Entenda o que aconteceu com o irmão de Bolsonaro, que perdeu o prêmio da Mega da Virada após terceiros sacarem valor com código

O irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro teve dificuldades para resgatar um prêmio da Mega da Virada depois que terceiros sacaram o valor usando apenas o código de identificação do bilhete. A situação foi revelada ao BNLData pelo empresário lotérico por quase 10 anos, Marco Taurisano em entrevista nesta quarta-feira (28/1), que explicou como apostadores se tornam vulneráveis ao compartilhar fotos de bilhetes premiados em plataformas nas redes sociais.
Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, descobriu que não poderá resgatar um prêmio de R$ 216,76 da Mega da Virada 2025 que ganhou em bolão com o ex-mandatário. Ele afirmou nesta segunda-feira (26/1) que, ao tentar sacar o valor referente ao acerto da quadra, foi informado que o prêmio já havia sido retirado por outra pessoa, mesmo com o bilhete físico em sua posse.
O sistema da Caixa Econômica Federal (CEF) permite que qualquer pessoa retire premiações de até R$ 1.700,16 (R$ 2.428,80 antes da incidência de impostos) em lotéricas sem apresentar o bilhete físico, bastando informar o código identificador impresso no comprovante da aposta.

Como funciona o golpe
“Esta é uma situação que não é comum, mas também não é rara de ocorrer. Trata-se de um golpe/ilegalidade de acontece com uma certa frequência e é causada, na maioria dos casos, por fotos de bilhetes que os próprios apostadores compartilham nas redes sociais”, explicou Taurisano.
O empresário destacou que o responsável pelo saque indevido provavelmente não sabia a quem pertencia o bilhete. “Talvez quem fez isso, nem saiba que o bilhete original pertenceria ao ex-mandatário. Mas a CEF tem como saber a Loja e Terminal, assim como data/hora que o bilhete foi descontado, afinal como disse essa numeração é o ID do jogo”, afirmou.
O episódio aconteceu em uma casa lotérica de Miracatu (SP) na última segunda-feira (20). Segundo Renato, a atendente verificou o bilhete e comunicou que o valor já havia sido pago anteriormente, orientando-o a procurar uma agência da Caixa Econômica Federal para resolver a situação. Conforme informações do portal Metrópoles, o caso gerou desconfiança no irmão do ex-presidente sobre a segurança do sistema de pagamentos da loteria.
Origem da vulnerabilidade no sistema
A funcionalidade que permite saques sem o bilhete físico foi criada para situações específicas, conforme esclareceu Taurisano. “Essa possibilidade de descontar o prêmio digitando o código impresso no bilhete físico foi criada para casos onde o bilhete tivesse falha de impressão ou até mesmo o equipamento de leitura da lotérica estivesse com defeito. Regra antiga e não atualizada.” Regra que funcionava e não dava problema num mundo que não era tão digital e conectado. Este fato acontece mais do que deveria no Brasil e no mundo”, destacou.
O impacto desse problema atinge também os proprietários de casas lotéricas. “Já até paguei prêmio do meu bolso para evitar que o cliente abrisse ouvidoria da Caixa”, revelou o empresário.

Conexão familiar com o setor lotérico
Angelo Guido Bonturi Bolsonaro, irmão mais velho de Jair Bolsonaro e de Renato Bolsonaro, e seu sobrinho são donos da lotérica Trilha da Sorte, localizada em Eldorado, no Vale do Ribeira, São Paulo.
O bolão que gerou a premiação foi realizado entre Renato, o ex-presidente Jair Bolsonaro e Mosart Aragão Pereira, ex-assessor presidencial. Os três acertaram quatro números no sorteio: 13, 21, 32 e 59. A aposta foi feita em 20 de dezembro de 2025, conforme mostra o bilhete divulgado por Renato. Na data, o ex-presidente encontrava-se detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Renato, que é pré-candidato a deputado federal pelo PL, havia anunciado o prêmio em suas redes sociais no dia 1º de janeiro. “Começamos o ano de 2026 com sorte! Acertamos a quadra em um bolão da Mega da Virada. Todo ano a gente joga”, escreveu na ocasião ao exibir o bilhete.
Caso semelhante na Austrália
O problema não se restringe ao Brasil. Em 2015, uma australiana identificada como Chantelle perdeu sua premiação após publicar no Facebook uma selfie com seu bilhete vencedor. Uma pessoa visualizou a foto e utilizou o código de barras visível na imagem para resgatar o prêmio antes da legítima ganhadora.
Chantelle havia apostado no cavalo Prince Of Penzance durante a Copa Melbourne. Ela ganhou inicialmente 900 dólares australianos, valor depois reajustado para 825 dólares australianos, equivalentes a cerca de R$ 2.434 na época.
Após descobrir o golpe, a australiana manifestou sua indignação: “Ao ser desprezível que é obviamente meu amigo no Facebook e usou minha foto para resgatar minha premiação. Você é um tremendo idiota. Você arruinou minha vida”. Depois do incidente, Chantelle excluiu seu perfil da rede social.
Desconfiança da Caixa
Após o ocorrido com seu bilhete, Renato Bolsonaro expressou desconfiança em relação à Caixa Econômica Federal, responsável pela operação das loterias no país. “Fui até a casa lotérica para receber o prêmio e reaplicar em um outro jogo. Quando, para a minha surpresa, a atendente verificou o volante e me disse que o jogo já havia sido pago.” Indaguei: “Como? Se o volante está na minha mão, na minha posse, não passei para ninguém, não dei para ninguém e o cartão possui um QR Code para validar a aposta”, relatou.
Em publicação posterior, o irmão do ex-presidente manifestou sua frustração: “Não existe coisa pior do que ganhar e não levar”. Ele também questionou a credibilidade da instituição financeira: “Para mim, a suspeita da credibilidade dos jogos da Caixa Econômica Federal já está abalada”. Ainda não há informações sobre quando Renato Bolsonaro comparecerá à agência da Caixa para tentar solucionar o problema.

