Raul Lima Neto, um sopro de esperança no turfe do Rio

Os proprietários de cavalos de corrida anseiam por melhores prêmios para equilibrar a relação entre a despesa do trato e os recursos financeiros

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Raulzinho, como o novo presidente é chamado pelos seus companheiros, assume um dos mais importantes clubes hípicos da América Latina com enorme expectativa (Imagens: Instagram)

 

O criador e proprietário de cavalos de corrida, Raul Lima Neto, 50 anos, candidato de oposição, e eleito por maioria dos votos, novo presidente do Jockey Club Brasileiro, ao derrotar Luiz Alfredo Taunay, pertence a uma família tradicional e apaixonada do turfe brasileiro. O seu pai, o saudoso Raul Lima, e o seu tio Waldir, abriram para ele as portas da paixão pelo esporte, através do Stud Veronese, Stud São Jorge das Duas Barras e o Haras das Estrelas. Os seus primos, Ricardo e Waldirzinho, o “Chuck”, nutrem o mesmo amor pela atividade. Um amor arrebatado, intenso, vibrante e incondicional. Raul Lima Neto tem perfil empreendedor, metódico e dinâmico. E, por considerar o turfe carioca e brasileiro em fase claudicante, decidiu prestar a sua colaboração pessoal. Tentar dar um novo rumo vitorioso a atividade turfística. Um sopro de esperança em dias melhores para o turfe.

Nos últimos 30 anos, os turfistas se acostumaram com a farda prateada do Haras das Estrelas e suas conquistas nas pistas, como a de Abu Dhabi, no Grande Prêmio Cruzeiro do Sul deste ano. Raul teve também, com a jaqueta do Stud Pixote, de sua propriedade, o craque arenático Wind of Change, que cumpre boa campanha no turfe norte-americano. E o nome próprio do cavalo, parecia profetizar, em inglês, que o vento poderia mudar na política do Jockey Club Brasileiro. E mudou. Apoiado por nomes importantes do turfe brasileiro, tais como Antônio Landim Meirelles Quintella, presidente da ABCPCC, e seu sócio no craque Hard Boiled, da Coudelaria Monte Parnaso/Quintella, e proprietários expoentes, como Luiz Felipe Brandão dos Santos, do Stud Eternamente Rio, Raul Lima alcançou um triunfo político, que muitos duvidam ser possível. Mas, o sonho distante se cristalizou durante nove meses de campanha.

Raulzinho, como o novo presidente é chamado pelos seus companheiros do futebol society, assume um dos mais importantes clubes hípicos da América Latina com enorme expectativa por parte dos profissionais de turfe, que torceram descaradamente por sua vitória nas urnas. Hoje, nos matinais da Gávea, os treinadores, jóqueis e cavalariços, se surpreenderam com a presença de Antônio Quintella, um dos comissários de corrida escalados pelo novo presidente, para iniciar a nova era política do clube. Quintella conversou com os treinadores sobre as suas necessidades, ouviu críticas dos jóqueis a situação atual das raias de grama e areia e até tomou café da manhã e brincou com alguns cavalariços. A presença tão rara de um dirigente do clube no dia a dia da lida encheu de esperança os profissionais.

Esperança parece ser a palavra-chave para a nova administração. Raul Lima Neto tem pela frente um grande desafio. Os proprietários de cavalos de corrida anseiam por melhores prêmios, que possam equilibrar a relação entre a despesa do trato e os recursos financeiros para tornar a atividade viável. Os profissionais dependem da comissão destes prêmios para sustentarem as suas famílias. Os criadores precisam de incentivo econômico e político para voltar a criar puros-sangues em maior quantidade e equilibrar o rebanho de equinos no país. A queda vertiginosa no nascimento de produtos tem desfalcado as trincheiras dos diversos prados do Brasil. Enfim. Existe muita coisa a fazer para recuperar o terreno perdido. Raul Lima Neto nem imagina o tamanho da confusão em que se meteu. Porém, ao que parece, ele pode ter certeza, que a classe turfística está pronta para arregaçar as mangas, e lutar ao seu lado. (Raia Leve – Paulo Gama)

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