Polícia Federal prende 33 pessoas em operação contra rifas digitais ilegais

A Polícia Federal deteve 33 pessoas em operação realizada na quarta-feira (15/1). Entre os presos estão o influenciador Chrys Dias, sua esposa Débora Paixão, os músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo, e Raphael Sousa Oliveira, proprietário do site Choquei. Os detidos são investigados por suspeita de participação em organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro e evasão de divisas através de rifas digitais e jogos online, registra reportagem da Folha de S. Paulo.
A operação, denominada Narco Fluxo, teve como alvo uma suposta organização criminosa que comercializava rifas digitais e jogos online oferecendo prêmios de alto valor por quantias baixas. Os investigados promoviam sorteios de imóveis, veículos e dinheiro por valores que, em algumas situações, ficavam abaixo de R$ 1. A operação é um desdobramento das operações Narco Bet e Narco Vela, com a expedição de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em 45 endereços distribuídos em nove estados.
Horas antes da prisão, Chrys Dias anunciava em seu perfil uma rifa de apartamento mobiliado avaliado em R$ 200 mil pelo preço de R$ 0,19. A oferta incluía também modalidade de “raspadinha”, com sorteios de três automóveis: um Toyota Corolla, um VW Golf TSI e um VW Jetta TSI. A apuração dos prêmios estava prevista para as 18h desta quinta-feira (16), segundo o influenciador.
As rifas eram divulgadas nas redes sociais com imagens de supostos ganhos e links que direcionavam seguidores para plataformas externas. Após a ação policial, Débora Paixão publicou vídeos durante a condução de investigados pela Polícia Federal. Posteriormente, voltou a divulgar jogos e links para acesso às plataformas.
Investigação aponta movimentação bilionária
A Polícia Federal identificou que os influenciadores utilizavam esse formato para atrair participantes e alimentar a cadeia de movimentações financeiras sob suspeita. A investigação aponta que os recursos teriam origem principalmente na exploração de jogos de azar não regulamentados, apostas, rifas digitais clandestinas e práticas de estelionato digital.
Os agentes federais apontam indícios de que o esquema também teria sido utilizado para lavagem de dinheiro. A Polícia Federal analisa possível ligação com o tráfico internacional de drogas. A investigação busca verificar se essa estrutura de sorteios e movimentações financeiras teria sido utilizada na circulação de recursos de origem ilícita.
A discrepância entre o valor baixo do investimento nas rifas e os supostos prêmios oferecidos chamou a atenção dos investigadores federais. O esquema investigado teria movimentado mais de R$ 1,63 bilhão.
Natural do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, Chrys Dias ganhou notoriedade nas redes sociais ao exibir uma rotina de luxo, com imóveis de alto padrão, viagens internacionais e carros importados. Ele passou a promover rifas e sorteios online de bens de alto valor, como veículos e imóveis. Além disso, apresentava-se como empresário de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan, e de outros influenciadores. Mantinha proximidade com MC Ryan, apontado como líder e principal beneficiário da estrutura.
Chrys Dias e Débora Paixão já haviam sido alvo de uma ação da Polícia Civil em 2024. Na ocasião, foram investigados sob suspeita de divulgação de jogos de azar e captação irregular de dinheiro por meio de rifas online. Foram apreendidos computadores, carros de luxo e equipamentos utilizados nos sorteios. O casal foi preso em Itupeva, no interior de São Paulo.
Decisão judicial determina bloqueio de bens
A decisão judicial determinou o bloqueio de bens e restrições a empresas ligadas aos investigados. O processo tramita na 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista. Os alvos da operação podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Conforme decisão judicial no processo, MC Ryan utilizaria empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com valores arrecadados por meio de apostas ilegais e rifas digitais. O artista foi apontado como líder e beneficiário do esquema de lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal está analisando se a estrutura de sorteios e movimentações financeiras teria sido utilizada na circulação de recursos de origem ilícita. Os agentes investigam a ligação dos sorteios e jogos online com o esquema suspeito de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A divulgação das rifas e jogos seguia um padrão repetido nos perfis investigados, segundo a Polícia Federal. Publicações destacavam ganhos elevados, acompanhados de mensagens que incentivavam a participação imediata e links diretos para acesso às plataformas. Também eram frequentes capturas de tela com supostos ganhos e mensagens atribuídas a seguidores. Nelas, relatavam ter conseguido pagar dívidas ou ajudar familiares com o dinheiro obtido. Esse tipo de conteúdo funcionava como prova social, criando a percepção de que os resultados eram comuns e acessíveis, diz a Polícia Federal.
Publicações nos perfis investigados destacavam ganhos que chegavam a milhares de reais. Em alguns casos, os valores das rifas e jogos não chegavam a R$ 1. A Polícia Federal não detalhou o papel individual de cada investigado.
O advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, que defende MC Ryan, afirmou que não teve acesso ao procedimento. Ele ressaltou que Ryan é uma pessoa íntegra e que “todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.
A reportagem enviou mensagem por meio do perfil @deborapaixaoficial no Instagram. O perfil vem sendo atualizado desde quarta-feira (15/1) com vídeos da ação da Polícia Federal e novas divulgações de jogos. Não houve resposta. A reportagem não localizou defesa do casal Chrys Dias e Débora Paixão.


