Caetano Veloso e Paula Lavigne pressionam Hugo Motta por regulação das bets no Brasil

O cantor Caetano Veloso e a empresária Paula Lavigne conversaram com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), sobre os problemas causados pelas apostas online no Brasil. O diálogo aconteceu na madrugada de segunda-feira (1º) em Lisboa, Portugal. O casal expressou preocupação com endividamento e dependência gerados pelas plataformas de jogos.
Caetano e Lavigne estavam na capital portuguesa após apresentação do músico no festival Coala, realizado em Cascais, no litoral de Portugal. A performance aconteceu no domingo (31). Críticos descreveram o show como “poética e emotiva”. Segundo informações da Coluna Thais Bilenky no UOL Notícias, o encontro com o presidente da Câmara ocorreu de forma inesperada após um jantar no centro histórico de Lisboa.
O casal jantou no bistrô Cícero, no bairro do Chiado. O estabelecimento foi aberto à meia-noite especialmente para a ocasião pelo proprietário Paulo Dalla Nora Macêdo. O pedido partiu do jornalista Guilherme Amado, do canal AmadoMundo.
Lavigne e Caetano chegaram ao restaurante após 1h da madrugada. Permaneceram no local até aproximadamente 2h30. Na saída, encontraram Motta e sua esposa, Luana.
Após os cumprimentos iniciais, os artistas iniciaram conversa com o presidente da Câmara. Abordaram duas questões que têm mobilizado suas atenções.
A primeira preocupação apresentada foi a proteção dos direitos autorais dos artistas no projeto de lei de Inteligência Artificial. A votação está prevista para junho. A segunda questão foi o tema das bets e seus efeitos sobre a sociedade brasileira.
Relatos motivaram abordagem
A conversa com o presidente da Câmara ocorreu porque o casal tem recebido diversos relatos sobre os problemas causados pelas apostas online. “Temos recebido muitos relatos sobre o tema e isso tem gerado bastante preocupação”, afirmou Lavigne.
O casal integra uma mobilização mais ampla do setor artístico e da sociedade civil. Artistas e organizações reunidos no coletivo 342 Artes lançam a campanha #BlockNoTigrinho. O 342 Artes é um movimento e coletivo de ativismo cultural criado em 2011 e coordenado pela empresária Paula Lavigne, que articula artistas e a sociedade em prol da democracia, da valorização da classe artística e contra a censura no Brasil. A iniciativa visa alertar a população sobre os impactos sociais, econômicos e de saúde pública das bets.
Lavigne explicou que a campanha decorre da preocupação “com o avanço do endividamento, da dependência e de outros problemas associados às plataformas de apostas. E busca a fiscalização e a aplicação de normas mais rígidas para a publicidade dessas bets“.
Especialistas destacam que setores da sociedade insistem na estratégia de demonizar as bets e criar a narrativa que as plataformas de apostas esportivas são responsáveis pelo endividamento da sociedade e por todos os males que o país atravessa. Contudo, o casal de artistas tem enfatizado a necessidade de regulamentação mais rigorosa do setor.
No final de 2025, o casal liderou um protesto em Copacabana. A manifestação pressionou o Congresso contra o PL da Dosimetria. A nova iniciativa contra as bets representa uma continuidade do ativismo político do casal.
Motta ouviu sem comentar
Durante a conversa com Caetano e Lavigne, Motta ouviu as preocupações do casal sem falar nada. Apenas balançou a cabeça. Posteriormente, o presidente da Câmara afirmou que mantém os canais de diálogo abertos. Disse compreender a preocupação manifestada pelos artistas.
“O setor de entretenimento está sofrendo. O pessoal gasta no jogo e consome menos”, declarou Motta.
O deputado já se manifestou favoravelmente à atividade das bets e à regulamentação do setor. Motta também se posicionou contrário ao aumento da taxação sobre as apostas online.
“Se você cobra uma alíquota que é impossível de ser paga pelo setor, você favorece a ilegalidade e a consolidação dentro do setor de que, quem não pague imposto algum se estabeleça. É o que nós tínhamos antes da legalização das bets: empresas que tinham servidores fora do país, que estavam instaladas em outras jurisdições”, afirmou o presidente da Câmara durante a tramitação do PL Antifacção.
Analistas do setor apontam que a ‘indústria da proibição’ é uma atividade muito lucrativa e é preocupante essa insistência de setores da sociedade em liderar o lobby para empurrar esta atividade para a clandestinidade. A verdadeira questão não é se as apostas devem existir, mas quem a governa — o Estado ou a ilegalidade. Há quem argumente que “é sempre mais fácil colocar a culpa no Tigrinho!” quando se trata de problemas sociais complexos.
Em 2025, o mercado de casas de apostas (bets) no Brasil teve receita bruta de R$ 37 bilhões. Mais de 28 milhões de brasileiros apostaram, com um ticket médio de R$ 122,00/mês. Segundo dados do Ministério da Fazenda.


