Gravação liga Olívio Dutra ao jogo do bicho

Compartilhar

Uma fita exibida ontem pela CPI da Segurança Pública do Rio Grande do Sul revela que Diógenes de Oliveira, coordenador da campanha eleitoral do governador Olívio Dutra (PT), pediu ao então chefe de Polícia do estado, Luiz Fernando Tubino, que parasse de reprimir a ação de bicheiros. A conversa foi gravada em março de 1999, logo depois de Olívio tomar posse no governo do estado. Ao fazer o pedido, Diógenes argumentou que Olívio tinha “uma relação muito boa” com bicheiros desde a época em que foi prefeito de Porto Alegre.
Tubino depôs ontem na CPI da Segurança, na Assembléia Legislativa. Ele reconheceu que a voz da gravação é sua e admitiu que teve o diálogo com Diógenes em 1999.
Na gravação, Diógenes diz: “Nós sempre tivemos uma relação muito boa e muito estreita com esse pessoal do carnaval e do jogo do bicho.”
“Algumas coisas a gente tem que aparar”
Em outro trecho da gravação, o assessor do governador petista afirma: “Não vou perguntar o que tu estás fazendo na polícia, que é a tua área de competência. Não sou de me atravessar nas coisas, nem de fazer diz-que-me-diz e tal. Mas algumas coisas a gente tem que aparar para que o governador não fique empastelado no meio. Gera problema. Qual é, por exemplo, aqui, especificamente, a atuação do jogo do bicho em Porto Alegre?”
Tubino diz na gravação que estava estranhando o teor daquela conversa porque já tinha conversado com Olívio Dutra diretamente sobre a política do governo em relação à contravenção. O então chefe de Polícia afirma:
“A polícia executa a política do governo. Convivo com eles (bicheiros) sem problema algum. Agora, se tiver que fazer caixa, se tiver que fazer alguma coisa, aí o assessor que é intermediário dos empresários pode ir atrás deles para ver. Agora, eu não posso fazer isso”.
Diógenes deixa claro, durante toda a conversa, que estava falando com o chefe de Polícia em nome do governador.
O assessor diz ainda: “Na campanha de Olívio eu coordenei as relações empresariais (…) A nossa (campanha) deve ter custado aí uns cinco, seis milhões de reais. Eu sou presidente do Clube de Seguros, comprei aquela sede do partido e coordenei esta parte, assim, do atacado, entende, da campanha (…) Sabe que, ao longo desta campanha do Olívio e da outra do Tarso e das outras, nós sempre tivemos uma relação muito boa, muito estreita, com esse pessoal do carnaval e do jogo do bicho”.
A CPI investiga se doações de bicheiros foram usadas na campanha eleitoral do PT em 1998. A comissão também quer saber se o governo do estado usou dinheiro do jogo do bicho para implementar programas de assistência social no estado.
Olívio diz que não autorizou Diógenes a falar em seu nome
O governador negou ter autorizado Diógenes a falar em seu nome. Olívio afirmou que a orientação da Secretaria de Segurança é “combater a banda podre da polícia e suas manifestações”. Para Olívio, as relações de setores da polícia com o jogo do bicho são “incestuosas e serão combatidas com rigor”.
Diógenes está na Europa e será chamado para depor novamente na CPI. Ele preside o Clube da Cidadania, entidade assistencial ligada ao PT, e foi um dos responsáveis pela compra da sede do partido. A oposição acusa o PT de ter comprado o prédio com doações de campanhas eleitorais.
O relator da CPI, Vieira da Cunha (PDT), disse que Olívio não pode ser convocado para depor na Assembléia mas afirmou que “essa é uma ótima oportunidade para ele explicar as acusações a seu governo”.
A CPI tem prazo até dia 15 para concluir as investigações.
Trechos da conversa
Diógenes: Eu falei com o Olívio e disse que ia falar contigo. Perguntei pro Olívio: tu não acha que seria melhor tu telefonar pro Tubino e dizer que eu vou falar com ele, ou posso falar direto? Não, fala direto (…)
Tubino: A situação é crítica, né tchê?
Diógenes: Ah é. Olha, é bom tu falar com o Tubino, ele é um amigo meu, uma pessoa muito boa, mas não é muito afeito a essas coisas do PT. O que eu quero? Duas coisas que quero falar contigo: uma vou direto e a outra é uma análise mais geral das questões da segurança pública e dos agentes intervenientes nesse processo. Tenho conversado muito com ele dessa e de outras tantas questões. E essa coisa do PT — seja franco comigo, hein! — nós temos que jogar aberto, depois quero dar um toque pro Olívio. Sabe que ao longo desta campanha do Olívio e da outra do Tarso e das outras, nós sempre tivemos uma relação muito boa, muito estreita, com esse pessoal do carnaval e do jogo do bicho.
Tubino: Sim.
Diógenes: É uma coisa histórica. É um assunto delicado, tu conheces melhor do que eu, eu não quero perder tempo nisso. Eu queria ter a tua opinião, porque nós achamos (inaudível) na campanha de Olívio, que tu separando o que é o crime organizado e a questão do jogo do bicho… o que é que tu achas, dá a tua visão disso aí.
Tubino: Desde que eu entrei na polícia sempre se comenta relações do jogo do bicho com a polícia.
Diógenes: A nossa relação com esse pessoal é aqui em Porto Alegre. Por quê? Porque na Prefeitura, na Secretaria Municipal de Cultura, no carnaval, na campanha, sempre havia uma relação bastante boa. O Olívio conhece os caras (bicheiros), eu conheço, o Pilla Vares conhece, todo mundo conhece.
Diógenes: Qual o teu papel aqui? Eu quero que tu entendas isso: eu sou amigo do Olívio, conheço ele há muitos anos, ajudei a fazer a campanha e tô assessorando o Olívio, eu digo, na área das relações empresariais, mas eu amplio um pouco mais isso, na área da sociedade. Eu não vou nunca te perguntar o que tu tá fazendo na polícia, porque é a tua área de competência. Não sou de me atravessar nas coisas nem de fazer (inaudível). Mas algumas coisas a gente tem que aparar para que o governador não fique empastelado no meio de pequenos problemas. Qual é a tua visão aqui, especificamente, sobre a situação do jogo do bicho, aqui em Porto Alegre?
Tubino: Por que é que não é liberado isso? Porque não há uma liberação formal. Eu não tenho nada, eu prá mim não me constrange nada. O problema, eu não vejo cartelização, é… eu não vejo outro envolvimento desse pessoal com outros crimes, a não ser sonegação fiscal, a não ser organização de quadrilha, de bando, a não ser com a corrupção e a não ser com os crimes contra a ordem econômica e tributária.
Diógenes: Na campanha de Olívio eu coordenei as relações empresariais (…) A nossa (campanha) deve ter custado aí uns cinco, seis milhões de reais. (…) O que eu estou te dizendo, conversando contigo por determinação do Olívio, falei com ele, ele disse que não só era bom como necessário que eu falasse contigo, é de te dizer para tu saber dessas relações que nós temos com esse pessoal, desde que eles não interfiram no crime organizado (…) Nós achamos que não tem que reprimir essa gente!
Assessor de Olívio diz que usou nome do governador por conta própria
Coordenador da campanha elei-toral do governador Olívio Dutra, Diógenes de Oliveira afirmou ontem ter usado indevidamente o nome de Olívio ao pedir à polícia que não reprimisse o jogo do bicho. A CPI da Segurança Pública do Rio Grande do Sul divulgara anteontem uma gravação de março de 1999 na qual Diógenes fazia o pedido ao então chefe de polícia do estado, Luiz Fernando Tubino.
– Usei o nome do governador por conta própria – disse Diógenes.
O ex-coordenador de campanha, hoje presidente do Clube da Cidadania, entidade assistencial ligada ao PT, alegou que fez o pedido por ser amigo dos apontadores do jogo do bicho, que se queixavam constantemente da repressão policial. Ele também lançou suspeitas sobre a autenticidade da fita.
Assessor de Olívio diz que usou por conta própria nome de governador
Coordenador da campanha eleitoral do governador Olívio Dutra, Diógenes de Oliveira afirmou ontem ter usado indevidamente o nome de Olívio ao pedir à polícia que não reprimisse o jogo do bicho. A CPI da Segurança Pública do Rio Grande do Sul divulgara anteontem uma gravação de março de 1999 na qual Diógenes fazia o pedido ao então chefe de polícia do estado, Luiz Fernando Tubino.
— Usei o nome do governador por conta própria — disse Diógenes.
O ex-coordenador de campanha, hoje presidente do Clube da Cidadania, entidade assistencial ligada ao PT, alegou que fez o pedido por ser amigo dos apontadores do jogo do bicho, que se queixavam constantemente da repressão policial. Ele também lançou suspeitas sobre a autenticidade da fita.
O PT saiu ontem em defesa de Olívio. O deputado José Genoino (PT-SP) disse que estão usando o nome do governador, mas que não há nada contra ele pessoalmente. Genoino, no entanto, defende que o caso seja apurado com a conseqüente punição dos responsáveis.
— O nome de Olívio não aparece. Estão querendo envolvê-lo nessa história. Tudo isso precisa ser esclarecido e, se alguém errou, tem que pagar por isso — disse o deputado.
Tubino confirmou conversa com assessor em 1999
Num trecho da conversa, Diógenes diz: “Nós sempre tivemos uma relação muito boa e muito estreita com esse pessoal do carnaval e do jogo do bicho”. Em outro trecho da gravação, o assessor do governador afirma: “Não vou perguntar o que tu estás fazendo na polícia, que é a tua área de competência. Não sou de me atravessar nas coisas nem de fazer diz-que-me-diz e tal. Mas algumas coisas a gente tem que aparar para que o governador não fique empastelado no meio. Gera problema. Qual é, por exemplo, aqui, especificamente, a atuação do jogo do bicho em Porto Alegre?”.
Tubino, que depôs sexta-feira na CPI da Segurança, na Assembléia Legislativa, reconheceu que a voz da gravação é sua e admitiu que conversou com Diógenes em 1999.
Logo depois da divulgação da conversa, o governador gaúcho deu entrevista negando sua participação no episódio. Olívio Dutra disse que não autorizou Diógenes a defender o jogo do bicho em seu nome. A CPI da Segurança Pública quer aprofundar as investigações para apurar se houve doações de bicheiros para a campanha do governador petista.
Dirceu já requisitou cópia da fita, diz Genoino
Segundo o deputado José Genoino, o presidente nacional do PT, José Dirceu, já requisitou uma cópia da fita à CPI da Segurança Pública. A direção do partido também quer ouvir a defesa do ex-coordenador de campanha do governador.
O Globo – Higino Barros

Entenda o caso
17 de maio
Em depoimento à CPI da Segurança Pública, instalada em abril de 2001, delegados dizem que banqueiros do jogo do bicho doam dinheiro para o PT e para obras sociais do governo
18 de maio
O ex-tesoureiro do PT Jairo Carneiro dos Santos, expulso do partido por desvio de verbas, diz que bicheiros doaram R$ 600 mil à campanha de Olívio Dutra (PT) em 98, por meio do Clube de Seguros da Cidadania, formado por petistas e simpatizantes do PT
19 de maio
Dirigentes do clube e do PT negam as acusações. Diógenes Oliveira, presidente do clube, diz que prédio foi comprado por R$ 310 mil por meio de doações legais ao partido
26 de junho
Santos depõe à CPI e diz que inventou as declarações
Agosto
São quebrados os sigilos bancário, telefônico e patrimonial dos dirigentes do clube, de Santos e do ex-chefe de polícia Luís Fernando Tubino
22 de outubro
Carlos Zignani, representante da empresa Marcopolo, faz declarações que contradizem o Clube de Seguros. Segundo Carlos Zignani, o dinheiro foi doado diretamente para o PT, e não para o Clube de Seguros. A empresa, então, não deveria estar na lista do clube
26 de outubro
CPI divulga CD com gravações de uma conversa entre o ex-chefe de polícia Tubino e Diógenes Oliveira, do Clube de Seguros. Na gravação, Oliveira diz que fala em nome de Olívio e sugere que Tubino use menos rigor na repressão ao jogo do bicho. Tubino reconhece a gravação. Olívio nega que tenha dado autorização para Oliveira falar em nome do governo.

Comentar com o Facebook

Deixe uma resposta