Candidatos à Presidência querem mais restrições às apostas esportivas

Apostas I 26.08.26

Por: Magno José

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Candidatos à Presidência querem mais restrições às apostas esportivas
A colunista Vera Magalhães, do jornal O Globo, resume a convergência: “As bets entraram de vez na campanha presidencial.” Setor se tornou o debate central das eleições de 2026, com propostas de diferentes partidos

A temporada eleitoral de 2026 chegou com uma pauta que resistiu por anos às margens do debate político e agora ocupa o centro da disputa presidencial: as apostas esportivas online. Candidatos ao Palácio do Planalto de diferentes partidos passaram a defender restrições ao setor nas últimas semanas, e os números explicam por que o tema se tornou impossível de ignorar.

Só em 2025, os brasileiros desembolsaram R$ 220 bilhões em plataformas autorizadas de apostas. Desse total, R$ 36,9 bilhões ficaram retidos nas casas de apostas. Aproximadamente 25 milhões de pessoas fizeram pelo menos uma aposta ao longo do ano, e o impacto sobre o orçamento familiar cresce em ritmo consistente.

Da promessa ao problema estrutural

As propostas dos candidatos variam em tom e alcance. Romeu Zema prometeu encerrar as operações de bets já no primeiro dia de um eventual governo seu. Ronaldo Caiado sinalizou abordagem severa com o setor. Lula e Flávio Bolsonaro também se posicionaram a favor de restrições. A colunista Vera Magalhães, do jornal O Globo, resume a convergência: “As bets entraram de vez na campanha presidencial.”

O terreno sobre o qual essa disputa se trava foi construído ao longo de quase uma década. As apostas esportivas foram legalizadas durante o governo Michel Temer, em 2018. A regulamentação do mercado, porém, ficou para trás: Jair Bolsonaro não a concluiu, e por quatro anos as empresas cresceram em uma zona cinzenta regulatória, operando a partir do exterior sem supervisão efetiva. Em 2023, o governo Lula regulamentou e tributou o setor; o Congresso foi além e ampliou a legislação para incluir jogos online como o Tigrinho.

Um setor já entranhado na economia

O resultado desse percurso é uma indústria profundamente integrada à economia brasileira. O governo arrecada impostos sobre as operações. A publicidade das plataformas de apostas se converteu em fonte relevante de receita para clubes de futebol, cuja dependência financeira do setor é visível nas camisas dos times das principais divisões do campeonato nacional.

Magalhães sintetiza o dilema enfrentado por quem promete agir: “O difícil é devolver a pasta de dentes pra dentro do tubo.” Prometer ser duro com as bets em campanha é relativamente simples; explicar como fazer isso, em que prazo e sem consequências colaterais graves é outra questão.

A principal armadilha apontada pela colunista é a migração dos apostadores para o mercado clandestino. Restrições mal calibradas ao mercado regulado podem empurrar os 25 milhões de usuários para plataformas ilegais, onde não há tributação, proteção ao consumidor nem controle de acesso. “Reduzir agora os danos sociais e econômicos, sem simplesmente empurrar esses apostadores pro mercado clandestino, é bem mais difícil”, afirmou Magalhães.

O Brasil levou poucos anos para construir uma das maiores indústrias de apostas do mundo. O próximo governo terá que decidir o que fazer com ela, entre a arrecadação que o setor gera, os danos sociais que provoca e o risco concreto de que a repressão produza efeitos piores do que o problema que tenta resolver.

 

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