Comitê quer legalizar cassinos no Brasil.

Cassino I 15.07.03

Por: sync

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O movimento em prol da liberação dos cassinos no Brasil ganhou fôlego após o lançamento do Plano Estadual de Turismo e a visita a Goiás do ministro Walfrido dos Mares Guia. Embora não exista nenhum programa específico no plano estadual e nacional para a legalização dos jogos no País, há uma corrente que aponta esta como sendo uma das soluções para a ampliação do turismo nacional.Um projeto que prevê a legalização do jogo já foi aprovado nas comissões de Constituição e Justiça do Senado, mas está parado na Comissão de Assuntos Sociais da casa. O texto está fora da pauta de votação e sem parecer do relator, o senador Romero Jucá (PSDB-RR). Os cassinos estão proibidos no Brasil desde 1946, graças ao então presidente Eurico Gaspar Dutra.
Emprego – A indústria de turismo em todo o mundo aposta nos cassinos como forma de incrementar o setor e gerar empregos. Em Goiás, o Comitê Goiano Pró-Legalização dos Cassinos no Brasil tenta conscientizar a sociedade da utilidade da indústria de cassinos no País como instrumento de crescimento econômico, arrecadação de tributos e geração de emprego e renda. O comitê é formado por 14 integrantes, em sua maioria ex-secretários de turismo de cidades que têm neste setor grande parte de suas rendas, e por alunos universitários e secundaristas.
Segundo o presidente do comitê, Jayme Pereira Neres, pelos dados da Organização Mundial de Turismo (OMT), entre os 100 maiores países exploradores do turismo do mundo, apenas o Brasil e Cuba não têm cassinos, que são “molas-mestras” do turismo em todo o mundo. Nos EUA, O setor movimenta por ano uma quantia próxima a US$ 638 bilhões, o governo arrecada US$ 4 bilhões em impostos, e é responsável por 1 milhão de empregos. Ele salienta que a indústria de cassinos é um setor sério, com investimentos seguros. “Cassino é indústria de entretenimento com segurança, confiabilidade, que movimenta várias bolsas de valores do mundo”. Entre os acionistas de empresas relacionadas ao ramo na Bolsa de Nova York, Neres cita Disney, IBM, General Motors e Shell.
Las Vegas brasileira – Goiás teria condições em se consolidar como um pólo de cassinos, como afirma o presidente do comitê. Para ele, Caldas Novas e Rio Quente seriam cidades ideais para a instalação das casas de jogos, devido a seus atrativos turísticos, e mesmo regiões pobres do Estado poderiam se desenvolver com a instalação dos estabelecimentos.
Las Vegas, hoje o maior centro mundial de cassinos, situada em um deserto, se desenvolveu através da atividade. A cidade é menor que a capital goiana e recebe 38 milhões de turistas estrangeiros por ano e possui o 7º aeroporto do mundo em circulação de pessoas. A consolidação de Goiânia como pólo turístico de eventos também propiciaria a instalação de Cassinos na cidade, o que faria com que os visitantes prolongassem suas estadas na capital.
Neres afirma ainda que a legalização poderia gerar 100 mil empregos diretos e criar 85 novas profissões relacionadas à atividade. Segundo ele, um hotel 5 estrelas tem uma relação de 0,4 a 1 empregado por hóspede, enquanto em um hotel-cassino sobe para 3,2 empregados/hospede. Com base neste potencial, será realizado no Dia Mundial do Turismo, 27 de setembro, o 1º Fórum Goiano Sobre a Legalização dos Cassinos no Brasil.
Ilegais movimentam R$ 2 bilhões.
Os defensores dos jogos reclamam da existência de cassinos ilegais no País, e afirmam que regulamentação das casas de jogos poderiam evitar a corrupção de policiais, que recebem propinas por fazer vista grossa aos estabelecimentos. Segundo o senador Edson Lobão (PFL-MA), em 97 existiam cerca de 30 cassinos ilegais no País, que movimentavam R$ 2 bilhões. A existência de loterias federais e de máquinas de jogos regulamentadas, também são utilizadas como argumentos pró-cassinos.
Além disso, não existe uma regulamentação a respeito dos cassinos virtuais, diponíveis pela internet, onde os jogadores fazem suas apostas com o número do cartão de crédito, de qualquer lugar do País. O presidente do Comitê Goiano Pró-Legalização dos Cassinos no Brasil, Jayme Pereira Neres, informa ainda que a legalização dos cassinos deixaria de enviar dinheiro ao exterior, devido à grande quantidade de brasileiros que jogam em países onde é permitida a existência das casas de jogos. Um exemplo é o cassino argentino Trilenium, a 30 quilômetros de Buenos Aires, que recebe todos os dias 10 mil visitantes, 80% brasileiros.
Segundo o presidente de honra do comitê goiano, Ricardo Namen, o Brasil é o único país da América do Sul em que os cassinos são proibidos. Namen foi diretor do Sodak Gaming International para a América do Sul e diz que o país é hoje o segundo mercado virgem do mundo. “O Brasil só perde para a China”. Ele diz ainda que a maioria dos jogadores nos cassinos na América do Sul são brasileiros.
A maior questão sobre o assunto para Namen não é a legalização, mas sim a forma com que será tratada a legalização. Ele salienta que deve haver um trabalho sério, com fiscalização, diferente do que ocorreu com os bingos, que foram mal regulamentados.
Liberação tem alto custo social.
Na outra ponta da discussão, a Igreja e psicólogos apontam para os males que a liberação dos jogos pode provocar. Para o psicólogo Jorge Monteiro de Lima, as pessoas a favor não percebem o custo social que uma liberação dos jogos pode provocar a médio e longo prazos. Ele cita que a jogatina é classificada como um transtorno de ansiedade, caracterizada pela compulsão. O jogador é movido pela adrenalina, ficando eufórico, não conseguindo parar de jogar, o que ocasiona o vício.
Lima diz que toda compulsão é difícil de ser tratada, e que o caso de jogos é semelhante ao das drogas e da comida. O tratamento, em muitos casos, é feito através de internação com medicamentos, abstinência e tratamento psicoterapêutico. O índice proporcional de cura, segundo o psicólogo, é de 40% dos pacientes, sendo que muitos não conseguem e acabam a vida na miséria.
Ele ressalta ainda que as pessoas próximas ao jogador também sofrem, já que são apostados o salário, carros e até mesmo casas. “A família de quem joga é arrebentada”, comenta. Ele cita que nos EUA existe uma lei de responsabilidade civil dos cassinos, que podem sefrer processos de pessoas que perderam tudo no jogo. Por causa disso, os cassinos limitam um valor máximo para os jogadores.
Segundo o padre Luís Lobo, a Igreja é contra os jogos porque tira o dinheiro das pessoas. O religioso diz que todo dinheiro que é fácil não é visto com bons olhos e que os jogos vão beneficiar quartéis. Para o padre, os jogos vão contra a própria palavra de Deus e a dignidade do homem. “A gente deve ganhar nosso pão com o esforço do nosso trabalho”.
Virtural – Por meio da internet, o padre Luiz Carlos Lodi propõe uma pressão da população para evitar uma possível liberação dos jogos. Ele sugere que mandem carta, fax, telegrama, e-mail e façam telefonemas para os senadores para que eles se sensibilizem com a questão. O padre argumenta que se legalizado, os cassinos promoverão a lavagem de dinheiro e miséria das famílias, o incentivo ao ócio e a criação de um ambiente moral propício à prostituição e ao tráfico de drogas.
O comitê se defende e argumenta que, no caso da prostituição, esta visão é enganosa, e o que gera a prostituição é a miséria, a desinformação, a fome e o desemprego. Ele completa ressaltando que a prostituição é concorrente dos cassinos, porque tira os jogadores das mesas.
Quanto à deterioração das famílias, os defensores da atividade dizem que cassino “não é para pobre”, e que o estabelecimento teria formas de selecionar os clientes, como a cobrança na entrada. Junto a isso, a legislação estabeleceria regras, como a proibição de linha de crédito para os jogadores.
Na ponta do lápis.
* 638 bilhões de dólares por ano é a quantia movimentada nos cassinos dos Estados Unidos da América.
* 4 bilhões de dólares em impostos é o que gera a atividade das casas de jogos da potência americana.
* 1 milhão de empregos são gerados nos vários cassinos existentes nos EUA que exploram legalmente o jogo.
Brasil não tem atividade desde 1946, graças ao presidente Dutra.
Os cassinos foram proibidos no Brasil em 30 de abril de 1946, pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. O principal cassino do país era o Cassino da Urca, no Rio de Janeiro. Desta data até hoje, 90 projetos tramitaram pelo Congresso e foram arquivados.
Diário da Manhã – GO – Pablo Santos


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