Contrato da Blaze com Virginia Fonseca chega a R$ 100 mi, revela Justiça

Blog do Editor I 24.09.26

Por: Magno José

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MPDFT processa Virginia e Blaze por R$ 120 mi em ação civil pública
Influenciadora digital recebeu pagamentos por meio de agências e teve sigilo de documentos negado em ação do MPDFT que pede R$ 120 mi em danos (Foto: Redes Sociais)

A casa de apostas Blaze apresentou à Justiça do Distrito Federal um contrato com a influenciadora Virginia Fonseca que totaliza cerca de R$ 100 milhões em repasses. Pessoas com acesso ao documento revelaram os valores à Folha de S.Paulo; a plataforma borrou as cifras ao apresentar a peça nos autos de uma ação civil pública.

O contrato foi entregue no dia 20 de agosto, véspera do anúncio de que Virginia encerraria sua parceria com a bet. A influenciadora havia declarado, em 19 de setembro, que deixaria de divulgar apostas; dois dias depois, seus advogados protocolaram a contestação à ação movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

A ação é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) e acusa a Blaze de utilizar padrões enganosos e técnicas de gamificação para induzir consumidores vulneráveis ao risco. O MPDFT cobra de ambos danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 120 milhões, além de reparação por danos materiais e morais individuais.

Estrutura dos pagamentos

Segundo os autos, a Blaze pagou à influenciadora um valor inicial na assinatura do contrato, seguido de parcelas mensais fixas ao longo de 18 meses, com início em julho de 2024. Os repasses foram distribuídos entre três destinatários: a agência Talismã, de propriedade de Virginia; uma empresa individual da influenciadora; e a Viral Nation, agência com sede em Barbados e subsidiária no Brasil.

A Viral Nation cobrou taxa de intermediação de 15% sobre o contrato. Fábio Marcondes Gonçalves, diretor responsável pela contratação, afirma que a atuação da agência se limitou à intermediação de contratos publicitários entre a Blaze e influenciadores. Segundo os autos, a empresa também coordenava entregas publicitárias e elaborava relatórios de desempenho, como volume de visualizações, engajamento e curtidas.

Os advogados de Virginia negam que ela tenha recebido comissões baseadas nas perdas dos apostadores, mecanismo que ficou conhecido como “taxa da desgraça” durante a CPI das Bets. A defesa alega que um aditivo recebido pela influenciadora se referia a ações promocionais durante a Copa do Mundo da FIFA, sem relação com desempenho da plataforma.

Em nota, a Foggo Entertainment, responsável pela marca Blaze, afirma que os pagamentos foram efetuados diretamente às empresas brasileiras indicadas em contrato, com emissão de notas fiscais e em cumprimento da legislação tributária vigente. A assessoria de Virginia confirma que todos os repasses ocorreram no Brasil, também com notas fiscais emitidas.

Virginia pediu à Justiça que os contratos, aditivos, vídeos e transcrições relacionados ao caso sejam mantidos sob sigilo, sob a alegação de que os documentos contêm informações comerciais, financeiras e pessoais. O pedido consta de sua contestação à ação do MPDFT.

Donos ocultos e movimentação financeira

A Blaze foi fundada pelo holandês Nick van Gorsel e pelo americano Nicholas Beugg. As identidades dos dois foram reveladas por um vazamento de dados da Curaçao Gaming Authority, reivindicado pela hacker berlinense Lilith Wittmann. Até então, a empresa sustentava operar com um modelo descentralizado, sem acionistas de referência. As operações ficam em Malta; as licenças de apostas, antes da regulação brasileira, eram emitidas pelo governo de Curaçao por meio da empresa local Prolific Trade N.V.

Os autos indicam que os pagamentos internacionais da plataforma eram processados pela instituição financeira cipriota Horangi Trading. A investigação afastou a tese de que o brasileiro Erick Loth Teixeira, responsável pelo registro do domínio blaze.com.br, seria o dono da plataforma.

O balanço da empresa no Brasil aponta que publicidade e programas de fidelidade são seus principais custos. A Blaze desembolsou R$ 89 milhões em bônus, R$ 388 milhões em programas de fidelidade, distribuídos em newsletters e textos-foguetes aos jogadores cadastrados, e R$ 330 milhões em publicidade externa, incluindo contratos com influenciadores e veiculação na mídia tradicional.

A receita bruta da plataforma no país chegou a R$ 1,9 bilhão entre janeiro e novembro de 2025, gerada a partir de depósitos dos jogadores na ordem de R$ 11 bilhões. Nos autos, a empresa informou uma receita bruta de cerca de R$ 1,4 bilhão ao descontar os bônus oferecidos, valor que serviria de referência em eventual cálculo de multas. A margem de lucro foi de 33%, com resultado de R$ 361 milhões no período. Desse total, R$ 350 milhões foram remetidos como dividendos à sede no exterior.

Virginia Fonseca pede sigilo de documentos com Blaze

A coluna do Ancelmo Gois no Globo Online revela que Virginia Fonseca deseja manter sob sigilo os contratos, aditivos, vídeos e transcrições que poderão ser entregues à Justiça no caso em que ela é acusada de práticas abusivas de publicidade, propaganda enganosa e indução de seguidores a apostas em parceria com a plataforma Blaze. O pedido consta de sua contestação à ação apresentada pelo Ministério Público do DF. Virginia alega que os documentos não podem ser divulgados por conterem informações comerciais, financeiras e pessoais.

 

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