Operação Aposta Suja da CyberGAECO/MPRJ cumpre buscas em três estados contra investigados por operar bets ilegais, aplicar golpes e lavar dinheiro

Apostas I 14.08.26

Por: Magno José

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Operação Aposta Suja da CyberGAECO/MPRJ cumpre buscas em três estados contra investigados por operar bets ilegais, aplicar golpes e lavar dinheiro
A operação contou com o apoio do Ministério Público de São Paulo e da Bahia no cumprimento dos mandados, além da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que colaborou com as investigações

A cada nova busca policial concluída, uma nova coleção de itens inusitados: carros de luxo, relógios, notas de dólar, euro, libra esterlina, peso chileno e sol peruano, além de criptoativos em trânsito para contas no exterior. O inventário apreendido na quinta-feira (13/8) pela Operação Aposta Suja revela a escala e a sofisticação de um esquema que transformou o mercado regulatório de apostas online em fonte de enriquecimento ilícito.

A operação foi deflagrada pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (CyberGAECO/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). Sete mandados de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, foram cumpridos em três estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

Sites sem autorização e bloqueio de saques

As investigações identificaram que a organização criminosa explorava ao menos dez plataformas de apostas online sem a autorização exigida pelo Ministério da Fazenda: furiabet.bet, galeradabet.bet, voude.bet, alfagames.bet, pixbr.io, pixdasorte.io, jogadacerta.net, aposteibet.bet, goathbet.com e bravabet.io. Os depósitos realizados pelos usuários nessas plataformas eram redirecionados para empresas de fachada.

O esquema não se limitava à operação irregular das bets. Além de captar recursos sem licença, as plataformas também impediam os clientes de resgatar os valores disponíveis em suas próprias contas, configurando, segundo as apurações, golpes diretos contra os consumidores.

Lavagem em criptoativos e remessas ao exterior

Após a captação dos recursos das vítimas, o dinheiro seguia um circuito elaborado de lavagem. O esquema envolvia a conversão em criptoativos, a pulverização dos valores em múltiplas contas e remessas para o exterior, com o objetivo de reintroduzir o capital na economia formal.

A dimensão financeira do esquema foi quantificada por um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O documento reúne mais de 800 comunicações de operações suspeitas registradas entre 2022 e 2026 e aponta movimentação financeira superior a R$ 1,4 bilhão. Desse total, mais de R$ 100 milhões correspondem, isoladamente, a uma única empresa envolvida no esquema.

Buscas em três estados

A execução dos mandados contou com participação do CyberGAECO do Ministério Público de São Paulo, do GAECO do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que colaborou com as investigações.

Os itens apreendidos variaram conforme o estado. No Rio de Janeiro, foram recolhidos um veículo e dois celulares. Em São Paulo, dois carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie, celulares e aparelhos eletrônicos. Na Bahia, as buscas foram realizadas em um condomínio de luxo em Feira de Santana; lá, os agentes apreenderam dois veículos de alto padrão, aparelhos eletrônicos e dinheiro em espécie em múltiplas moedas estrangeiras: dólares, euros, libras esterlinas, pesos chilenos e soles peruanos.

O conjunto de moedas estrangeiras encontrado em posse dos investigados aponta para conexões internacionais do esquema que as investigações ainda precisam dimensionar. A Operação Aposta Suja está inserida num contexto mais amplo de regulamentação do setor de bets no Brasil, cuja fiscalização pelo Ministério da Fazenda ganhou força nos últimos anos, mas ainda enfrenta o desafio de plataformas que operam à margem do sistema.

 


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