Auxílios-doença crescem 2.300% e SUS registra mais de 1.300 atendimentos por ludopatia

Apostas, Jogo Responsável I 22.09.25

Por: Magno José

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Auxílios-doença crescem 2.300% e SUS registra mais de 1.300 atendimentos por ludopatia
Embora o crescimento percentual pareça alarmante, parte da grande mídia está exagerando nas estimativas sobre patologia. O percentual de pessoas que apresentaram transtornos do jogo e que recorreram ao sistema público é de apenas 0,0073%

O INSS registrou aumento de 2.300% nas concessões de auxílio-doença por ludopatia (vício em apostas) entre junho de 2023 e abril de 2025. Os dados divulgados em reportagem do Intercept Brasil e pelo Correio Braziliense, mostram que 276 benefícios foram aprovados nesse período, contrastando com a média anual de apenas 11 casos entre 2015 e 2022. Embora o crescimento percentual pareça alarmante, parte da grande mídia está exagerando nas estimativas sobre transtornos do jogo, transformando números ainda relativamente baixos em narrativas de “epidemia” ou “tragédia social”.

São Paulo lidera o ranking nacional com 95 benefícios concedidos, seguido por Minas Gerais com 39 casos. Bahia (18), Rio Grande do Sul (17), Rio de Janeiro e Santa Catarina (16 cada). O levantamento revela um perfil predominante entre os beneficiários: 73% são homens na faixa etária de 18 a 39 anos. Todos estavam formalmente empregados quando solicitaram o afastamento para tratamento, demonstrando que o problema atinge pessoas com ocupação regular no mercado de trabalho.

Os registros indicam que 7% dos beneficiários declararam possuir dependentes, embora os dados não forneçam detalhes completos sobre a situação familiar dos afetados pela compulsão por apostas.

O aumento dos casos também se reflete no Sistema Único de Saúde. Os atendimentos relacionados à ludopatia no SUS passaram de 65 em 2019 para 1.292 em 2024, evidenciando a crescente demanda por assistência médica para este problema. No entanto, esses números precisam ser contextualizados: o SUS registrou 1.290 atendimentos ambulatoriais relacionados a transtornos do jogo em 2023, 1.263 em 2024 e apenas 271 atendimentos de janeiro a abril deste ano, segundo o Ministério da Saúde.

A elevação nos pedidos de auxílio-doença por vício em apostas começou a se intensificar em 2023, período que coincide com a consolidação das plataformas de apostas no Brasil e o aumento de investimentos em publicidade, incluindo patrocínios a clubes de futebol.

Entre os casos documentados estão trabalhadores que perderam todas as economias, pessoas que desviaram recursos de empresas e indivíduos que desenvolveram problemas de saúde mental graves após recaídas.

Profissionais da saúde defendem que pacientes diagnosticados com ludopatia recebam tratamento adequado, em vez de serem demitidos, reconhecendo a condição como um problema de saúde que necessita de intervenção médica.

Comento: Números não mentem, nem se emocionam…

Embora o problema exista e mereça atenção, os números mostram uma realidade menos alarmante do que alguns veículos de mídia com linha editorial contrária ao jogo sugerem. Considerando que o Brasil tem 17,7 milhões de apostadores, conforme divulgado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, e que o número de atendimentos no SUS foi de cerca de 1.300 casos, o percentual de pessoas que apresentaram transtornos do jogo e que recorreram ao sistema público é de apenas 0,0073%. A média de gasto por apostador ativo é de aproximadamente R$ 983 por semestre ou R$ 164 por mês.

A literatura global aponta que a prevalência de transtorno do jogo varia de 1% a 3%. No Reino Unido, mercado considerado maduro, a estimativa da Gambling Commission é de 2,5% de jogadores problemáticos, com outros 3,7% apresentando comportamento de risco moderado. Essas estatísticas, no entanto, podem levar a conclusões enganosas, pois consideram toda a população adulta, mesmo quem não joga.

 

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