O segmento das apostas esportivas atingiu valor de US$ 203 bilhões no mundo em 2020

No Gambling Act de 2005, o Reino Unido estabeleceu nova regulação para o setor (que vai de cassinos a casas de apostas online), incluindo a remoção das restrições à publicidade na TV e no rádio, antes permitida somente para bingos e loterias.
Em dezembro de 2020, o governo deu início a ampla revisão da legislação (ainda em curso) à luz da era digital, reconhecendo tanto a importância da indústria quanto os diferentes problemas associados.
Pesquisa de 2019 apontava que 47% dos britânicos adultos tinham feito algum tipo de aposta nas quatro semanas anteriores, 32% se excluída a loteria nacional. Outro estudo indica que 0,5% da população adulta é considerada “problem gambler”, taxa que se manteve em até 1% nos últimos 20 anos — mas há também crianças nessa situação.
São diversos pontos em análise e discussão. Um dos principais é a relação do setor com o esporte, mais especificamente a grande influência do segmento de apostas esportivas, por meio de patrocínio e publicidade.
Em 2019, se antecipando a pressões regulatórias, a indústria decidiu voluntariamente não mais anunciar durante transmissões esportivas ao vivo antes das 21h (apostas ao vivo são grande fonte de receita).
Em maio de 2020, diversas marcas concordaram em suspender temporariamente toda a publicidade na TV e no rádio, por conta da pandemia. Entretanto, em junho de 2020, um grupo de legisladores propôs a proibição total da publicidade online (que em 2017 já representava 80% dos investimentos em publicidade e marketing da indústria) e televisiva de apostas.
Em outubro de 2020, outra proposta defendia a proibição do uso de celebridades, como personalidades do esporte, que tenham apelo maior entre crianças e adolescentes do que entre adultos.
Nesta segunda-feira (7), o Channel 4 exibiu documentário sobre o impacto no futebol do segmento, patrocinador quase onipresente de clubes e ligas, relatando, por exemplo, que logos de empresas de sports betting podem aparecer mais de 700 vezes durante uma partida — caso em que os dois times ingleses eram patrocinados por marcas do segmento.
Nos EUA, o movimento é de franca abertura. Em 2018, a Suprema Corte deu aos estados o poder de legalizar as apostas esportivas. De olho nos impostos, 22 dos 50 estados já aprovaram a prática, e a tendência é de rápida ampliação.
Em 2020, impulsionada pela pandemia, a categoria gerou receita de US$ 1,5 bilhão, aumento de 69% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2021, novo recorde: crescimento de 270% em relação ao mesmo período de 2020. O Goldman Sachs estima que o mercado doméstico de sports betting chegue a US$ 39 bilhões em 2033. Com o aumento do interesse, empresas de mídia lançaram programas dedicados à cobertura de apostas esportivas, como SportsLine Edge (CBS Sports) e Daily Wager (ESPN).
Fatia crescente do mercado de gambling, o segmento de sports betting atingiu valor de US$ 203 bilhões no mundo em 2020, de acordo com a Statista. A Flutter Entertainment é a líder global de online sports betting e gaming — dona de marcas como Betfair, FanDuel, Paddy Power, Sportsbet, FOX Bet e Sky Betting and Gaming, presentes em mais de 100 países —, seguida por Entain (Sportingbet, bwin e outras) e Bet365.
No Brasil, com a Lei 13.756 de 2018, ainda por regulamentar, casas de apostas, entidades esportivas e serviços online de apostas passaram a poder operar legalmente. Em agosto passado, decreto presidencial autorizou empresas privadas a explorarem esse tipo de apostas, também chamadas de apostas de quotas fixas, e atribuiu ao BNDES a regulamentação, esperada para julho.
A lei dá aos clubes brasileiros de futebol direito a 3% do total arrecadado nesse tipo de aposta (2% das opostas feitas em locais físicos e 1% das apostas online). Com as regras, estudo da FGV estima que esse mercado possa vir a movimentar até R$ 10 bilhões no primeiro ano, o que renderia R$ 300 milhões aos clubes.
Veja a seguir campanhas recém-lançadas pelos diferentes players:
– Channel 4 (UK): Football’s Gambling Addiction (trailer)
– Sportsbet (Flutter, Austrália): Marca líder na Austrália, iniciou neste domingo campanha para promover novo recurso, que permite apostas em grupo.
Paddy Power (Flutter, Reino Unido): Lançou no domingo campanha para a Euro 2020 focada na Irlanda, que não se classificou para a competição: a empresa doará 10 mil euros para o futebol do país a cada gol da Inglaterra.
Betfair (Flutter): Divulgou nesta segunda-feira (14) no Brasil campanha assinada por Betfair.net (site que não permite fazer apostas) — a mesma marca que a empresa usa para assinar patrocínios de jogos das Eliminatórias sul-americanas, Copa América e Libertadores (Globo, SBT e Fox Sports, respectivamente) —, devido às limitações jurídicas ainda existentes. Na Colômbia, onde a marca pode ser explícita, lançou comunicação pela primeira vez.


