“A Fabamaq tem um projeto com dimensão global”

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João Maia, CEO da Fabamaq (Foto: divulgação)

 

A Fabamaq, empresa tecnológica portuguesa com sede no Porto, desenvolve jogos de cassino para várias marcas e vários mercados espalhados pelo mundo. João Maia, Chief Operations Officer da Fabamaq, em entrevista a PME Magazine deu um panorama da empresa, que desde que nasceu há 10 anos no Porto só tem crescido.

PME Magazine – Como surgiu a Fabamaq?

João Maia – A criação da Fabamaq é a resposta a uma necessidade real detectada no mercado global há mais de 10 anos. Alguns agentes da indústria de gaming procuravam empresas capazes de desenvolver jogos de cassino de A a Z, mas não havia respostas concretas do lado empresarial. Creio que Portugal lhes pareceu um bom local para investir pela qualidade de recursos humanos na área da engenharia. Foi assim que em fevereiro de 2010 nasceu a Fabamaq, uma startup tecnológica sediada no Porto, com os olhos postos no mercado internacional desde o seu primeiro dia.

PME Mag. – O que distingue a Fabamaq das restantes empresas?

M. – A base da diferenciação da Fabamaq está na combinação de dois fatores: os produtos que desenvolvemos e a nossa cultura. Nos produtos, destaca-se o fato de trabalharmos na área de jogos e de integrarmos um grupo internacional com expressão em vários mercados. Fazemos tudo internamente – o desenho de produto, a programação do jogo, o design, a música, os testes, a análise da performance dos diferentes jogos, entre outros elementos. Entregamos aos nossos clientes jogos criados à medida de cada mercado a que se vão destinar. No que diz respeito à cultura da empresa, orgulhamo-nos de manter um ambiente de harmonia e proximidade, apesar de sermos uma empresa diferente da startup inicial, e de termos expandido bastante. A Fabamaq tem um projeto com dimensão global e que dá às pessoas a oportunidade de crescerem num ambiente desafiante e de evolução permanente. Estes factos são muito relevantes para captar e reter talento, e a Fabamaq proporciona um misto de estabilidade e de progressão profissional, respeitando o equilíbrio com a vida pessoal. Preocupamo-nos muito com o espírito de equipa e com o bem-estar dos colaboradores. A título de exemplo, temos programas internos de mentoring e talent development, um sistema de Power Ups e apoiamos comunidades internas como a FMQ Start. Fornecemos várias facilidades e gostamos de ser criativos nos team buildings e nas celebrações de dias especiais como o aniversário da empresa ou o Natal. Temos aulas de inglês, retomaremos em breve as de espanhol e criaram-se já espontaneamente grupos de corrida, voleibol e futebol, e sessões de yoga ao almoço. Também nos unimos a comunidades externas, destacando-se a ligação umbilical que mantemos com a associação Porto Tech Hub ou o apoio regular à comunidade organizadora de Game Dev Meets. Por outro lado, apostamos muito na formação dos colaboradores – desde proporcionar formações contratualizadas externamente em instituições de referência, até reuniões internas de casos de estudo e sessões de knowledge sharing mais informais.

PME Mag. – A Fabamaq produz para quantos países? De que forma alcança novos mercados? A comunicação é um fator chave para o conseguir?

M. – A Fabamaq desenvolve produtos para a indústria de jogos, tenham eles como destino os casinos físicos ou online. Tendo este pressuposto como base, não existem limitações em matéria de mercados ou países para os quais desenvolvemos produtos. Atualmente, os jogos desenvolvidos na Fabamaq para os cassinos físicos podem ser jogados nas Filipinas, no México, na Irlanda e em Espanha. Os jogos criados para o mercado online estão acessíveis a partir de diferentes pontos do mundo, incluindo Portugal. A expansão para os novos mercados pode acontecer por diferentes vias. Uma é pela expansão dos nossos clientes atuais e com quem temos já uma relação de confiança estabelecida. Noutros casos, o testemunho de clientes junto do mercado gera novas leads. Para além disso, a nossa equipa comercial procura ativamente novos clientes, quer no terreno, quer através da divulgação em feiras internacionais. Estes são eventos que aproveitamos como um canal privilegiado de contacto com atuais e potenciais clientes. A comunicação é um fator chave em todo este processo.

PME Mag. – Qual o valor de faturação da empresa?

M. – No balanço de 2019 registamos receitas superiores a sete milhões de euros. Para 2020 não temos ainda um valor definitivo dos resultados.

PME Mag. – Qual o balanço que fazem dos últimos dez anos de atividade?

M. – O balanço dos 10 anos Fabamaq é obviamente positivo. Foi uma década de muito crescimento e em que soubemos adaptar-nos à evolução do mercado. Começámos com uma equipa muito pequena e que está agora perto das 180 pessoas. Com este crescimento conseguimos aumentar o número de tipologias de jogo desenvolvidas na Fabamaq, entrar no desafiante mercado online e ter mais impacto em mercados externos. Ao longo desta década fomos também postos à prova pela indústria e soubemos responder com competência aos desafios colocados. Pelo meio, conseguimos também inovar e ser pioneiros no desenvolvimento de alguns produtos. Fazemos parte das 500 empresas tecnológicas que mais cresceram na região EMEA – Europa, Médio Oriente e África nos últimos quatro anos, apresentando um crescimento médio de 165%. Este facto deixa-nos orgulhosos e serve de mote para o futuro que queremos traçar.

PME Mag. – Contam com quantos colaboradores?

M. – A Fabamaq conta atualmente com 184 colaboradores.

PME Mag. – A pandemia da Covid-19 impactou o negócio? O que mudou?

M. – A pandemia veio trazer mudanças relevantes em vários aspetos na indústria dos jogos e nas organizações, que acabaram também por afetar a Fabamaq. As consequências mais diretas recaíram sobre os nossos clientes, que viram várias salas de jogo físicas fecharem no período de quarentena. Em alguns casos este encerramento prolongou-se por várias semanas. Por outro lado, o jogo online registou um aumento generalizado da atividade. Mesmo com estas flutuações, conseguimos assegurar toda a estabilidade e o rigor no desenvolvimento de jogos ao longo destes meses. Apesar da pandemia, os nossos clientes mantiveram a confiança nos projetos em curso, não cancelando nenhum deles. Na Fabamaq, estamos obviamente muito gratos por essa postura e focados no desenvolvimento de novos produtos com valor acrescentado. Na relação comercial propriamente dita, o que mudou foi a impossibilidade de visitar os mercados e recolher feedback direto dos jogadores nas salas, com as restrições de mobilidade vigentes. Tínhamos já uma comunicação próxima com os clientes pela via digital, que agora procuramos reforçar. A nível interno, a pandemia obrigou à implementação do trabalho à distância. Foi um período exigente, com a necessidade de criação de condições técnicas para o normal funcionamento de toda a nossa operação, mas que superamos com sucesso. Agora, temos menos de 30% das pessoas a trabalharem no escritório num modelo rotativo, enquanto a restante equipa trabalha a partir de casa, sendo que este sistema pode ser alterado de acordo com o contexto. Aqui é importante também realçar o que não mudou. Ao longo destes meses não houve despedimentos, redução de salários ou remoção de qualquer benefício aos colaboradores. Antecipámos o subsídio de férias e criámos quatro programas de apoio aos nossos colaboradores nas áreas de saúde mental, cuidado infantil, apoio legal e desenvolvimento profissional. De uma forma geral, temos conseguido manter a nossa cultura de proximidade e de rede, mesmo com todas as mudanças que a pandemia produziu. Para isso tem sido fundamental esta equipa de trabalho e a sua dedicação num contexto de exceção.

PME Mag. – Qual o futuro da Fabamaq?

M. – O futuro da Fabamaq é dar continuidade ao seu percurso de crescimento no mercado global, independentemente da complexidade dos novos desafios. A nossa prioridade é desenvolver produtos competitivos, com qualidade, e que sejam capazes de responder claramente às exigências mais recentes dos clientes. Queremos continuar a refinar a nossa operação de desenvolvimento de jogos, de forma a conseguirmos entregar bons produtos mais rapidamente e respondendo de forma célere aos pedidos dos nossos clientes. A indústria está a mudar e a tornar-se cada vez mais competitiva e sabemos que só uma operação muito bem oleada nos pode dar um lugar na ‘Liga dos Campeões’. As empresas que mais rapidamente anteciparem a direção do mercado e ajustarem a sua operação, criando produtos que vão ao encontro das novas necessidades dos operadores e dos comportamentos dos jogadores, são as que vão prosperar. E esse deve ser o nosso drive. Para isso, sabemos que precisamos de pessoas motivadas e comprometidas com a missão e o crescimento da Fabamaq. Foi o talento de todos os nossos colaboradores que nos trouxe até ao patamar onde estamos hoje e essa será também a base do crescimento do futuro. Queremos que os colaboradores atuais e os potenciais candidatos vejam a Fabamaq como mais do que um emprego. Queremos que vejam a empresa como uma experiência que lhes vai permitir crescer como pessoas e profissionais, potenciando capacidades que, em simultâneo, potenciarão o sucesso coletivo da Fabamaq. (PME Magazine)

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