Análise: Brasil está fora dos planos do Las Vegas Sands

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A venda das propriedades do Las Vegas Sands Corp. em Las Vegas e o direcionamento dos US$ 6,25 bilhões para investimentos na Ásia, Estados Unidos e apostas esportivas praticamente retira o confirma que muitos atores políticos de Brasília – que defenderam ao longo dos últimos anos a opção pelo modelo dos resorts integrados com cassinos –, devem ficar órfãos nesta empreitada

Em várias oportunidades comentamos neste espaço que a morte do maior patrocinador do lobby pelo modelo cassinos-resorts, a derrota de Donald Trump e a saída do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia não seriam os únicos motivos do enfraquecimento do lobby pelos resorts integrados com cassinos. A Covid-19 embaralhou todo o processo de implantação no Brasil do monopólio do jogo para as grandes corporações norte-americanas.

A pandemia global também atingiu Las Vegas, fechando a Strip, onde Las Vegas Sands é a maior operadora. O crescimento dos ganhos desapareceu em março passado, à medida que as infecções se espalharam pelos Estados Unidos. A empresa registrou prejuízo trimestral de quase US$ 300 milhões em janeiro.

A notícia também acaba com meses de especulação sobre as vendas do The Venetian, The Palazzo e o Sands Expo and Convention Center, mas está gerando burburinho em Wall Street sobre como a operadora investirá o capital. Investimentos na Ásia, em outras partes dos Estados Unidos, restauração de dividendos e apostas esportivas estão entre os tópicos que os analistas estão discutiram ao longo desta quarta-feira.

O analista da Stifel, Steven Wieczynski acredita que pode haver necessidade de maiores investimentos de capital em mercados de jogo asiáticos, especialmente em torno do processo de renovação da concessão de Macau que deve começar no próximo ano.

Venetian e Palazzo geraram apenas US$ 487 milhões em lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) em 2019 – 9% do total de Sands – o que significa que é possível que a empresa direcione parte do produto da venda valorizando algumas de suas cinco propriedades em Macau ou Marina Bay Sands (MBS) em Cingapura.

Apesar de Sheldon Adelson ter iniciado a sua riqueza nos Estado Unidos, foi através dos seus investimentos em Macau que a sua fortuna explodiu. Os cassinos em Macau geraram 63% da receita da empresa em 2019, que foi de US$ 13,7 bilhões de dólares, seguidos de Singapura, que representaram 22% da receita, e só depois os dos Estados Unidos.

Os investimentos em outras partes dos Estados Unidos podem ser dirigidos no esforço do lobby pela legalização dos cassinos no Texas e não é segredo que o Grupo tem interesse em instalar um resort integrado em Nova York.

O analista da Macquarie, Chad Beynon, diz que é possível que a empresa continue pensando em entrar nos segmentos de iGaming e apostas esportivas, que estão em rápido crescimento nos Estados Unidos.

A venda das propriedades do Las Vegas Sands Corp. em Las Vegas e o direcionamento dos US$ 6,25 bilhões para investimentos na Ásia, Estados Unidos e apostas esportivas confirma que muitos atores políticos de Brasília – que defenderam ao longo dos últimos anos a opção pelo modelo dos resorts integrados com cassinos –, devem ficar órfãos nesta empreitada.

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