Bets investem R$ 422 mi em publicidade e enfrentam restrições em São Paulo

Apostas I 08.08.26

Por: Magno José

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Setor de apostas esportivas, o 6º maior anunciante em mídia exterior na capital paulista, pode ser banido de espaços públicos por lei municipal

Empresas de apostas esportivas e jogos online destinaram R$ 422 milhões à publicidade em mídia exterior na cidade de São Paulo entre janeiro de 2025 e junho de 2026. O volume posiciona as bets na sexta colocação entre 184 categorias de anunciantes nesse segmento na capital paulista.

Os dados foram levantados pelo Monitor Evolution, plataforma de inteligência publicitária da Kantar Ibope Media, e publicados pelo Painel S.A. da Folha de S.Paulo. O período analisado coincide com a entrada em vigor da regulamentação federal do setor, ocorrida em janeiro de 2025.

O setor fica atrás apenas de segmentos como telecomunicações, cartões e meios de pagamento, bebidas alcoólicas e grandes redes de varejo. A mídia exterior, também chamada de OOH (Out of Home, ou “fora de casa”), abrange outdoors, painéis digitais, mobiliário urbano, pontos de ônibus, elevadores e meios de transporte.

Projeto de restrição na Câmara Municipal

O volume de investimentos ocorre enquanto a Câmara Municipal de São Paulo analisa propostas para proibir anúncios de bets em espaços públicos da cidade. O Executivo municipal prepara um substitutivo que consolida os projetos de lei 553/2025, 560/2025 e 564/2025.

O texto veta a publicidade das empresas em arenas esportivas, ônibus, pontos de parada, telas de elevadores, metrô, rodoviárias e relógios digitais de rua. A proposta prevê multa de R$ 50 mil por infração. Em caso de reincidência, a punição inclui suspensão da licença por até 30 dias e proibição de realização de eventos esportivos no município por até dois anos; os recursos arrecadados seriam direcionados à prevenção à ludopatia e ao fomento do esporte educativo.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que sancionará a lei assim que aprovada pelos vereadores. O Rio de Janeiro já adotou restrição semelhante; o prefeito Eduardo Cavalière (PSD) proibiu esse tipo de publicidade por decreto em sexta-feira (13/7).

Posição do setor

A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) se posicionou contra as restrições. A entidade sustenta que limitar a publicidade pode reduzir investimentos em um mercado regulado e impactar uma cadeia que inclui concessionárias de mobiliário urbano, empresas de mídia, produtoras, agências e prestadores de serviço.

A associação defende ainda que a publicidade de operadores autorizados cumpre função informativa, ao ajudar o consumidor a identificar plataformas licenciadas pelo Ministério da Fazenda.

 

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