O novo diferencial competitivo das bets não está nas odds, mas nas ferramentas de proteção ao usuário

Opinião I 29.07.26

Por: Magno José

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O novo diferencial competitivo das bets não está nas odds, mas nas ferramentas de proteção ao usuário 1
Cristiano Costa*

Por muito tempo, o mercado de apostas esportivas no Brasil operou em uma lógica simples: ganhava espaço quem oferecia bônus maiores, campanhas mais agressivas e odds mais atrativas. Mas o avanço da regulamentação começou a mudar esse cenário de forma profunda. A disputa deixou de ser apenas comercial e passou a envolver credibilidade, responsabilidade e capacidade de oferecer um ambiente mais seguro para o usuário.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho dessa transformação. Hoje, o Brasil já possui mais de 180 plataformas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e um mercado que movimenta dezenas de bilhões de reais todos os anos. Porém, ao mesmo tempo em que o setor cresce economicamente, cresce também a pressão pública sobre os impactos sociais das apostas.

Levantamento do DataSenado mostra que 92% dos brasileiros acreditam que a publicidade de apostas pode incentivar o vício em jogos, enquanto 87% defendem algum tipo de restrição voltada à proteção financeira das famílias. Esse movimento ajuda a explicar por que as empresas passaram a tratar o chamado “Jogo Responsável” como parte central da operação, e não mais apenas como uma exigência regulatória.

O mercado começa a entender algo que setores mais maduros já aprenderam há bastante tempo: sustentabilidade depende diretamente da capacidade de proteger o próprio consumidor.

Hoje, plataformas regulamentadas já utilizam sistemas de inteligência artificial capazes de acompanhar padrões de comportamento em tempo real. A tecnologia consegue identificar sinais considerados de risco, como a integração entre o perfil do apostador ao aumento repentino no volume de depósitos, longos períodos consecutivos de atividade ou tentativas impulsivas de recuperar perdas acumuladas.

Ferramentas como limite de depósito, pausas programadas, controle de tempo de tela, alertas automáticos de uso prolongado e autoexclusão temporária passaram a fazer parte da experiência do usuário dentro das plataformas mais estruturadas.

Nesse processo, empresas especializadas em comportamento digital e jogo responsável passaram a ocupar um papel importante dentro do ecossistema brasileiro de betting. A EBAC atua justamente nessa frente, desenvolvendo iniciativas voltadas à conscientização, prevenção e fortalecimento das políticas de proteção ao apostador.

Mais do que auxiliar plataformas no cumprimento das novas exigências regulatórias, o trabalho da empresa está ligado à criação de ambientes mais confiáveis e equilibrados para quem aposta. Isso inclui desde ações educativas dentro e fora das plataformas até ferramentas de monitoramento comportamental e treinamento de equipes para atendimento humanizado em situações de risco.

Na prática, o objetivo é criar mecanismos que ajudem o usuário a manter controle sobre a própria experiência dentro do ambiente digital. É uma mudança importante porque reposiciona o apostador dentro da cadeia de operação: ele deixa de ser visto apenas como consumidor e passa a ocupar um espaço mais central dentro da estratégia de sustentabilidade das plataformas.

E os próprios números mostram que existe demanda para isso. Desde o avanço da regulamentação, mais de 326 mil brasileiros já solicitaram bloqueio voluntário em plataformas de apostas, indicando um crescimento relevante na procura por ferramentas de autocontrole.

Mercados internacionais mais maduros, como Reino Unido e Espanha, passaram por um movimento semelhante nos últimos anos. Nesses países, as empresas que conseguiram consolidar reputação e permanência no mercado foram justamente aquelas que investiram de forma mais consistente em políticas de proteção ao usuário e jogo responsável.

O Brasil parece caminhar para uma direção parecida. Em um mercado cada vez mais competitivo, bônus agressivos e odds atrativas tendem a se tornar parecidos entre as plataformas. O que começa a diferenciar as operações, de fato, é a capacidade de transmitir confiança, transparência e segurança.

No fim das contas, o futuro do setor talvez dependa menos da promessa de ganhos rápidos e muito mais da construção de uma relação sustentável entre plataforma e usuário. Porque, em um ambiente que cresce tão rapidamente quanto o mercado brasileiro de apostas, cuidar do apostador deixou de ser apenas responsabilidade institucional. Virou estratégia de sobrevivência.


(*) Cristiano Costa é diretor de Conhecimento (CKO) da EBAC

 


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