‘Lei Sheldon Adelson’: modelo de cassinos integrados em resorts perde seu patrocinador

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Dois fatos recentes enfraquecem a defesa do modelo de resorts integrados com cassinos: a derrota de Donald Trump a presidência dos Estados Unidos e a morte do bilionário dos cassinos Sheldon Adelson
A morte do CEO do Grupo Las Vegas Sands, Sheldon Adelson representa a perda do maior patrocinador junto ao Executivo e Legislativo da legalização exclusiva dos resorts integrados com cassinos.
Adelson fazia lobby para a reabertura dos cassinos no Brasil, defendendo o fim da proibição imposta em 1946. Em janeiro de 2020, ele recebeu uma comitiva liderada pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo então presidente da Embratur e atual ministro do Turismo, Gilson Machado, para uma reunião nos EUA. Em 2018, durante uma visita ao país, Adelson teve encontros com figuras como o então prefeito do Rio, Marcelo Crivella.
Sheldon Adelson, com o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, segundo da esquerda (Foto: Jewish Telegraphic Agency)
Sua onipresença na discussão era tamanha que o projeto de lei que tramita no Congresso sobre o assunto é chamado por detratores de “Lei Sheldon Adelson”. O forte lobby surtiu efeito, com figuras como o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, indicando apoiar os megacomplexos que reúnem lojas, cassinos, hoteis e restaurantes, transformando-os em destinos de luxo, revela O Globo.
Até mesmo Bolsonaro, que durante a campanha chegou a dizer que os cassinos serviriam para “lavar dinheiro” e “destruir famílias”, parece agora defender a regulamentação, segundo fontes próximas ao presidente. Publicamente, no entanto, o presidente mantém suas ressalvas, evitando contrariar a base evangélica.
Sheldon Adelson com deputado Herculano Passos
Durante suas viagens ao Brasil e em várias oportunidades em Las Vegas, Adelson seduziu vários atores políticos no Brasil com promessas, mas condicionou estes vultosos investimentos somente em caso o Brasil optasse pelo modelo de legalizar poucos resorts-integrados com cassinos, a exemplo de Cingapura e Macau. Sheldon chegou a afirmar que este modelo seria o melhor para o Brasil. Os defensores da legalização dos jogos sempre contestaram que esta proposta não é boa para o Brasil, mas apenas para algumas corporações norte-americanas.
As operadoras iriam priorizar a instalação destes empreendimentos somente em São Paulo, Rio de Janeiro e talvez Brasília, pois são as cidades que atendem aos protocolos para receber resorts integrados com cassinos. Foi uma tentativa de criar o monopólio do jogo no Brasil para as grandes corporações dos Estados Unidos e empurrar o mercado de jogos não regulados para estruturas verdadeiramente criminosas.
O substitutivo ao PL 442/91, aprovado em agosto de 2016 pela Comissão Especial do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, não foi votado pelo plenário da Câmara dos Deputados devido a dúvida provocada pela equivocada ideia propagada pelo CEO do Grupo Sands. Os lobistas que representam o pensamento deste grupo tentaram, sem sucesso, em duas oportunidades legalizar apenas os IRs na Câmara.
Só não houve novas tentativas porque os defensores desta proposta na Câmara sabem que não tem maioria. A sondagem da Paraná Pesquisa indicou que 52,1% dos deputados federais são favoráveis a legalização de todas as modalidades, sendo que apenas 7,2% dos parlamentares preferem cassinos ‘apenas em resorts integrados’.
Dois fatos recentes enfraquecem a defesa do modelo de resorts integrados com cassinos: a derrota de Donald Trump a presidência dos Estados Unidos e a morte do bilionário dos cassinos Sheldon Adelson.

 

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