Editorial A Crítica: Pandemia da Covid, cassinos e Las Vegas

A legalização dos cassinos Brasil retornou à pauta da Câmara dos Deputados. Há uma semana, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP) criou um grupo de trabalho para estudar e debater a pauta indicando a necessidade de atualizar o Projeto de Lei nº 442/91, que trata do marco regulatório dos jogos no País.
O assunto também apareceu ontem na sessão da CPI da Covid-19 no Senado, durante o depoimento do empresário Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos e sócio da empresa Primarcial que se manteve calado na maior parte da reunião. A CPI investiga se Trento viajou a Las Vegas com uma comitiva de parlamentares, entre os quais Flávio Bolsonaro, como apontam documentos aos quais senadores tiveram acesso. A cidade é a mais populosa do Estado norte-americano de Nevada e mundialmente famosa pelos cassinos e resorts de luxo. É no contexto da pandemia e da difícil situação das finanças brasileiras que a legalização dos jogos entra mais uma vez em debate na Câmara dos Deputados.
Dez deputados de diferentes partidos compõem o grupo que tem prazo de 90 dias para apresentar um relatório sobre o assunto. As conexões em torno dos cassinos são amplas e de longo alcance e envolvem setores economicamente fortes que mantém rede de negócios nos Estados Unidos, notadamente, que têm interesses na expansão das atividades no Brasil, inclusive com algumas capitais e cidades de Estados brasileiros colocadas no eixo dos jogos. Manaus é uma delas.
Dados do Instituto Brasileiro Jogo Legal, a legalização dos jogos regularizaria a situação de 450 mil trabalhadores que atuam de forma ilegal no Brasil e geraria 200 mil novos postos de trabalho. No item recursos financeiros, a estimativa é que a atividade movimenta R$ 74 bilhões por ano.
A outra face da história dos jogos, sejam legalizados ou não, é da existência e manutenção de uma gigantesca rede de exploração, escravidão sexual e prostituição, drogas e sistemas precarizados de trabalho para parte dos milhares de trabalhadores oficiais e não oficiais acionados pelo negócio. Em torno da fachada dos grandes e bilionários empreendimentos, está o rastro de histórias de vida de milhares de pessoas aprisionadas no sistema que esse tipo de indústria promove.
Os negócios dos jogos no Brasil já estão em estágio avançados e com grandes grupos apenas aguardando a mudança da lei no País para se instalarem oficialmente. (Editorial A Crítica – Amazona)


