Sorte Online - 728 x 90 1BRLot - Sorte Online - 728 x 90

Compartilhe: