Vendas em Las Vegas podem ajudar Sands na proteção de trabalhadores locais de Macau

Destaque I 29.10.20

Por: Elaine Silva

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O diretor-geral da 2nt8, Alidad Tash, considerou que a eventual venda de patrimônio da Sands em Las Vegas pode estar relacionada com o pagamento de salários e manutenção dos investimentos na Ásia

O estrategista e diretor-geral da 2nt8, Alidad Tash, considerou que a eventual venda de patrimônio da Sands em Las Vegas pode estar relacionada com o pagamento de salários e manutenção de postos de trabalhos locais das operações asiáticas da empresa de Sheldon Adelson. Para o especialista do setor do jogo, a prioridade da empresa norte-americana é assegurar liquidez para salários dos trabalhadores locais quando faltam menos de dois anos para o fim das atuais concessões.

O forte investimento na remodelação do Sands Cotai Central e a proteção dos postos de trabalho dos residentes de Macau nos cassinos da Sands China podem estar relacionados com a eventual venda de propriedades em Las Vegas por parte da empresa de Sheldon Adelson, considerou Alidad Tash, estrategista e diretor-geral de uma empresa de consultoria especializada na indústria do jogo. Para o antigo analista da Las Vegas Sands, a prioridade da empresa norte-americana é assegurar liquidez para pagar salários aos funcionários nos mercados asiáticos, nomeadamente Macau e Singapura.

“Esta é uma das razões pelas quais a Las Vegas Sands parece estar à venda, porque eles vão ter de apoiar o seu pessoal. Em Singapura, os trabalhadores até podiam ser facilmente demitidos. Na Austrália, por exemplo, pode-se demitir 95 a 96% dos funcionários e alegar que não há dinheiro, mas isso não se pode fazer em Macau, e por isso têm de apoiar seriamente os trabalhadores locais. Acredito que a Sands, uma vez que houve tanto dinheiro investido no Londoner, e com a quantidade de trabalhadores locais a que têm de assegurar salários, perdendo uns quantos milhões de dólares por dia é uma situação complicada, e creio que este contexto pode estar relacionado com a eventual venda de propriedades em Las Vegas”, disse Alidad Tash durante um evento organizado pela Câmara do Comércio França-Macau sobre os desafios da indústria do jogo de Macau.

“Adelson tem 87 anos e precisa mesmo do dinheiro [cerca de seis mil milhões de dólares]. Tem três áreas onde faz dinheiro, tem Las Vegas, Singapura e Macau. Se eu tivesse que vender um ativo para ter liquidez para suportar os outros dois, ou seja, três cavalos, poderia ter de matar um para alimentar os outros dois. Mas efetivamente, se vai ter de se desfazer de um, parece-me lógico que seja o de Las Vegas, porque não gera o mesmo tipo de lucro que Singapura ou Macau”, acrescentou.

O elo mais fraco

Com a quebra acentuada das receitas dos cassinos desde o início da pandemia, as operadoras foram obrigadas a reduzir despesas e postos de trabalho. Alidad Tash recordou que o elo mais fraco da pandemia têm sido os trabalhadores não residentes, independentemente dos cargos que ocupam nas estruturas dos cassinos. “Se dividirmos os grupos de funcionários temos 10 a 20 mil trabalhadores nos cassinos. Há a linha de trabalhadores locais, e depois há a linha de trabalhadores estrangeiros. Neste aspecto não podem tocar nos postos de trabalho ocupados por residentes locais, e essa é a maioria dos funcionários, este são os ‘dealers’, que dominam o monopólio de trabalhadores locais e não fazem parte do setor de administração. O que estas empresas estão a fazer é assegurar que estas pessoas não perdem emprego”, afirmou o especialista, indicando depois que os trabalhadores estrangeiros são “obrigados a ir para casa com um corte salarial de 25%”, e que, em algumas instâncias, “quem não é chinês vê o seu ‘bluecard’ cancelado”.

Em relação as demissões da área de gestão dos cassinos, Alidad Tash referiu que houve demissões de locais, mas que a maioria foram de estrangeiros. “Tem havido algumas demissões, nomeadamente nos cargos de vice-presidentes, mas a maioria tem sido nos cargos mais altos porque simplesmente não é sustentável. Quando se está a ter receitas na ordem dos 5% tem de haver cortes em algum lado”, afirmou.

Sobre o possível impacto das eleições presidenciais nos EUA nas próximas concessões dos cassinos, que expiram em junho de 2022, o antigo analista da Las Vegas Sands assinalou que o resultado de 3 de novembro poderá influenciar as futuras decisões do Chefe do Executivo. Alidad Tash considerou também que o período de 20 anos das licenças é muito longo. “Licenças de 20 anos são demasiado longas. Em Singapura, por exemplo, são 10 anos, mas fazem revisões de três em três anos. No Japão estão a pensar em 7 anos. Mesmo que expirem, o Chefe do Executivo tem a opção de adiar por mais cinco anos. E neste contexto pandêmico acho que a altura é a ideal para adiar”, disse.

Independentemente da decisão de Ho Iat Seng, Alidad Tash acredita que o próximo presidente dos EUA irá determinar algumas decisões do Chefe do Executivo em relação às três operadoras norte-americanas. “O resultado das eleições poderá providenciar mais informações sobre qual a decisão do Chefe do Executivo sobre as concessões. Se irá ter uma decisão ou adiar por mais tempo a renovação. Se ganhar Trump, acho que faz sentido que o Chefe do Executivo queira esperar e usar as licenças como uma vantagem contra a continuidade de uma guerra comercial entre China e EUA, ninguém sabe. Se for Biden a ganhar também será imprevisível, porque ambos os candidatos são anti-China, mas um deles é um oponente irracional e outro é um inimigo louco. E creio que o Chefe do Executivo vai querer estar preparado para cada um dos dois cenários. Até porque não se trata de uma renovação. Na verdade, é uma oferta de novo concurso. Se tecnicamente as concessionárias falharem ou começarem a demitir funcionários chineses e a não pagar, as concessionárias em questão podem simplesmente ter de sair”, considerou.

No caso de Macau perder uma concessionária depois de 2022, Alidad Tash frisou que “há uma elevada probabilidade que seja norte-americana no atual contexto da guerra comercial entre EUA e China”, mas que seria, ao mesmo tempo, “uma medida bizarra” porque “seria afastar uma empresa que investiu milhares de milhões de dólares em Macau e construiu infra-estruturas”. “Também há o cenário de uma possível entrada em cena de uma sétima empresa, e outra possibilidade, mais remota, de uma nova empresa entrar para substituir uma já existente. Estou mais inclinado para a possibilidade de seis concessionárias ou a entrada de uma sétima operadora, que será, quase de certeza, chinesa”, comentou. (Ponto Final – Eduardo Santiago)


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