Verificação de Identidade ainda é um obstáculo para os apostadores brasileiros?

Apostas I 23.06.25

Por: Magno José

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A regulamentação do mercado de apostas esportivas, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2025, trouxe uma mudança significativa: a verificação de identidade (KYC – Know Your Customer) passou a ser obrigatória já no momento do cadastro (Foto: Divulgação)

A obrigatoriedade do KYC no momento do cadastro nas plataformas de apostas sacudiu o setor no início de 2025, gerando um impacto direto nas receitas. Entenda como as empresas conseguiram transformar um processo complexo em uma experiência rápida, e se os apostadores já superaram essa fase de atrito.

A regulamentação do mercado de apostas esportivas, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2025, trouxe uma mudança significativa: a verificação de identidade (KYC – Know Your Customer) passou a ser obrigatória já no momento do cadastro. A nova exigência tem como objetivo proteger os usuários e combater crimes como fraudes e lavagem de dinheiro.

O impacto da regulamentação e o choque inicial

Com as novas regras, o processo de abertura de conta deixou de ser algo simples, como preencher um formulário ou realizar um cadastro automático. Para criar uma conta em um site de apostas licenciado, o usuário agora precisa apresentar um documento oficial com foto e passar por uma verificação facial que comprove que está vivo. O objetivo é impedir o acesso de menores de idade, coibir fraudes e prevenir a lavagem de dinheiro.

O impacto dessa medida foi imediato e expressivo. Segundo análise da consultoria H2 Gambling Capital, os primeiros operadores a se adaptar enfrentaram um verdadeiro “banho de sangue”. A receita bruta de jogos em janeiro de 2025 caiu 20% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando R$1,4 bilhão. Um dos exemplos mais contundentes foi o da gigante global Flutter Entertainment, dona da Betfair e da Betnacional, que reportou queda de 44% na receita no Brasil no primeiro trimestre, atribuindo o desempenho negativo a “gargalos no KYC” e ao “atrito no processo de cadastro de novos usuários”.

Esse atrito nas plataformas legais acabou, paradoxalmente, fortalecendo o mercado ilegal. Sem exigência de verificação de identidade, sites offshore se tornaram uma alternativa perigosa, porém conveniente. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, com apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), mostrou que 61% dos apostadores utilizaram plataformas ilegais em 2025, e 78% admitiram ter dificuldade para diferenciar sites legalizados dos irregulares.

A resposta da tecnologia

Diante da perda de usuários e receitas, o setor se mobilizou rapidamente. A verificação de identidade passou a ser tratada como prioridade estratégica e o foco foi tornar o processo de KYC rápido, seguro e sem fricções.

A parceria entre a Superbet e a Unico é um exemplo marcante. Graças a uma base de dados robusta proveniente de setores como o bancário e o varejista, 90% dos novos usuários concluem a verificação facial em menos de três segundos. Em apenas três meses, 14 operadores adotaram a solução da Unico.

Outro caso de destaque é o da Kaizen Gaming, dona da Betano, que passou a utilizar a plataforma da Sumsub. A automação aumentou em cinco vezes, o tempo médio de verificação caiu para 1 minuto e 39 segundos, e a taxa de sucesso no processo de onboarding subiu 350%.

Esses avanços permitiram que algumas operadoras não só mitigassem o impacto inicial da regulamentação, como também conquistassem vantagem competitiva. Enquanto a Flutter enfrentava dificuldades, a Entain (dona da Sportingbet) viu sua receita líquida no Brasil crescer 31% no primeiro trimestre de 2025, resultado direto do investimento antecipado em uma solução de KYC eficiente e adaptada à realidade brasileira.

O obstáculo foi superado?

Em parte, sim. Para quem utiliza plataformas modernas e regulamentadas, o KYC já não é mais um problema. O processo tornou-se ágil e intuitivo. Segundo um artigo do Site de Apostas sobre verificação de contas em bets, a etapa completa (cadastro, envio de documentos e biometria) leva menos de cinco minutos na maioria das casas. Operadoras de ponta passaram a tratar a verificação como um diferencial de confiança, atraindo usuários que valorizam segurança e transparência.

Por outro lado, o desafio da conscientização do público ainda é grande. Muitos usuários continuam recorrendo a sites ilegais, o que indica que uma parcela significativa do mercado ou desconhece os riscos envolvidos, ou ainda prioriza a conveniência imediata em detrimento da segurança oferecida pelas plataformas regulamentadas. Isso alimenta um mercado paralelo que pode gerar perdas fiscais estimadas em até R$ 10,8 bilhões por ano.

A tecnologia já fez sua parte: a identidade digital deixou de ser uma barreira e virou um diferencial competitivo. Agora, o que falta é informação, educação e fiscalização eficaz para que cada vez mais apostadores façam escolhas conscientes e seguras.

 

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