Empresas de apostas rastreiam dinheiro de sites ilegais e descobrem 10 fintechs

Empresas de apostas legalizadas realizaram depósitos em plataformas ilegais de bets no início de 2025 para rastrear o destino dos recursos. O mapeamento identificou dez fintechs que processavam essas transações. As informações foram entregues ao governo federal.
Rastreamento identificou dez instituições financeiras
Executivos de companhias de apostas regulamentadas fizeram transferências via pix para sites não autorizados e acompanharam o fluxo do dinheiro. O monitoramento revelou dez instituições financeiras tecnológicas que movimentavam os depósitos, conforme informações do Painel da Folha de S.Paulo.
Três dessas fintechs constavam na lista de fundos de investimentos alvos de mandados de busca e apreensão na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025.
A iniciativa partiu dos próprios representantes do mercado regulamentado. O objetivo era demonstrar ao governo a dimensão do problema das plataformas não autorizadas no setor.
Mercado paralelo movimenta volume próximo ao total de apostas
As empresas do setor estimam que o mercado paralelo recebe volume próximo ao total de apostas no país. Do montante depositado nas plataformas ilegais, metade tem como destino a lavagem de dinheiro. Os outros 50% correspondem a golpes.
A Anatel e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda fecharam mais de 25 mil sites ilegais no ano passado.
Executivos do mercado de apostas relataram a história para ilustrar a dificuldade encontrada na missão de acabar com sites não autorizados pelo governo. Segundo as empresas legais, o fechamento dos sites pela Anatel e pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda representa o capítulo final para os golpistas, que ficam com o dinheiro e, dias depois, abrem novo endereço não regulamentado, com nome diferente, e reiniciam o processo.
Delação premiada e Operação Carbono Oculto
A proposta de delação premiada de Beto Louco ao Ministério Público de São Paulo ocorreu na semana passada. Ele oferece revelar informações sobre a participação de servidores e magistrados do Estado no esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro descobertos pela Operação Carbono Oculto.
A Operação Carbono Oculto teve como objetivos identificar e desmontar esquema de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com ligações ao PCC.
Os sites ilegais fazem propaganda por meio das redes sociais, muitas vezes com divulgação de influenciadores. As plataformas não autorizadas registram endereços fora do território nacional.


