Nova York processa Kalshi por operação ilegal de apostas sem licença

O estado de Nova York abriu processo judicial contra a Kalshi, plataforma de mercados de previsão cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara, acusando a empresa de operar um esquema ilegal de apostas sem licença no estado. A ação foi apresentada nesta sexta-feira (31/7) em um tribunal estadual de Manhattan.
Segundo a Bloomberg, a procuradora-geral do estado, Letitia James, afirmou que a plataforma expõe moradores de Nova York, incluindo menores de 21 anos, a “graves riscos pessoais e financeiros”. O processo acrescenta um novo obstáculo jurídico a um setor que vem recebendo apoio do governo de Donald Trump.
O estado argumenta que a Kalshi não solicitou licença à Comissão de Jogos do Estado de Nova York e deixou de recolher impostos da mesma forma que cassinos licenciados e plataformas móveis de apostas esportivas. A acusação sustenta que os mercados da empresa se enquadram na definição legal de jogo de azar, pois os resultados dos eventos apostados são incertos e estão fora do controle do usuário.
A governadora Kathy Hochul, em comunicado conjunto com James, declarou que “a Kalshi optou por ignorar as leis de jogos de azar de Nova York, que existem para proteger os consumidores, prevenir o jogo problemático, garantir recursos para serviços públicos essenciais e assegurar que todas as empresas cumpram as mesmas regras”.
A empresa rejeitou as acusações. “É lamentável ver esse tipo de teatro político por parte da liderança do nosso próprio estado”, disse a porta-voz Elisabeth Diana, acrescentando que “os estados não podem simplesmente fechar uma bolsa licenciada pelo governo federal” e que a medida “prejudicaria os nova-iorquinos, que seriam levados a recorrer a plataformas no exterior”.
Contexto jurídico e a fundadora brasileira
O processo é o desdobramento mais recente de uma série de disputas legais envolvendo a Kalshi. No início de julho de 2026, um juiz de Nova York decidiu que a empresa não pode impedir as autoridades estaduais de jogos de regulamentar seus mercados de previsão sobre esportes da mesma forma que as casas de apostas esportivas.
Também em julho, um juiz federal suspendeu temporariamente a primeira lei dos Estados Unidos a proibir mercados de previsão, aprovada em Minnesota. A decisão, favorável à Kalshi, à Polymarket e à CFTC, concluiu que alguns dos contratos podem ser considerados instrumentos financeiros sob jurisdição exclusiva de uma agência federal.
A Kalshi foi cofundada por Luana Lopes Lara, ex-bailarina do Bolshoi e graduada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em 2026, ela ingressou na lista da Forbes como a bilionária mais jovem a ter construído sua própria fortuna sem herança. A principal concorrente da Kalshi é a Polymarket, outra plataforma de mercados de previsão.


