Goldman Sachs proíbe funcionários de negociar em mercados de previsão de resultados

O Goldman Sachs proibiu seus funcionários de negociar em mercados de previsão que envolvam resultados financeiros, eleitorais ou corporativos. A medida representa uma das restrições mais abrangentes adotadas por um banco de Wall Street diante dos riscos regulatórios gerados pelo crescimento dessas plataformas de apostas.
Segundo documento visto pela Bloomberg com O Globo, o banco atualizou sua política de negociações pessoais para vedar operações com contratos de eventos ligados a empresas específicas, incluindo o próprio Goldman Sachs, ao desempenho de mercados financeiros e a resultados eleitorais. Apostas esportivas e de entretenimento seguem permitidas.
A política também estipula punições para quem descumprir as regras. Violações repetidas podem resultar em demissão ou no encerramento da conta do funcionário. Em negociações consideradas inadequadas, o banco pode ainda exigir a devolução de lucros acima de US$ 200 ou a destinação desse valor a instituições de caridade.
Entre os contratos explicitamente proibidos estão apostas sobre a data de cessar-fogos em conflitos armados, o preço do Bitcoin e o resultado de processos regulatórios de aprovação de fusões. Questões como a possibilidade de o Goldman anunciar uma reestruturação em determinado trimestre ou de adquirir uma empresa específica também estão vedadas. A restrição cobre ainda contratos que possam gerar conflitos de interesse entre a instituição e seus clientes.
A justificativa central da proibição é o risco de uso de informação privilegiada. Plataformas como Kalshi e Polymarket ganharam popularidade nos últimos meses ao oferecer contratos financeiros similares a produtos tradicionais de apostas, expandindo seu escopo para além do esporte e alcançando eleições e resultados corporativos. Profissionais do setor financeiro frequentemente têm acesso a dados ainda não divulgados ao mercado, o que cria vulnerabilidades específicas nesse ambiente.
“Você deve estar atento para garantir que sua participação não viole leis e regulamentos e que não gere aparência de conduta imprópria”, afirma a política interna do banco.
Comparativo com concorrentes
A abordagem do Goldman se mostra mais restritiva do que a do JPMorgan, que, segundo reportagem da Barron’s, orientou seus funcionários no início de 2026 a “pensarem cuidadosamente” antes de participar de mercados relacionados ao setor financeiro. Dois fundos de hedge, no entanto, foram além do Goldman; a Point72 Asset Management e a Balyasny Asset Management impuseram proibição total para o uso de mercados de previsão em contas pessoais de seus funcionários.
As políticas de compliance dos bancos buscam equilibrar restrições internas com o interesse comercial nas próprias plataformas. Algumas instituições financeiras, como Jump Trading e Susquehanna International Group, já atuam como formadoras de mercado nessas plataformas. Em janeiro de 2026, o CEO do Goldman, David Solomon, classificou as plataformas de mercados de previsão como “extremamente interessantes” e confirmou ter se reunido com dirigentes das duas maiores empresas do setor.


