Mega da Virada 2023: ex-catadora de rua usaria o prêmio para fazer da sua creche improvisada o melhor lugar do mundo

Quem não deseja ganhar R$ 550 milhões, não é mesmo? Esse é o valor do prêmio estimado da Mega da Virada 2023, o maior da história das Loterias CAIXA. É muito dinheiro pra qualquer um. E você? Já sabe o que fazer com toda essa bolada? Já imaginou? O CAIXA Notícias inicia uma série de reportagens para contar sonhos de quem gostaria de ganhar o prêmio milionário para transformar o mundo em um lugar melhor.
Conheça hoje a história de Marcia Silva Pinheiro. Aos 35 anos, é responsável por uma casa de apoio, que acolhe filhos de trabalhadores da reciclagem na Cidade Estrutural (DF). Ela é casada e tem cinco filhos, de 19, 18, 15, 10 e 5 anos. O caçula é autista.
Ela nasceu e morou até os oito anos na Bahia, quando mudou com a mãe e mais três irmãs para o Distrito Federal após o pai abandonar a família.
“Viemos para cá para ter melhores condições, para trabalhar na reciclagem, mas acho que foi pior. Moramos debaixo da ponte. Também moramos ali perto daqueles matos do Iate Clube. Passamos um período no Recanto das Emas. Moramos em vários lugares”, relembra, com sofrimento, Marcia.
Ainda criança, começou a trabalhar no lixão. Marcia chora ao recordar desse período. “Minha vida foi ter que trabalhar. E eu trabalhava no lixo mesmo, catando na rua. Faço terapia porque não tive mãe e pai para cuidar de mim. Não tive quem me desse amor, que me cobrisse à noite. Já passei muita necessidade. Não mataram minha fome. Passei muita fome. Hoje não consigo ver ninguém passando fome”, desabafa.
Já adulta, após ter a sua primeira filha, ao voltar de um dia de trabalho no lixão com o marido, Marcia que pagava para cuidarem da sua bebê, teve a ideia de abrir uma creche para receber os filhos de trabalhadores da reciclagem. Passou um tempo e a ideia ganhou força quando sua filha teve coqueluche e a creche não aceitou recebê-la naquele dia. Relata que, em meio ao desespero de não saber com quem deixaria a criança e como iria trabalhar, decidiu seus próximos passos. “Quando a mulher não quis aceitar minha filha, eu senti que era uma resposta que eu tinha tido”.
Começou então a colocar a mão na massa e a receber a meninada. “A creche era misturada na minha casa. Tinha criança em todo lugar”, destaca. Hoje, com um pouco mais de estrutura, a creche recebe doações e cuida das crianças dos trabalhadores da reciclagem das 6h30 às 15h, aproximadamente, horário em que os pais voltam do centro de triagem. Marcia não cobra nada para cuidar das crianças, pelo contrário. “Tem família que eu dou cesta básica aqui da creche”.
Diante da dificuldade, sonha com o prêmio especial da Mega-Sena. “Se eu ganhasse na Mega da Virada, eu ia fazer da minha creche o melhor lugar do mundo. As crianças nunca iam passar fome, nem frio. Eu ia ficar pobre ligeiro.
Ia querer ajudar todo mundo. Esse povo que fica em sinal, ia levar para casa e alimentar. Ia fazer projeto social em Barreiras (BA), Fortaleza (CE) e João Dourado (BA) porque nesses lugares tem muita exploração sexual de meninas. Meu sonho é rodar o mundo de carro com cesta básica, roupa, brinquedo, ajudando o povo no mundo.”
Finaliza a conversa dizendo que se morresse hoje, aos 35 anos, deixaria um legado de solidariedade. “Eu ia olhar para trás e ver o que eu fiz: já matei muita fome, aqueci corações. Já ajudei a construir 18 casas, correndo atrás de material. Já fiz até entrega de enxoval.” (CAIXA Notícias)


