COAF destaca avanços na prevenção à lavagem de dinheiro no mercado de apostas

Apostas I 02.06.26

Por: Magno José

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COAF destaca avanços na prevenção à lavagem de dinheiro no mercado de apostas
Presidente Ricardo Saadi participou do BiS SiGMA Brasília e elogiou comprometimento da indústria regulada com boas práticas e conformidade legal

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) abordou o avanço da regulamentação no setor de apostas brasileiro. O presidente do órgão, Ricardo Saadi, participou do BiS SiGMA Brasília 2026 nesta terça-feira (2/6). Ele enfatizou o trabalho na prevenção à lavagem de dinheiro e no aumento da transparência nas operações financeiras da indústria.

O evento reuniu especialistas do setor para discutir os rumos da regulamentação no país. A participação de Saadi ocorreu em um painel dedicado aos temas de integridade e governança no mercado de apostas.

Saadi integrou o painel “Follow The Money – Integridade, Governança e Prevenção à Lavagem de Dinheiro” ao lado de Ana Helena Pamplona, diretora jurídica da ABRAJOGO, e Matheus Vidal, Head of Legal da Paag. A discussão concentrou-se nos progressos alcançados pela regulamentação do segmento.

Os participantes analisaram os obstáculos enfrentados pela indústria de apostas no Brasil. O debate também examinou as medidas que têm contribuído para o fortalecimento e a profissionalização do setor no território nacional.

Elogios ao comprometimento do setor

Durante sua intervenção no painel, Saadi afirmou que o mercado regulado de apostas atua conforme os parâmetros definidos pela legislação brasileira. O presidente do órgão também teceu elogios ao trabalho desenvolvido pelo BiS na organização do evento e destacou o comprometimento da indústria com boas práticas.

“A gente sabe que o trabalho do BiS tem sido um trabalho sério, que busca trazer integridade ao setor, e por isso fiz questão de estar presente, representando o órgão em que atuo. Majoritariamente, o setor regulado de apostas segue boas práticas e está em conformidade com as leis brasileiras. Além disso, o mercado tem buscado constantemente mecanismos para prevenir a lavagem de dinheiro”, afirmou.

Saadi ressaltou ainda que o simples fato de o segmento realizar eventos e promover painéis sobre prevenção à lavagem de dinheiro demonstra o comprometimento da indústria com as melhores práticas nessa área. Segundo o presidente do COAF, o setor tem contribuído majoritariamente para a prevenção à lavagem de dinheiro no Brasil.

A declaração de Saadi reforça o posicionamento do COAF sobre a atuação das empresas que operam dentro do marco regulatório estabelecido. O presidente destacou os esforços contínuos do setor na implementação de práticas que visam coibir atividades ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro.

Sistema de feedback e ranking de qualidade

Durante o painel, Saadi revelou que o COAF trabalha no desenvolvimento de um sistema de feedback para os setores regulados, incluindo o mercado de apostas, que poderá resultar em uma espécie de ranking de qualidade das comunicações enviadas pelas empresas.

Segundo o presidente do órgão, um dos desafios atuais é a falta de uniformidade na forma como diferentes segmentos econômicos reportam operações suspeitas às autoridades. “Há setores que estão mais maduros e há setores que estão menos maduros. O setor bancário comunica há mais de 20 anos e já estabeleceu padrões sobre o que deve ser comunicado, o que não deve ser comunicado e como deve ser comunicado”, afirmou.

De acordo com Saadi, a ausência dessa padronização pode gerar distorções concorrenciais e comprometer a efetividade do sistema de prevenção à lavagem de dinheiro. “Pega os principais players responsáveis pela maior parte do mercado e vamos padronizar o que deve e o que não deve ser comunicado, como vai ser comunicado e como não vai ser comunicado”, sugeriu ao setor de apostas.

O presidente do COAF destacou que o volume de comunicações não é, necessariamente, o principal indicador de eficiência. “Às vezes uma comunicação bem feita vale mais que dezenas de comunicações mal feitas”, afirmou. Segundo ele, o mais importante é fornecer contexto e inteligência sobre a operação reportada. “Não basta simplesmente comunicar a transação. É importante explicar por que aquela operação foi considerada suspeita e qual o contexto envolvido.”

Saadi explicou que o COAF pretende implementar um sistema estruturado de retorno para os setores obrigados a realizar comunicações. Hoje, segundo ele, as empresas enviam informações ao COAF, mas raramente recebem feedback sobre a utilidade ou a qualidade dos dados reportados. “O setor não sabe se a comunicação foi útil, se foi bem feita ou não foi bem feita”, explicou.

A proposta é criar um fluxo de avaliação envolvendo COAF, órgãos de investigação e os próprios comunicantes. “Nesse novo sistema que estamos desenvolvendo isso já está previsto. O feedback da Polícia e do Ministério Público para o COAF e do COAF para cada um dos comunicantes”, disse.

Segundo Saadi, a iniciativa permitirá inclusive comparações entre empresas de um mesmo segmento. “Vai ter a empresa A que hoje tem nota 3 sobre 10 nas comunicações ao COAF. A empresa B já tem nota 9 sobre 10, exatamente para que todos possam tentar alinhar em relação às melhores práticas”, afirmou.

Setor pode se antecipar

A diretora jurídica da ABRAJOGO, Ana Helena Pamplona, defendeu que o próprio mercado de apostas lidere iniciativas de padronização antes mesmo de eventuais exigências regulatórias. “Fica um recado aqui para o setor. O COAF está trabalhando para unificar, mas nós como setor também podemos nos organizar”, questionou.

Segundo ela, entidades representativas da indústria poderiam promover uma construção conjunta de critérios e modelos de comunicação. “É aquela ideia do fazer antes de ser cobrado”, disse. Pamplona sugeriu ainda a participação de entidades como ABRAJOGO, ANJL, IBJR e outras associações para construir parâmetros comuns que contribuam para aumentar a efetividade das comunicações encaminhadas às autoridades.

A programação completa do BiS Brasília 2026 está disponível no portal oficial do evento: https://brazilianigamingsummit.com/brasilia/.

Sobre o BiS Brasília

O BiS Brasília é um encontro voltado ao ecossistema de iGaming e apostas, promovendo o diálogo entre iniciativa privada, poder público e sociedade sobre o desenvolvimento do mercado regulado de jogos, cassinos e loterias no Brasil.

O evento reúne lideranças empresariais, autoridades e especialistas para debater temas estratégicos como regulamentação, tributação, integridade, inovação, jogo responsável, compliance, prevenção à lavagem de dinheiro (AML), licenciamento, integridade esportiva, publicidade, relacionamento institucional e as diretrizes do CONAR.

O BiS SiGMA South America integra o portfólio da SiGMA World, uma das principais plataformas globais de negócios e eventos B2B voltados à indústria de jogos e apostas.

 

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