Crise em Macau e regulamentação do Japão transforma o Brasil em alvo das operadoras de cassinos-resorts

Blog do Editor I 03.09.19

Por: Magno José

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O forte interesse e o pesado lobby para que o Brasil aprove a ‘Lei Shendon Adelson’, que legalizaria poucos cassinos-resorts integrados (IRs) tem motivação do outro lado do mundo, especificamente em Macau e Japão.

Com o vencimento em junho de 2022 das seis subconcessões de IRs dos grupos Wynn Macau, MGM China e Sands China e, a limitação de apenas três licenças para cassinos-resorts integrados no Japão, transformam o Brasil no principal alvo destas corporações, lideradas pelo magnata dos cassinos Sheldon Adelson, fundador e presidente da Las Vegas Sands (LVS).

Os lobistas do Sands seduzem nossos parlamentares e representantes do governo, que o modelo Cingapura (copiado pelo Japão), seria o melhor para o Brasil. Já esclarecemos este tema na nota ‘Cingapura não serve de modelo para o Brasil’.

Insinuam que as duas propostas que tramitam no Congresso Nacional (PL 442/91 e PLS 186/14) seriam um ‘libera geral’ e comprometeriam os investimentos destes grandes grupos na construção dos IRs. Tudo mentira! Eles investirão no país com qualquer legislação que for aprovada pelo Congresso Nacional.

O Brasil tem um problema sério com jogos não regulados, que movimentam cerca de R$ 20 bilhões ao ano e que não serão resolvidos com a legalização de poucos cassinos em resorts integrados, deixando todas as outras modalidades na ilegalidade e criminalizadas. Muito pelo contrário, estas operações migrarão para estruturas verdadeiramente criminosas e vamos sentir saudades da ‘contravenção’.

O Brasil com 210 milhões de habitantes e uma População Economicamente Ativa de 63,05% segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode ser considerado um mercado promissor e que abrigaria todos os tipos de modalidades de jogos operadas atualmente, inclusive os IRs.

Segundo estudo do Instituto Brasileiro Jogo Legal – IJL a aprovação do PL 442/91 poderá gerar uma arrecadação R$ 60 bilhões e uma tributação de R$ 20 bilhões. Já o ‘White Paper’ produzido pela consultoria internacional Spectrum Gaming Capital destaca que o Brasil tem potencial para ser a maior jurisdição do mundo com potencial de gerar mais de US$ 20 bilhões em receitas provenientes do jogo e gerar mais de US$ 4 bilhões ou mais apenas em arrecadação tributária.

Além dos impostos, outorgas e investimentos, a criação de um marco regulatório através da aprovação do PL 442/91 poderia gerar mais de 208,5 mil novos empregos, além da formalização de 450 mil somente com o jogo do bicho. Isto representaria 658 mil novos empregos diretos e 619 mil indiretos. Enquanto a implantação de 32 IRs, como defendido pelos lobistas dos grandes cassinos, gerariam apenas 42 mil empregos.

Cabe destacar, que as grandes corporações têm protocolos para instalação de IRs em cidades escolhidas como o número de turistas, infraestrutura, aeroporto internacional, renda per capta, entre outras regras. Atualmente, apenas três cidades reúnem estas condições: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Portanto, o poderoso lobby do milionário Sheldon Adelson para aprovar poucos cassinos em resorts integrados servirá para instalação de IRs em apenas três cidades e gerar cerca de 20 mil empregos.

Confesso que tem algo errado nesta lógica.

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