PF apura esquema de lavagem de dinheiro ligado a apostas ilegais

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (6/7) a Operação Véu de Maia para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado à exploração ilegal de apostas de quota fixa, as chamadas “bets”. O grupo investigado utilizava 87 empresas para movimentar recursos de operadores clandestinos e também é suspeito de remeter valores milionários ao exterior por meio de criptomoedas.
A operação atinge cidades de três estados. Agentes federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, em Aparecida de Goiânia e Goiânia, em Goiás; em São Paulo e Ribeirão Preto, em São Paulo; e em Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul.
A apuração teve início a partir de informações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, que identificou o conjunto de empresas suspeitas de atuar como “laranjas” para ocultar e movimentar recursos de plataformas ilegais. Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e outros delitos que venham a ser identificados ao longo da investigação.
Mercado ilegal de apostas no Brasil
O nome escolhido para a operação faz referência ao conceito hindu do “Véu de Maya”, expressão que simboliza a ilusão da realidade. Na tradição filosófica védica, esse véu representa aquilo que encobre a verdadeira natureza das coisas, fazendo as pessoas enxergarem apenas uma aparência enganosa do mundo.
O contexto da operação reflete a dimensão do mercado ilegal de apostas no país. Em junho, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, declarou que 25,2 milhões de brasileiros utilizam casas de apostas ilegais. Segundo estimativas do governo federal, as perdas econômicas associadas a essas plataformas chegam a R$ 38,8 bilhões por ano; cerca de 80% desse valor estaria relacionado a danos à saúde.
Segundo cálculos da H2 Gambling Capital, com base em informações do Banco Central sobre remessas ao exterior, movimentação de criptomoedas e tráfego na internet, o mercado clandestino movimentou R$ 16,3 bilhões em 2025.
O governo federal estima ainda que entre 41% e 51% das plataformas de apostas online em funcionamento no país operem de forma ilegal. Atualmente, 187 plataformas possuem autorização do Ministério da Fazenda para operar em território nacional. Além delas, há empresas licenciadas para atuar apenas em âmbito estadual, em unidades da federação como Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Paraíba.


