Marcelo Gomes de Araújo: “E nós lotéricos, como é que ficamos?”

Lotérico que sou, há mais de cinquenta anos, foi uma verdadeira surpresinha tomar conhecimento, no BNL de 01/10/19, do aplicativo que a Caixa lançou para venda de suas loterias.
Todos nós sabemos que a evolução tecnológica é inexorável. Entretanto, a diretoria da Caixa, ao que parece, não se lembra de que o empresário lotérico adquiriu e pagou por sua permissão, depois de participar de um processo licitatório.
Agora, vem a Caixa usurpar a nossa maior fonte de faturamento, o que fatalmente levará nossos contratos a um desequilíbrio econômico-financeiro.
Os valores que nós recebemos para a arrecadação de contas e boletos são absurdamente insignificantes.
A Circular n° 816 da Caixa, que por si só já é draconiana, fala em ética, responsabilidade e transparência. Ora, onde foi parar a ética?
É justo o lotérico pagar por uma permissão, e em seguida o poder concedente concorrer com o permissionário?
A direção da Caixa vive dizendo que a rede lotérica é sua grande parceira. Isso é parceria?
A Constituição da República assegura à Caixa o monopólio das loterias, por meio de delegação da União. Isso nós entendemos.
No entanto, é notório que, sem a rede lotérica, a Caixa nem de longe é a mesma. Um Sansão careca!
Por que, há muito tempo, os lotéricos que assim desejarem não tem em suas lojas um terminal de autoatendimento?
Esse aplicativo que a Caixa está lançando não pode ter a participação das casas lotéricas? Somos levados a crer que trata-se de total falta de consideração conosco. Em nosso modesto a entender, a plataforma já desenvolvida poderá ser aprimorada.
E a respeito dos milhões de prêmios que nós pagamos diariamente em nossas lojas. Como é que isso vai ficar?
Do jeito que está posto, a Caixa vai faturar o valor das apostas e nós vamos pagar os prêmios, de graça.
Aliás, graça é que esse fato não tem. Nenhuma graça.
A Febralot precisa imediatamente tomar as medidas judiciais cabíveis, buscando assegurar nossos direitos adquiridos, com tanto sacrifício.
(*) Marcelo Gomes de Araújo é empresário lotérico e ex-presidente do Sindicato dos Lotéricos de Minas Gerais.


