Maluf movimentou US$ 1,8 mi em cassinos.
O candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PP, Paulo Maluf, movimentou pelo menos US$ 1,78 milhão em cassinos, segundo informou ao Brasil o US Customs (serviço de aduana), subordinado ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
O informe faz parte de um pacote de documentos enviado pelos EUA, que cooperam com o governo do Brasil na investigação sobre evasão de divisas atribuída ao ex-prefeito. Ao encaminhar os papéis sobre cassinos, autoridades norte-americanas alertaram sobre eventuais crimes de sonegação fiscal ou lavagem de dinheiro.
"Esses documentos são falsos", declarou o ex-prefeito por meio de sua assessoria. Questionada sobre eventuais ganhos em cassinos terem sido declarados à Receita Federal, a assessoria disse que o ex-prefeito não joga "na Sena nem na loteria esportiva nem em bingo", recusando-se a responder especificamente sobre cassinos.
O levantamento feito pela alfândega dos EUA, intitulado "Transactions for Paulo Salim Maluf", apresenta 23 movimentações de "compra ou resgate" de valores em cassinos durante seis anos não-seqüenciais – 1987, 1988, 1991, 1997, 2000 e 2001.
O documento se refere apenas a cassinos que operam nos EUA.
Os valores registrados podem corresponder à compra de crédito em fichas ou ao resgate de valores. Só uma quebra de sigilo específica para cassinos poderia detalhar quando ele está comprando fichas e quando ele está resgatando valores. Esse pedido de quebra de sigilo já foi encaminhado pelo Ministério Público de São Paulo às autoridades norte-americanas.
A compra de fichas não significa necessariamente que o jogador aposte o valor empenhado no cassino. Ele pode simplesmente comprar fichas e deixar o dinheiro para créditos futuros. Esse valor poderá ser resgatado a qualquer momento no mesmo cassino ou em cassinos interligados, em qualquer parte do mundo.
Não é a primeira vez que o nome do candidato aparece relacionado a cassinos.
Conforme noticiou a Folha, na base de dados encaminhada pela promotoria nova-iorquina à CPI do Banestado, o nome de Maluf aparece como beneficiário de um depósito de US$ 406,5 mil no antigo MTB Bank, de Nova York, feito no dia 10 de janeiro de 2002. Como origem do dinheiro, o banco registrou um endereço de uma praça de cassinos de Monte Carlo, no principado de Mônaco.
Operações
Segundo o departamento norte-americano, a pesquisa foi realizada por meio do número do passaporte do candidato, que precisou apresentar o documento a cada compra ou resgate de crédito acumulado em casas de jogos.
De acordo com a relação, no ano de 1991 concentra-se o maior volume de jogos e de valores. Foram computadas 13 operações em cassinos dos EUA no valor total de US$ 1,05 milhão -um ano depois, Maluf entraria na campanha à Prefeitura de São Paulo.
No período em que Maluf permaneceu na prefeitura, entre 1993 e 1996, não há registros de jogos.
Novas movimentações voltam a aparecer em maio de 1997, entre os dias 23 e 26 daquele mês. Foram US$ 135,7 mil. O período coincide com uma viagem realizada pelo ex-prefeito aos EUA, quando foi entrevistado por um correspondente da Folha em Nova York. Na ocasião, o ex-prefeito disse ter viajado para tratar de assuntos de interesse da Eucatex, empresa da família dele.
Ano eleitoral
Outro registro existente no relatório norte-americano é do dia 19 de novembro de 2000, quando ele teria depositado ou resgatado US$ 31 mil em um cassino. Naquele ano, Maluf havia participado da campanha eleitoral para prefeito. Perdeu e, no dia 9 daquele mês e daquele ano, embarcou para os EUA para "descansar".
As últimas operações são de 2001 e somam US$ 376 mil.
Se um apostador brasileiro ganhar dinheiro em cassinos, precisa declarar o prêmio no Imposto de Renda e pagar um tributo de 27,5% sobre o valor.
O não-pagamento configura crime de sonegação fiscal.
O crime prescreve em cinco anos –prazo em que o caso pode ser discutido na Justiça. Portanto, se acionado judicialmente, o ex-prefeito poderá ter de explicar apenas as três últimas movimentações, registradas entre 2000 e 2001, que, juntas, somam US$ 407 mil. As anteriores, conforme a lei, já estariam prescritas.
"Informação sobre cassino é falsa", diz assessor de Maluf.
O candidato e ex-prefeito Paulo Maluf (PP) afirmou que as informações obtidas pela Folha sobre movimentação de dinheiro em cassinos "são falsas". Ao ser questionado direta e especificamente sobre jogos em cassinos, Maluf não respondeu. A pergunta foi formulada no último dia 18, durante evento de campanha eleitoral.
Adilson Laranjeira, assessor de Maluf, divulgou uma nota em que diz que Maluf não joga "nem na Sena nem na loteria esportiva nem em bingo". Questionado três vezes sobre o motivo de a palavra cassino não ter sido incluída no rol de jogos, Laranjeira disse que a resposta estava na nota. Esta, no entanto, não faz nenhuma referência a cassinos.
"Mentiras como essa sobre Paulo Maluf sempre são divulgadas às vésperas de cada eleição, como aquela da filha que ele nunca teve fora do casamento, conforme ficou provado na Justiça", escreveu Laranjeira na nota.
Na campanha de 1998, Maluf foi acusado de ter uma filha fora do casamento. Teste de DNA revelou que ele não era o pai da criança.
À reportagem, Laranjeira disse que não tinha interesse em analisar os documentos.
"Os advogados de Maluf já tiveram acesso a eles", declarou o assessor do ex-prefeito.
A Folha apresentou os documentos aos advogados do ex-prefeito, que informaram que só se manifestarão após serem informados de forma oficial sobre o caso. Eles não revelaram se há registros de operações em cassinos na declaração de Imposto de Renda do candidato.
Folha de São Paulo – Lílian Christofoletti e Rubens Valente
Maluf defende legalização de cassinos, mas diz que não joga.
O candidato do PP à Prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf, rebateu hoje (24) as denúncias de que tem o hábito de jogar em cassinos e de que movimentou US$ 1,8 milhão em casas de jogo dos Estados Unidos, mas voltou a defender a legalização do jogo no País. "É uma atividade que, quando regulamentada e fiscalizada pelo governo, é sadia", observou, acrescentando que os cassinos podem gerar emprego e recursos para projetos públicos. "Se o rico quiser perder dinheiro no cassino, por que não legalizar, dando 50% do Imposto de Renda sobre o lucro para as universidades e os outros 50% para a Saúde?", questionou ele.
Maluf disse que pedirá à bancada do PP no Congresso que lute por essa legalização. Há duas semanas, em almoço com empresários do setor de turismo, ele já havia prometido regularizar os cassinos em São Paulo. Maluf disse discordar, também, das críticas segundo as quais o jogo pode ser usado para a lavagem de dinheiro.
Em nota à imprensa, Maluf afirmou que são falsas "e sempre são divulgadas às vésperas das eleições" as acusações que lhe são feitas a respeito do assunto. Ele as comparou a outra denúncia, segundo a qual ele teria tido uma filha fora do casamento – o que, lembrou ele, foi desmentido formalmente na justiça.
A associação do nome do candidato com o jogo e o valor que ele teria movimentado nos EUA têm como fonte o US Customs, serviço de aduana do Departamento de Segurança Interna americano e foram divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo. O texto menciona 23 movimentações de "compra ou resgate" de valores que teriam sido efetuados em seis anos (1987, 88, 91, 97, 2000 e 2001), todos nos Estados Unidos.
São recursos que poderiam corresponder à compra de fichas ou a resgate de valores.
Rodoanel – Na campanha pela Prefeitura de São Paulo, Maluf disse que, se eleito, vai financiar 25% das obras do Rodoanel e do Metrô na capital. Ele também criticou a gestão da prefeita Marta Suplicy, candidata do PT à reeleição, argumentando que ela não cumpriu o compromisso de ajudar o governo estadual em nenhuma dessas obras. O candidato do PP prometeu apresentar, na quinta-feira, um conjunto de 40 obras viárias, que abrirão a apresentação formal do plano de governo, a ser divulgado nos próximos 15 dias.
O ex-prefeito voltou a responsabilizar a prefeita pela seqüência de mortes de moradores de rua no centro da capital e afirmou que Marta cumpriu, no máximo, 20% das promessas feitas em 2000. De manhã, ele cancelou a palestra que faria na Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), por estar finalizando o plano de obras viárias.
Agência Estado


