Cauã Reymond aborda vício em bets em sua nova série “Jogada de Risco”

Blog do Editor I 31.07.26

Por: Magno José

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Cauã Reymond aborda vício em bets em sua nova série "Jogada de Risco"
Série do Globoplay explora sexo, nudez frontal e o impacto das apostas esportivas, com o ator revelando ter cancelado contrato de publicidade (Foto: Fabio Rocha/TV Globo/Divulgação)

A série “Jogada de Risco”, protagonizada e idealizada por Cauã Reymond, estreou no Globoplay com cenas explícitas de sexo, nudez frontal e uma abordagem direta sobre o vício em apostas esportivas no futebol brasileiro. A produção, que ganha dois novos episódios a cada quinta-feira, chegou a figurar entre os assuntos mais comentados do Brasil no X, antigo Twitter, segundo a Ilustrada da Folha de S.Paulo.

O tema das bets ocupa lugar central na trama. Reymond chegou a fazer propaganda para a Bateubet durante as gravações da novela “Vale Tudo”, mas cancelou o contrato com a empresa em maio de 2025. O ator afirmou que a decisão foi motivada pelos impactos que passou a observar do vício em apostas. “Já rompi, e acho que esse é um assunto extremamente contemporâneo, muito questionado ao longo dessa Copa”, declarou. As casas de apostas ainda não apareceram, mas Reymond confirmou que entrarão nos próximos episódios da série.

“Descobri muita coisa sobre como funciona essa engrenagem. Como artista, acho importante entrar em assuntos que geram reflexão, e não só entretenimento”, afirmou o ator, sobre a inclusão das bets na trama. “Tenho curiosidade por territórios contraditórios, em que as camadas da história e dos personagens se enriquecem. Não vejo por que não tocar em assuntos delicados.”

Bastidores do futebol

Na série, Reymond vive Maurício, jogador aposentado que atua como agente de jovens talentos do Atlântico, time fictício apresentado como um dos maiores do Rio de Janeiro. O elenco inclui Juan Paiva como o jogador Luan, Breno Ferreira no papel de Geraldo e Leticia Colin como Rita, cafetina e ex-garota de programa que agencia Daniele, vivida por Bruna Griphao, e tem os jogadores como clientes.

O sexo aparece na série misturado ao uso de drogas e inserido num contexto de relações de poder. Os jogadores encontram no prazer físico uma válvula de escape para a pressão constante por resultados, a exaustão física e a manipulação da própria imagem diante de torcedores e investidores. A masculinidade é questionada também no arco de Geraldo, personagem gay que esconde a orientação sexual por temer a reação de torcedores, companheiros de equipe e recrutadores de outros clubes.

Reymond classifica a produção de “proibidão do futebol”. O objetivo era expor os bastidores não tão gloriosos do esporte. “O futebol é um meio muito masculino e machista. Houve a preocupação de criar personagens femininas relevantes, poderosas, ascendentes na história, com subjetividades”, disse Bruno Safadi, diretor dos episódios.

Lucas Paraizo, supervisor de roteiro, reforçou a proposta. “Uma boa série não pode ter medo de tocar nos temas a que ela se propõe. Seria dar um tiro no nosso pé”, afirmou.

Pesquisa e contexto de produção

As histórias inseridas na série são baseadas em relatos reais, ouvidos por Reymond de jogadores, treinadores, empresários, técnicos e agentes durante sua pesquisa para a trama. A pesquisa foi impulsionada pela Globo, que apostou no projeto do ator. A produção é lançada meses depois de Reymond ter sido alvo de críticas nas redes sociais; a atriz Bella Campos, seu par em “Vale Tudo”, relatou comentários inadequados do ator no set e afirmou não ter se sentido ouvida pelo alto escalão da emissora na época.

“Me sinto um artista crescendo aos olhos do público já há mais de duas décadas”, declarou Reymond, sobre sua relação com os espectadores e a repercussão de seu nome nas redes sociais nos últimos meses. “Tenho vocação e acho que tenho consistência no meu desejo de crescer como profissional, como artista e como pessoa. Cai, levanta. Errou, pede desculpas.”

 


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