Kalshi negocia nova rodada de US$ 40 bilhões e desafia regras de apostas nos EUA

A Kalshi está em negociações para captar recursos com uma avaliação de mercado de aproximadamente US$ 40 bilhões. A empresa americana, que opera no setor de mercados preditivos, poderá fechar a nova rodada de financiamento ainda no terceiro trimestre de 2026, segundo fontes a par das tratativas.
As negociações ocorrem apenas semanas depois de a companhia ter levantado US$ 1 bilhão em uma rodada que a avaliou em US$ 22 bilhões, conforme apurou o Financial Times. O novo aporte evidencia o ritmo de expansão da plataforma e o avanço dos mercados preditivos sobre segmentos dominados por grandes operadores de derivativos e apostas digitais.
A trajetória de valorização da Kalshi é acelerada. Em dezembro de 2025, a empresa valia US$ 11 bilhões; meses antes, no mesmo ano, o valor de mercado era de US$ 5 bilhões. A rodada mais recente contou com a participação de Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, Coatue, firma de investimentos de Philippe Laffont, e Morgan Stanley.
Crescimento e produtos
Liderada por Tarek Mansour, a Kalshi ganhou projeção ao acertar a vitória de Donald Trump na eleição presidencial americana de 2024. A plataforma permite apostas em resultados binários sobre temas variados, de previsões climáticas ao fechamento mensal do índice S&P 500, passando por palavras que comentaristas esportivos utilizarão durante partidas da Copa do Mundo.
O volume de negociação da empresa superou US$ 17 bilhões em maio de 2026, ante menos de US$ 5 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. As apostas esportivas respondem por cerca de 65% desse volume. Apostas combinadas de múltiplas etapas, lançadas na plataforma em setembro de 2025, tornaram-se uma das modalidades mais populares desde então.
O crescimento da Kalshi foi favorecido pela postura permissiva dos reguladores federais americanos e pelo apoio implícito do presidente Trump. Em publicação nas redes sociais no mês passado, Trump chamou críticos das plataformas de mercados preditivos de “escória”. Donald Trump Jr. se incorporou à empresa como consultor estratégico no início de 2025.
Disputas regulatórias
A expansão da Kalshi gerou reações legais em diversas frentes. Na semana passada, a CME Group, operadora de bolsas de derivativos, abriu processo contra a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), agência reguladora de derivativos dos EUA, contestando a aprovação dos contratos futuros perpétuos da Kalshi para apostas em preços de criptomoedas. O produto concorre diretamente com os contratos futuros da CME amplamente negociados em Wall Street.
Em nível estadual, vários governos americanos também acionaram a empresa. Em março de 2026, o Arizona apresentou acusações criminais contra a Kalshi, alegando operação de negócio de jogos de azar sem licença e oferta ilegal de apostas em eleições. Em fevereiro de 2026, um juiz de Massachusetts proibiu a plataforma de aceitar apostas esportivas no estado, citando riscos à saúde e à segurança pública.
A Kalshi contesta os dois processos. A empresa sustenta que seus contratos de eventos devem ser regulamentados como derivativos pela CFTC, o que lhe permitiria operar sem submissão às legislações estaduais sobre apostas esportivas. Cerca de dois terços das apostas realizadas na plataforma resultam em perda financeira para os usuários, segundo fonte familiarizada com as operações da empresa.


