Valor: Arthur Lira tenta votar hoje projeto que libera jogos de azar

Destaque I 23.02.22

Por: Elaine Silva

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Valor Econômico: Projeto que legaliza jogos de azar avança na Câmara
Tendência do PL, partido de Bolsonaro, é votar a favor do projeto, apesar de pressão evangélica

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), colocou na pauta de plenário o projeto que legaliza parte dos jogos de azar no país, como cassinos, bingos e jogo do bicho. Ainda não há certeza sobre a data da votação. Lira afirmou que pode ser hoje, mas aliados não viam acordo. “É demagogia pura ou interesse de grupos sectários que esse debate não vá para frente”, afirmou Lira em evento com o mercado financeiro em São Paulo. Lira disse acreditar que a maioria dos deputados sejam favoráveis ao avanço da proposta.

“Amanhã [hoje] tem a possibilidade ainda da votação do PL dos jogos, que já foi inclusive terminada a discussão no ano passado. Lógico que isso é uma demanda que vai andando naturalmente, com deputados a favor, com deputados contra. O relator [Felipe Carreras (PSB-PE)] tem a obrigação de andar em todas as lideranças e tentar esclarecer o mais próximo possível da realidade, com fidedignidade, para que os deputados possam se posicionar”, disse Lira a jornalistas ao chegar ao Congresso.

As declarações foram dadas após ele participar de um almoço com lideranças partidárias e com o relator da proposta. Sobre a pressão da bancada evangélica para que a votação ocorra apenas quando os trabalhos voltarem a ser presenciais, Lira pontuou que o sistema de votação não alterará o resultado. “Não é o presencial e o virtual que vai alterar o resultado da votação. Essa é sempre aquela desculpa: não é o momento, esse momento não é adequado, e assim vai. O projeto está sendo discutido na Casa há vários anos”.

O PT decidiu votar contra o projeto de legalização dos jogos de azar em reunião da sua bancada na Câmara dos Deputados ontem. A decisão alinha a posição do partido a de católicos e evangélicos, público que o partido quer se aproximar para a eleição presidencial.

Na votação do requerimento de urgência ao projeto, o PT liberou sua bancada, sem tomar posição na época, e 18 deputados dos 53 votaram a favor do pedido. Agora, a bancada decidiu votar contra. Para o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG), há dúvidas se o texto apresentado combaterá os cassinos ilegais e a lavagem de dinheiro, um dos argumentos dos defensores. A sigla também estaria atenta as preocupações das igrejas católica e evangélica com problemas familiares e o vício causados pelas apostas.

Lopes afirmou que um dos pontos que precisa ser incluído no projeto está a criação de uma agência reguladora para os jogos, já que se trata de um setor com faturamento previsto em R$ 100 bilhões por ano. O relator, deputado Felipe Carreras, sinalizou que aceita essa ideia, mas a criação, de fato, dependeria da iniciativa do Executivo porque o Legislativo não pode impor a criação de órgãos.

Já o PL do presidente Jair Bolsonaro deve votar a favor do projeto, embora ainda não tenha batido o martelo. “A tendência da bancada é votar a favor, com exceção dos evangélicos”, disse o deputado capitão Augusto (PL-SP), vice-líder do partido.

A bancada evangélica conta com Bolsonaro para vetar o projeto caso aprovado pelo Congresso e tenta convencer o PL a pressionar para que a votação ocorra apenas depois do Carnaval, “Temos que fazer trabalho mais específico via PL, partido do presidente Bolsonaro”, disse o deputado Sóstenes Cavalcanti (UB-RJ), presidente da frente evangélica. (Valor Econômico – Raphael Di Cunto, Marcelo Ribeiro e Cristiane Agostine – De Brasília e São Paulo)

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