Debate sobre patologia durante a legalização dos jogos é inevitável

Destaque I 11.12.20

Por: Magno José

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Analice Gigliotti repete em seu artigo na Veja Rio as teorias, sem comprovação científica, financiadas por igrejas e movimentos anti-jogo dos EUA na Década de 90 com fatos que são completamente inventados

Existem três mitos ou lendas urbanas que os defensores da legalização dos jogos vêm enfrentando durante o processo de legalização dos jogos: patologia, lavagem de dinheiro e ausência de controle. Esses argumentos são usados com frequência pelos opositores que pretendem manter o jogo na ilegalidade.

Um destes mitos é que a legalização dos jogos de azar vai aumentar o número de jogadores patológicos no Brasil, como se no país não tivesse uma grande oferta de jogos não regulados.

O artigo ‘A quem interessa a liberação dos jogos de azar no Brasil? de autoria da psiquiatra Analice Gigliotti e veiculado pela Veja Rio é uma abordagem inevitável, mas comete os equívocos de sempre.

A psiquiatra, que já participou de debates em vários programas de TV, sempre teve uma abordagem equilibrada sobre o tema, que é recorrente e já foi amplamente discutido durante a exibição da novela “A Força do Querer” em que Silvana, interpretada pela atriz Lilia Cabral, é uma jogadora patológica de pôquer. A novela está sendo reexibida pela TV Globo.

A abordagem se equivoca ao usar informações tendenciosas sobre a questão do jogo. Analice Gigliotti repete em seu artigo que “segundo estudos de universidades estrangeiras, para cada dólar arrecadado com tributação de jogos, gasta-se três dólares com custos sociais referentes às doenças mentais do vício do jogo”.

Esta teoria é desonesta, pois não há evidência comprovada da regra 3:1 propagada pelos evangélicos opositores da legalização dos jogos. Os especialistas que criaram esta e outras ‘evidências’ foram financiados por igrejas e movimentos anti-jogo dos EUA na década de 90 e ignoram qualquer pesquisa com a qual eles não concordam, além de citar ‘fatos’ que são completamente inventados.

Outro abordagem duvidosa é citar a série americana “Ozark” (Netflix) como referência de lavagem de dinheiro em cassino. O mundo real é bem diferente dos filmes produzidos por Hollywood, pois sempre profetizam que os jogos são propícios a este delito, mas nunca foi realmente demonstrado e comprovado como seria esta operação e as respectivas vantagens em lavar dinheiro no jogo. Uma análise nos percentuais dos tributos demonstra que estão profetizando um grande equívoco, já que existem atividades mais vantajosas economicamente para lavagem de ativos.

Com quase 9 mil cassinos no mundo, hipódromos de corridas de cavalos e salas de jogos, além de milhares de sites de apostas, se realmente estes ambientes fossem favoráveis à lavagem de dinheiro, teríamos registros quase que diários deste delito. A indústria do jogo mundial movimenta anualmente mais de US$ 500 bilhões.

Sempre existirão posições contrárias em relação aos jogos, mas o pior dos quadros é a clandestinidade, que alimenta os crimes paralelos e a impossibilidade de regras claras. O verdadeiro desafio do jogo no Brasil é a criação e o estabelecimento de leis e regulamentos, que permitam aos cidadãos exercerem seu desejo de jogar sob os olhos atentos de regras claramente definidas pelo Estado e sua efetiva aplicação.

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