Apostas online: 11% dos jovens brasileiros entre 10 e 17 anos usaram bets em 2025

Apostas I 11.05.26

Por: Magno José

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Governo prepara decreto para bloquear acesso de menores a apostas e conteúdo adulto na internet
Levantamento da Ipsos mostra que 20% dos meninos de 16 e 17 anos já fizeram apostas online, enquanto 14% das meninas de 14 e 15 anos acessaram plataformas em 2025. 9% dos adolescentes apostaram nos últimos 4 meses do ano. Especialistas ouvidos pelo BNLData destacam que essa pesquisa serve como alerta para a utilização de menores de idade em plataformas ilegais

A Ipsos realizou levantamento encomendado pela plataforma de verificação de identidade Unico sobre apostas online entre adolescentes. O estudo revelou que 11% dos jovens brasileiros entre 10 e 17 anos apostaram em bets durante 2025. A maior concentração de apostas ocorreu nos últimos quatro meses do ano, quando 9% dos entrevistados relataram ter feito apostas.

Especialistas ouvidos pelo BNLData destacam que essa pesquisa serve como alerta para a utilização de menores de idade em plataformas ilegais. Com o sistema de KYC (Know Your Customer) determinado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF), é praticamente impossível que menores de 18 anos consigam se cadastrar em plataformas regulamentadas.

A pesquisa identificou diferenças no comportamento de apostas entre faixas etárias e gêneros. Entre meninos de 16 e 17 anos, 20% afirmaram já ter realizado apostas online. Os dados foram obtidos pela Coluna do Estadão. Este grupo representa a maior proporção de apostadores identificada pelo levantamento.

No público feminino, o padrão apresentou características distintas. Entre meninas de 14 e 15 anos, 14% relataram acesso a plataformas de apostas. Este percentual representa mais de três vezes o índice registrado entre meninas de 10 a 13 anos, faixa em que 4% afirmaram ter feito apostas em bets ou jogos como o ‘tigrinho’.

Fragilidade nos sistemas de verificação etária

Luis Felipe Monteiro, CEO na América Latina da Unico, comentou as fragilidades dos sistemas atuais de controle etário. “O principal desafio hoje é que grande parte da internet ainda opera sob mecanismos frágeis de verificação etária, baseados apenas em autodeclaração. Na prática, basta clicar em um botão dizendo ‘sou maior de 18 anos’ para acessar diferentes tipos de conteúdo ou serviço”, disse à Coluna.

O sistema foi projetado especificamente para impedir que menores de 18 anos apostem nas plataformas regulamentadas. A regulamentação brasileira, consolidada pela Lei 14.790/2023 e detalhada por portarias como a SPA/MF nº 1.231/2024, estabelece barreiras rígidas para garantir que apenas adultos tenham acesso aos sistemas.

O sistema de KYC das plataformas regulamentadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda é um conjunto rigoroso de procedimentos de verificação de identidade obrigatórios para todas as “bets” autorizadas a operar no Brasil desde janeiro de 2025.

Como o KYC bloqueia menores de idade

No cadastro, o usuário deve obrigatoriamente fornecer o CPF e dados pessoais. O sistema cruza essas informações com bases oficiais para validar a data de nascimento e a titularidade. A partir de janeiro de 2025, todas as plataformas autorizadas passaram a exigir reconhecimento facial (selfie em tempo real) para confirmar se o rosto do usuário condiz com o documento apresentado, prevenindo o uso de CPFs de pais ou responsáveis por crianças.

Caso os dados ou a biometria indiquem menoridade, o cadastro é automaticamente rejeitado ou a conta é encerrada imediatamente. Operações financeiras, como o Pix, só podem ser realizadas entre contas bancárias de mesma titularidade do cadastro na plataforma, dificultando que menores usem recursos de terceiros.

As empresas que descumprirem essa proibição estão sujeitas a sanções severas, incluindo multas que podem chegar a R$ 2 bilhões e a cassação da licença para operar no Brasil. Além disso, a lei proíbe qualquer publicidade de apostas direcionada a esse público ou que utilize elementos apelativos para menores.

A curiosidade aparece como o principal motivo para apostas. O fator foi mencionado por 41% dos entrevistados. A perspectiva de ganhar dinheiro fácil foi citada por 34% dos participantes. A influência de criadores de conteúdo digital e veículos de comunicação teve peso menor, sendo mencionada por apenas 9% dos jovens.

A coleta de dados foi realizada entre 21 de agosto e 1º de setembro de 2025. O levantamento consultou 1.200 jovens brasileiros com idades entre 10 e 17 anos.

ECA Digital estabelece proteção contra comportamentos viciantes

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital passou a vigorar em 17 de março. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que a legislação pode contribuir para reduzir possíveis riscos à saúde entre os jovens. A norma estabelece diretrizes para plataformas digitais em relação ao público infanto-juvenil.

O texto legal determina que as plataformas devem “implementar mecanismos para evitar o uso excessivo, problemático ou compulsivo”. Esta disposição busca criar barreiras contra o desenvolvimento de dependência em atividades online. A medida abrange apostas e jogos digitais.

 

 

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