Análise: Jair Bolsonaro está equivocado e do lado errado na questão da legalização dos jogos

A entrevista do presidente Jair Bolsonaro a Veja afirmando que a legalização dos jogos não terá o apoio do governo para ser aprovada no Congresso e, que em caso de aprovação vetará a proposta e que a liberação “vai ter mais a perder do que a ganhar no momento”, repercutiu entre os parlamentares do Grupo de Trabalho criado pelo presidente da Câmara dos Deputados para atualizar o projeto de lei que legaliza cassinos, jogo do bicho, bingos, caça-níqueis e jogo online.
O coordenador do GT, deputado Bacelar (Podemos-BA) comentou com o BNLData que a opinião do presidente está equivocada e o Estado é quem mais perde em mantes o jogo não regulado.
“A opinião do presidente Jair Bolsonaro sobre jogos de azar é totalmente equivocada e com valores invertidos. O Estado é quem mais perde ao manter o jogo na ilegalidade ao não arrecadar bilhões de reais movimentados atualmente com esta atividade. O cidadão brasileiro também perde porque não conta com a proteção do Estado. Investimentos, receitas de novos impostos e milhares de empregos são argumentos óbvios, mas o verdadeiro desafio do Legislativo neste momento é a criação e o estabelecimento de leis e regulamentos, que permitam aos cidadãos exercerem seu desejo de jogar sob os olhos atentos de regras claramente definidas pelo Estado e sua efetiva aplicação”, disse.
O parlamentar também ficou preocupado com a abordagem do tema sob a ótica religiosa e a manutenção, mesmo que involuntária, da ‘indústria da proibição’.
“A abordagem do tema sob a ótica de ‘costume’ apenas para agradar a sua base evangélica coloca o presidente, mesmo que involuntariamente, ao lado de quem mais ganha com os jogos de azar na ilegalidade”, comentou.
Já o deputado Vermelho Maria (PSD-PR) ressaltou que, a partir da legalização, o governo conseguirá regular, controlar e depurar a atividade. “Ao tirar o jogo da ilegalidade, o governo conseguirá determinar como vai funcionar cada modalidade, irá controlar empresas, cassinos, bingos e todas as apostas on-line e, ainda, fazer uma triagem disso tudo. Ou seja, só temos a ganhar.” pontuou.
A ideia é que o tema seja votado na Câmara até o fim do ano.
Bolsonaro joga para seu eleitorado evangélico
A inapetência e a omissão do Estado em legalizar e regular este setor gerou um forte incremento no jogo não regulado ao longo dos últimos anos. O brasileiro não está proibido de jogar, mas o Brasil está impedido de arrecadar com os jogos e de controlar esta atividade.
Na verdade, os religiosos tinham que abandonar o lobby para manter o jogo na clandestinidade e entender que a legalização seria a melhor solução para o jogo clandestino. O brasileiro não está proibido de jogar, mas o Brasil está impedido de arrecadar com os jogos e de controlar esta atividade. Além disso, é um erro acreditar que o jogo no Brasil começará a partir da criação do marco regulatório para este setor.
A declaração do presidente ajuda a retirar o foco do senador Flavio Bolsonaro, depois que a CPI da Covid vinculou que o diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Trento teria participado da comitiva brasileira formada pelos senadores Flávio Bolsonaro e Irajá, pelo deputado Hélio Lopes e pelo ex-presidente da Embratur e ministro do Turismo, Gilson Machado.
A comitiva teve reuniões institucionais com o Carnival Group e a Royal Caribbean International, em Miami e com o presidente e CEO do Las Vegas Sand Corporation, Sheldon Adelson, em Las Vegas.
A declaração do presidente Jair Bolsonaro serve para dar uma satisfação para parte do seu eleitorado. “Ele jogou para o eleitorado dele com o seguinte discurso ‘Eu fico bem com os evangélicos e o Parlamento resolve’”, comentou um operador.
Os EUA de tradição evangélica (48.5%) e católica (22.7%), legalizou e acolheu o jogo no seu sistema jurídico, porque percebeu que existindo demanda “alguém” vai prestar o serviço.


