Bacelar defende a legalização do jogo como candidato a prefeito de Salvador

O deputado federal Bacelar, pré-candidato do Podemos à Prefeitura de Salvador, é o entrevistado desta semana pelo A Tarde na série de conversas com os aspirantes ao cargo máximo do Executivo municipal. O parlamentar, que também é presidente estadual do seu partido, diz que pretende ser o candidato de um grupo que está se formando e engloba legendas como PP, PSD, PCdoB, Avante e PDT.
Entre as propostas para Salvador, Bacelar promete acabar com os alagamentos na cidade. Para alavancar a economia, o pré-candidato diz que pretende fortalecer os pequenos comerciantes da capital.
Um dos temas abordados na entrevista foi a proposta que legaliza os jogos no Brasil.
Confira:
***
A Tarde – Em Brasília. O deputado é o coordenador da frente parlamentar mista que analisa o projeto da alteração da legislação dos jogos no Brasil, um tema muito polêmico. Eu queria saber como é que está essa postura para aprovação desse texto, lembrando que a gente tem do outro lado um lado muito forte da bancada evangélica que já se posicionou contrário a esse texto e tem cobrado ao próprio presidente Bolsonaro para que ele articule e isso seja derrubado, já que é um governo de valores e o tema pode induzir o cidadão ao vício?
Deputado Bacelar – Eu vivo em um país que tem 14 milhões de desempregados. Moro em uma capital que é a capital do desemprego. Um país em que a economia patina e há mais de 20 anos não tem crescimento. Estamos perto de uma estagnação. Como é que um país desse pode abrir mão de um segmento econômico que vai gerar R$ 20 bilhões em impostos, que vai regularizar 450 mil trabalhadores do jogo do bicho. O jogo do bicho, hoje, tem 450 mil anotadores no Brasil que não têm INSS, que não têm FGTS, não têm décimo terceiro, que não têm garantia nenhuma. Então não tem racionalidade econômica que defenda a não legalização dos jogos.
Por outro lado, no mundo desde que o homem vive em sociedade só tem duas opções, jogo legal e jogo ilegal. A hipótese não jogo não existe, em todas as sociedades têm jogo, e em nenhum país desenvolvido, seja do ponto de vista social, econômico ou político, o jogo é proibido.
Em todos os países desenvolvidos do mundo, o jogo é permitido. Jogo só é proibido em um país comunista, Cuba, ou em alguns países árabes por questões religiosas. Alguns. Porque no Marrocos, que é muçulmano, o jogo é permitido. Então, é uma hipocrisia.
Hoje, no Brasil, os jogos online movimentam R$ 3 bilhões por ano, sem segurança e sem impostos sobre isso. 300 mil brasileiros saem do Brasil todo ano para jogar no Uruguai, na Argentina e em Portugal.
Tudo isso são recursos que estão indo embora, e essa hipótese do vício, a ludopatia, que é a doença do vício do jogo é 1%. Um alcoolismo é 10%, e ninguém fala em acabar com a venda do álcool. Então, são argumentos que não se sustentam.
O controle que se tem hoje do jogo eletrônico já pode impedir que entre no cassino um viciado. Aquele jogador que vai muito, que o cassino nota que começa a se viciar, o cassino bloqueia a entrada dele.
Outra coisa perigosíssima: se nós não legalizarmos os jogos, nós estamos entregando os jogos as milícias e ao tráfico. O que já ocorre em pequena escala no Rio de Janeiro. A gente tem que trazer para a luz do sol, para a luz do dia.
No jogo tudo que é nebuloso, favorece a corrupção. Então, é um instrumento que nós temos. A sociedade é favorável. Numa pesquisa que nós realizamos no Congresso, 55% dos deputados federais são favoráveis. A proposta está pronta para ser pautada e, com certeza, em breve, o jogo será legalizado no Brasil.
A Tarde – Você sentou com o presidente da Casa para estabelecer uma data, dos dias que primeiro semestre, segundo semestre?
Um grande problema que nós temos é a concepção do presidente Rodrigo Maia sobre a legalização dos jogos.
O deputado Rodrigo Maia dá a entender que é favorável a legalização dos cassinos, mas eu não posso aceitar isso. Eu não posso aceitar abrir o mercado brasileiro para um empresário americano, para o grande capital internacional, e não legalizar por exemplo, um jogo do bicho, que é um produto genuinamente nacional.
Vou apresentar um projeto, inclusive, transformando o jogo do bicho em patrimônio imaterial do povo brasileiro. O Brasil tem três coisas que são genuínas e criadas por nós, o samba, a cachaça e o jogo do bicho. Eu não posso destruir isso que está arraigado na alma do brasileiro. Vá em qualquer esquina de Salvador, para ver se não está lá um anotador, anotando uma ‘fézinha’ no jogo do bicho. Isso é hipocrisia.
Isso não é questão religiosa. A religião pode dizer aos seus adeptos que não joguem, mas a religião não pode me dizer o que eu faço. O Estado não pode dizer, quanto mais a religião. Não é o Estado que vai me dizer o que eu faço com o meu tempo livre. Com o meu tempo livre, eu posso ler, posso ver o Bahia jogar, posso ir para a praia, posso dormir, posso não fazer nada e posso jogar. Não cabe ao Estado, nem à religião disciplinar esse assunto. (A Tarde–Salvador–BA)


