Representante de rede de cassinos diz que atividade emprega 18 mil pessoas em Portugal
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Hoje, os 11 cassinos de Portugal empregam cerca de 18 mil pessoas e tem forte participação no PIB do país |
"Cassinos não movimentam apenas o dinheiro dos jogos de azar. Eles também são espaços de manifestações culturais como shows de música e performances artísticas."
Foi o que afirmou o Presidente do Conselho de Administração da rede de cassinos portuguesa Estoril Sol, Mário Ferreira. O assunto foi discutido, nesta quarta-feira (24), durante a audiência pública promovida pela Comissão Especial do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil.
Ferreira explicou como o setor tem funcionado em Portugal. Hoje, os 11 cassinos empregam cerca de 18 mil pessoas e tem forte participação no PIB do país. Ele também afirmou que dois terços do espaço dos cassinos da rede Estoril Sol são destinados a atividades de entretenimento, cultura e lazer já que, muitas vezes, é o que o público está à procura.
O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), Antônio Rodrigues, ponderou que a atividade é de alto risco e ainda falta um órgão regulamentador forte para reprimir ações criminosas como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
"A preocupação é o uso de jogos, do cassino para lavar dinheiro. É uma tipologia que tem no mundo inteiro. Qualquer setor da economia, na verdade, pode ser usado. Então você tem regras que evitam, diminuem os riscos de ser usado. Mas além dessas regras, tem outras preocupações que a sociedade tem manifestado. Como é que você encara esse problema, esses riscos? Você tem um órgão forte que seja capaz de fazer uma boa norma, que diminua esse risco, mitigue esses riscos e fiscalize eficientemente esse setor."
O ex-deputado federal Luiz Bassuma foi ainda mais radical. Ele e um grupo de manifestante protestaram de forma pacífica durante a audiência pública. Para Bassuma, existem outras formas de se incentivar o turismo brasileiro e a crise não é justificativa boa o suficiente para legalizar a atividade.
"Não se pode usar esse argumento de uma crise, como agora vive o Brasil, para regulamentar o jogo que tem como perspectiva o vício. O jogo está atrelado ao vício. Eu, por exemplo, sou contra isso que acontece na Caixa Econômica com esse "monte" de jogos oficiais do Brasil sem uma auditoria, você não vê transparência nesse processo. E o ponto mais fundamental, que ainda acho é a desestruturação das famílias. Essa não é uma coisa que deveríamos estar estimulando e sim educando a população para buscar fontes mais sadias do que gastar horas e horas levando à perspectiva de um vício."
Mas para o deputado Nelson Marquezelli, do PTB paulista, o público dos cassinos no Brasil será os grandes jogadores internacionais. Ele afirmou que se a atividade for legalizada, dentro de cinco anos, ela poderá empregar até 80 mil pessoas e arrecadar cerca de R$ 70 bilhões.
O presidente da comissão especial que analisa o tema, deputado Elmar Nascimento, do DEM da Bahia, ressaltou a importância de se ouvir os dois lados.
"A Câmara dos Deputados é o local do debate, o Poder Legislativo é local do debate. Eu tenho a obrigação – tinha até pessoas protestando hoje – de ouvir a todos, inclusive ouvir os argumentos do que são contra. É claro que é uma atividade econômica importante em um momento que o país precisa de investimentos. Em o Brasil decidindo fazer um marco regulatório dos jogos e autorizar a exploração dos jogos de azar, que a gente faça da melhor maneira possível. Porque é nossa preocupação não deixar na legislação nenhuma brecha para lavagem de dinheiro."
A Comissão Especial do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil deve voltar a se reunir na próxima quarta-feira (02). (Da Rádio Câmara, de Brasília, Ana Gabriela Braz)


